Educação&Participação

Produção de inventário de brincadeiras de hoje e de ontem.

Início

  • O que éO que é

    Produção de inventário de brincadeiras de hoje e de ontem.

  • PúblicoPúblico

    Crianças e adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de sulfite, folhas de papel pardo, lápis de cor, folhas de papel pardo, lápis de cor.

  • EspaçoEspaço

    Na sala, na biblioteca, no pátio.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de aproximadamente 90 minutos cada um.

  • FinalidadeFinalidade

    Perceberem que as brincadeiras têm uma origem histórico-cultural e podem ser transformadas com o tempo, de acordo com os novos contextos.

  • ExpectativaExpectativa

    Desenvolver a habilidade de planejar, fazer e sistematizar uma pequena investigação; identificar as brincadeiras do passado que permaneceram vivas, as que foram transformadas e as que se extinguiram; identificar os locais mais utilizados da cidade para brincadeiras.

Na prática

brincadeiras

Como desenvolver?

1º encontro – Fazendo o inventário de brincadeiras de hoje

Em roda, sentados no chão, converse com as crianças sobre os jogos e brincadeiras que costumam brincar e onde brincam, procurando identificar quais são os mais usuais, os preferidos e os espaços onde acontecem e de quais gostam mais.
Incentive a fala perguntando: Vocês brincam aqui, não brincam? De quê? E em casa? E em que outros lugares? Já brincaram numa praça? Como é a praça em que brincam? É protegida? Cuidada? Poderia ser diferente? Tem algum equipamento para fazer exercício, banheiro público, bebedouro, lugar para jogar o lixo? Com quem costumam brincar?

Depois de uma boa rodada de conversa, distribua sulfite e lápis de cor e peça para escreverem o nome de sua brincadeira preferida e desenharem a si próprios brincando.

Façam um varal para expor as produções. O grupo circulará, observando os desenhos dos colegas e procurando identificar as brincadeiras que mais aparecem e os locais mais usados, organizando, em seguida, um quadro coletivo, com sua orientação, por ordem da frequência maior ou menor em que aparecem. Clique aqui para ver exemplo do quadro.

Após serem registradas as atividades, é importante conversar sobre como elas são, como podem ser descritas, se possuem regras, se essas regras podem ser recriadas para ficar melhor.

Observe se nessa relação aparecem jogos virtuais, quais são e quem tem acesso a eles. Gostam? Por quê? Estimule que falem sobre seus hábitos de acessar os jogos virtuais: quais, quando, onde, para conhecê-los melhor e poder dar orientações, se necessário.

Explore também os lugares onde brincam, nomeando-os e pergunte quantas vezes por semana costumam brincar nesses lugares.

Ao terminar, peça que olhem o quadro e identifiquem o que chama mais a atenção.

Depois de falarem, questione: por que será que algumas brincadeiras apareceram mais? E quais os lugares que aparecem, são diferentes ou são sempre os mesmos? Onde estão situados na cidade? Há diferença entre o que fazem as meninas e os meninos? Por que acham que isso acontece?

É importante discutir nesse momento as questões de gênero, de forma que identifiquem como cultural o fato de algumas brincadeiras serem mais comuns entre meninas ou entre meninos.

É importante também analisar que espaços da cidade são ofertados para as crianças e os adolescentes, a fim de irem percebendo que a cidade pertence aos cidadãos que nela habitam e que eles têm direito a espaços próprios para lazer. Cuide para que ouçam uns aos outros, esperem sua vez para falar e procurem expressar bem o que pensam.

Após essa reflexão, proponha que desenvolvam algumas dessas brincadeiras no pátio. Ajude-os a se organizarem em grupos, de acordo com as brincadeiras escolhidas, a combinarem o jeito de brincar e deixe que se divirtam. No caso das brincadeiras mais movimentadas, oriente-os a se hidratarem, tomando água nos intervalos.

2º encontro – Fazendo o inventário de brincadeiras de ontem

Em roda, problematize com as crianças a origem das brincadeiras: essas brincadeiras que conhecem, vêm de onde? Com quem aprenderam? Com os pais? Com os irmãos? Com os colegas? Será que sempre se brincou assim? Ou será que era diferente em outros tempos? Vamos saber sobre isso? Que tal fazermos uma investigação com nossos familiares mais velhos?

Organizem, juntos, um pequeno roteiro e definam um prazo para a realização da investigação com os familiares. Clique aqui para ver exemplo. Se houver crianças que ainda não escrevem, poderão desenhar ou pedir ajuda para os membros da família.

No dia combinado, em grupos, eles socializam com os colegas os depoimentos que trouxeram, descrevendo as brincadeiras antigas e apontando semelhanças e diferenças existentes entre as dos familiares e as suas. Depois, no coletivo, abrindo a roda, eles falarão sobre as descobertas que fizeram.

Estimule-os a identificar o que permaneceu e quais foram as mudanças que ocorreram nas brincadeiras de geração para geração.

