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Reflexão sobre consumo, geração de resíduos e descarte.

Início

  • O que éO que é

    Reflexão sobre consumo, geração de resíduos e descarte.

  • PúblicoPúblico

    Crianças.

  • MateriaisMateriais

    1ª Etapa: papel; uma folha para cada criança; papel kraft ou qualquer outro material que sirva como suporte para painéis; 2ª Etapa: o painel da etapa anterior, com a lista de materiais que foram descartados pelas crianças; amostras (pedaços de objetos) de plástico, papel. vidro e metal; casca de banana (e outras, se desejar); recipientes transparentes de plástico ou de vidro para acondicionar as amostras (copos de vidro ou plástico transparente, ou sacos plásticos), um para cada amostra; material para vedar os recipientes, como tampas, filme plástico, fita adesiva ou arames; etiquetas adesivas; folhas de papel; 3ª Etapa: papel kraft ou qualquer outro material que sirva como suporte para painéis.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades.

  • DuraçãoDuração

    Quatro encontros de 50min (se houver disponibilidade, promover mais cinco encontros de 20min para observação da experiência proposta na oficina).

  • FinalidadeFinalidade

    Estabelecer que o consumo, a geração de resíduos e seu descarte estão presentes todo o tempo nas vidas das pessoas, como elementos interligados de um mesmo processo. Um processo que vem causando enormes impactos de ordem ambiental, social e econômica.

  • ExpectativaExpectativa

    Discutindo sobre o processo de consumo e geração de resíduos, observando seus fatores e consequências, as crianças adquirem subsídios para poder criticar, mudar hábitos, conservar outros e, principalmente, buscar construir uma nova mentalidade a respeito do consumo e dos resíduos orientada por valores, relações e práticas sustentáveis.

Na prática

Como desenvolver?

1ª etapa: O que consumi e descartei ontem?

 Inicie perguntando a uma das crianças o que ela fez desde a manhã até a noite do dia anterior. Enquanto ele ou ela narra suas atividades, pergunte o que usou, isto é, o que consumiu. Vá escrevendo no papel kraft (ou qualquer outro suporte disponível) a lista dos bens e serviços utilizados.

O propósito é que os participantes se deem conta de que quase o tempo todo nós consumimos alguma coisa. Elas devem perceber que até mesmo as simples ações do seu dia a dia que, aparentemente, não precisam de qualquer produto para acontecer, envolvem gasto de energia elétrica, água ou outros insumos.

Feito isso, distribua a cada criança uma folha de papel dobrada ao meio. Peça que façam uma lista do lado esquerdo da folha de tudo o que se lembram de ter usado e consumido no dia anterior.

 Depois, peça que escrevam, na parte direita do papel, o nome de tudo aquilo que jogaram fora no dia anterior. Indique que às vezes fazemos isso tão automaticamente que nem nos damos conta, por isso é preciso puxar pela memória.

 Peça que as crianças escolham títulos para as listas das duas metades da página (por exemplo, “Coisas que eu usei” e “Coisas que eu joguei fora”). Em seguida, elas devem usar a tesoura e separar as duas metades do papel.

 Elaborem juntos dois painéis (usando papel kraft ou qualquer outro suporte disponível), colando em um deles todas as listas do que consumiram; e no outro, as listas de tudo que foi jogado fora. Explore esses painéis com as crianças, observando as semelhanças e diferenças de consumo e descarte de resíduos entre os dois. Pergunte se tinham ideia de que um grupo de pessoas consome tanta coisa e joga tantas outras fora.

 Pergunte também se elas sabem o que acontece com as coisas uma semana depois de terem sido jogadas fora: sabem com que aparência elas ficam? Será que se transformam? Todas se transformam da mesma maneira? Para onde essas coisas vão? Que consequências o ato de “jogar coisas fora” acarreta? Será que há consequências para o ambiente em que vivemos?

Conforme as crianças respondam essas questões, registre suas respostas em um papel (inclusive as dúvidas e divergências de opiniões). Esse registro será retomado na etapa posterior.

Diga, então, que vocês começarão a pesquisar isso, investigando o que acontece com as coisas que usamos e jogamos e quais são as mudanças necessárias para melhorar as condições de nossas vidas e do nosso planeta.