Observe que permanências e mudanças acontecem com todos os produtos culturais materiais (objetos das mais variadas naturezas) e imateriais (lazer, arte, ciência, religião), que o homem cria no decorrer de sua história.
Proponha, em seguida, que façam um novo quadro para relacionar as brincadeiras sobre as quais tomaram conhecimento com a investigação. Veja exemplo, clicando aqui.

É interessante observar quais brincadeiras suscitaram maior curiosidade e propor que façam um convite para que os autores dos depoimentos venham falar com o grupo e brincar com eles.

Organizem a recepção da visita: dia, horário, local, perguntas a serem feitas aos familiares; escrevam os convites e entregue em mãos, pelos colegas que são parentes ou por e-mail, se eles utilizam essa forma de comunicação.

Fechando a atividade, coloque no chão tinta guache, lápis de cor e várias folhas de papel pardo coladas para que montem um grande painel com os desenhos de ontem e de hoje, o qual será exposto em lugar bem visível.

Depois de pronto, avalie com eles como ficou o painel, se apareceram as brincadeiras de que falaram: as que conheciam antes da oficina, as que passaram a conhecer com os colegas, durante a oficina, e as que aprenderam com os familiares.

Apresente, então, a tela de Peter Brueghel “Brincadeiras Infantis” . Essa tela também constitui um grande painel de brincadeiras; trata das brincadeiras de rua existentes no tempo desse pintor flamengo (Holanda). Foi pintada em 1560. Nele são representadas aproximadamente 84 brincadeiras. Provoque-os a encontrar algumas parecidas com as do painel que acabaram de construir e descobrir outras, desconhecidas que irão compor o seu quadro das brincadeiras de ontem.

A seguir, cada um escolhe uma brincadeira expressa em qualquer dos dois painéis e fica perto dela para compor com outros colegas, que também a escolheram, um grupo para brincar.  Sua mediação nesse momento é importante para garantir que todos tenham vez e voz.

E se?

E se alguma criança ficar sem grupo ou não quiser brincar?

Não force. Brincadeira é prazer e não punição. Ninguém deve ser obrigado a brincar. Converse, veja se a criança aceita ficar em outro grupo, com outra brincadeira ou, então, convide-a a ajudar você a fazer contato com os grupos ou observar e anotar algumas informações importantes para momentos posteriores.

 

Hora de avaliar

Na roda, finalizando a atividade, peça para avaliarem a oficina. Gostaram de fazer a investigação com as famílias? Acham que aprenderam brincadeiras que não conheciam? E a respeito do quadro de Brueghel, o que têm a dizer? Gostaram? Em que espaço as pessoas do quadro estão brincando? E em relação aos espaços que eles próprios brincam, são aproveitados vários espaços da cidade? Ou não? Por quê?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Um inventário dos possíveis lugares de se brincar na cidade, por meio de pesquisa em sites da prefeitura: secretaria de esporte, de parques e jardins; uma carta às autoridades administrativas do bairro, reivindicando a melhoria dos lugares que estão inadequados e mais espaços públicos adequados para crianças e adolescentes se divertirem brincando, jogando.

Gostou?

Consulte a oficina “Jogos e brincadeiras na praça: a gente aprende, a gente ensina”, deste banco.

Os livros:

BENJAMIN, W. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2002

CENPEC- Projeto Brincar- O brinquedo e a brincadeira na infância – 2009 (Cyrce Andrade, Marina Célia Dias, Maria Lúcia Medeiros, Zoraide Faustinoni da Silva);

CENPEC e FUNDAÇÃO ITAÚ SOCIAL Tendências para educação Integral. 2011.

O vídeo: Brincando na Corte

Para saber mais

O fortalecimento da relação da ONG/escola com as famílias é algo a ser buscado quando se tem como perspectiva a educação integral de crianças e de adolescentes.

Assim, convidar pais, mães, outros familiares e moradores para compartilhar suas experiências culturais com as crianças é uma ação que faz parte do trabalho educacional que vai nessa direção.

Essa iniciativa possibilita conhecer e integrar as práticas culturais locais à ação da instituição e estreita vínculos entre os diferentes espaços pelos quais as crianças circulam.

Da mesma forma, é importante que as crianças saiam do espaço institucional e brinquem em outros espaços públicos do território, como praças, parques e clubes municipais, pois essas experiências ampliam o seu repertório cultural, ao mesmo tempo que divulgam e valorizam os equipamentos sociais dos quais a comunidade dispõe, tornando-os verdadeiros espaços de convivência democrática e de aprendizagem.

Fonte de referência

AMIGOS  da Escola nos Esportes – Arte ( Izabel Yuriko Abe). São Paulo: Cenpec; TV Globo, 2000. (Todos pela Educação).

 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 27 de outubro de 2015, às 17h31min. 

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Total de 1 comentário(s)

  •    José Carlos Gonçalves  em 
         Educação&Participação respondeu em