2ª etapa: As coisas que jogamos fora se transformam? 

 Retome o painel, elaborado na etapa anterior, dos materiais que foram jogados fora. Retome também o registro das concepções dos alunos a respeito das transformações que ocorrem com os materiais após irem para o lixo (fique atenta(o) para não confirmar nem refutar nenhuma suposição feita por eles, deixando essas respostas a cargo da experiência que será realizada).

 Explique como será realizada a experiência: vocês observarão por uma semana o que acontece com materiais diferentes, para constatar se eles se transformam. Você pode proceder como quiser: realizar o experimento com a classe toda, revezando os grupos que registram as observações dos materiais; ou, então, pode dividir a turma em grupos e cada grupo realiza a sua própria experiência, comparando resultados no final.

E se?
Caso não seja possível reunir as crianças para que observem o experimento por uma semana, utilize um encontro para montá-lo e outro para apresentar o resultado final. Construa a tabela (sugerida a seguir) com elas, informando o que ocorreu ao longo dos dias com cada material.
 Convide as crianças a coletar os materiais que serão investigados. Elas podem escolher observar materiais que constem do painel que fizeram, porém, necessariamente, devem constar como amostras: um pedaço de vidro, um de plástico, um de metal, um de papel e um resto de alimento (sugerimos a casca de banana, que, além de ser fácil de coletar, transforma-se rapidamente). É importante que os materiais estejam bem limpos.

 Apresente os recipientes em que serão colocados os materiais coletados. Demonstre como colocar a amostra, fechar bem e etiquetar o recipiente. Depois, organizadas em grupos, elas fazem o mesmo com as outras amostras. Escolha um lugar da sala para esses recipientes ficarem por, pelo menos, uma semana. O lugar escolhido deve ser relativamente protegido, para evitar acidentes, mas também acessível à observação diária das crianças. Instrua as crianças a não abrir mais os recipientes e evitar manusear os materiais, pois isso poderia interferir nos resultados (por exemplo, quebrando o vidro ou amassando o papel).

 Passe a elaborar um quadro para registro com a turma toda, que as crianças devem copiar em seus cadernos. Eis uma sugestão:

dando_novos_destinos

Pode-se fazer uma cópia grande do quadro para que o registro fique bem visível para todos, próximo ao local onde fica o material.

 Todos os dias, depois de observar as transformações de cada material, a turma deve registrar o que observou. Isso pode ser feito da seguinte maneira: depois do momento de observação coletivo, designe um grupo de cinco alunos (um para cada amostra) para fazer o registro. Explique que eles devem escrever (e desenhar, se quiserem) exatamente o que percebem: tamanho, forma e cor da amostra, sem compará-la com os dias anteriores (essa comparação ficará para o final).

 Depois de decorridos os dias de observação, peça que todos analisem os resultados obtidos. Retome as perguntas que foram feitas no início da atividade e as previsões que as crianças fizeram sobre a transformação dos materiais. Leve-as a verificar as que estavam certas e as que estavam erradas. Será simples estabelecer que o plástico, o vidro, o metal e o papel, se não tiverem sofrido nenhuma ação que interfira no experimento (serem derrubados, amassados etc.), não mudaram de aspecto, enquanto a casca de banana transformou-se muito, naturalmente.

 Conte às crianças que material orgânico é o nome que se dá aos materiais que têm origem em seres vivos, como animais e plantas. Os alimentos, os animais que morrem, as plantas e árvores constituem o material orgânico. Depois de descartados, eles se transformam como a casca de banana, ou seja, mudam de aspecto, soltam líquido e odor. Isso acontece quando estão se decompondo, isto é, transformando-se em “pedacinhos menores de material” sob a ação de micro-organismos; aos poucos, vão se integrar ao solo, à água, ao ar. Outros materiais, porém, demoram muito tempo para se decompor ou não se decompõem (como o vidro) e, portanto, ficam por muito tempo no lugar onde são dispostos, quando poderiam ser utilizados para outras coisas.

3ª etapa: Dando novos destinos para o que já usamos

 Retome uma vez mais os dois painéis elaborados na 1ª etapa (lista do que foi consumido e lista do que foi jogado fora) e diga que existem maneiras de não descartar tantos resíduos.

 Escolha um objeto do painel “Coisas que nós usamos”, cujo uso poderia ser evitado, como um copo descartável. Converse com as crianças que se, em seu lugar, usássemos coisas mais duráveis, evitaríamos aumentar a quantidade de coisas que são jogadas fora.

 Depois, indique um objeto do painel “Coisas que jogamos fora” que seja feito de papel (limpo) e pergunte se ele poderia ter um destino diferente do ir para o lixo: quando as crianças disserem reciclagem, diga que está certo, mas que, antes de reciclar, devemos sempre nos perguntar se ele poderia ainda ser reutilizado – essa seria a melhor possibilidade, pois aumenta o tempo de vida útil daquele material, que depois ainda poderá ser reciclado.

 Faça o mesmo com um material orgânico: pergunte o que poderia ser feito ao invés de jogá-lo fora. Lembre as crianças da experiência com a casca de banana, e mostre que esse outro resíduo poderia virar composto e ser utilizado como adubo.

 Escolha algo das listas que não seja reutilizável nem reciclável, como um guardanapo usado de papel. Diga que esse é um exemplo de coisas que não temos como reutilizar nem reciclar, portanto, elas devem ser mesmo descartadas. Conforme vocês analisam cada caso, vá preenchendo um quadro como este no papel kraft (ou outro material que estiver disponível para esse fim):

 dando_novos_destinos2

Continue fazendo a classificação dos materiais que constam dos painéis, até que tenha sido analisada uma boa quantidade deles, ou, se possível, todos os itens. Outra forma de trabalho possível: organize grupos e peça que façam a classificação dos materiais das listas, copiando e preenchendo o seu próprio quadro, da mesma maneira que você fez no painel inicialmente.

Conclua a atividade, analisando o quadro e mostrando às crianças que agora elas serão capazes de diminuir e muito a quantidade de resíduos que descartam.

 

Hora de avaliar

Sentadas em círculo, peça para as crianças falarem o que acharam da oficina e o que aprenderam com ela. Formule perguntas que contribuam para reafirmar a compreensão de que muitas coisas que jogamos fora ficam por muito tempo no local onde foram depositadas, sem se transformar e sem se reintegrar novamente ao ambiente natural.  Certifique-se de que tenham entendido quais materiais devem ser selecionados para a reciclagem ou para reutilização e quais podem fazer parte de compostagem.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Diga às crianças que há uma pergunta que ainda não foi respondida: aonde vão os resíduos que jogamos fora diariamente?

Ouça suas respostas, indicando que uma possível destinação para os resíduos são os aterros sanitários.

Sugira e organize uma visita da turma a um aterro sanitário.

Pergunte o que é um aterro sanitário, na opinião delas. O que elas esperam encontrar? O que gostariam de saber?

Uma maneira alternativa de fazê-las pensar sobre o assunto é pedir que, em grupos, desenhem um aterro de acordo com o que sabem e imaginam.

Faça um levantamento de todas as perguntas e dúvidas e registre-as para respondê-las depois, com base no que viram e fizeram na visita.

Você pode também sugerir a construção de uma minicomposteira, indicando que os materiais orgânicos podem ser usados como composto orgânico em vez de serem jogados no lixo.

Informe que esses materiais se transformam em um ótimo fertilizante de plantas, sem nenhum ingrediente tóxico.

Convide as crianças a fazer, individualmente, ou em grupo, suas minicomposteiras.

Quando tiverem obtido o composto, as crianças podem adubar os canteiros da escola, os jardins de suas casas e observar os resultados da ação, acompanhando o crescimento das plantas.

Para saber mais

Como fazer uma minicomposteira

 Material necessário:

  • Uma garrafa de plástico PET de 2 litros;
  • Tesoura;
  • Pedaço de pau ou um palito de churrasco para mexer o composto;
  • Terra de jardim;
  • Restos orgânicos em pedacinhos: migalhas de pão, cascas e bagaços de frutas, borra de café, saquinhos de chá, vegetais, folhas (evitar laticínios, carne e gorduras);
  • Água.

1. Cortar a parte estreita da garrafa e fazer alguns furos na base e nas laterais da garrafa.

2. Colocar na garrafa a terra (5 cm), depois os restos (5 cm). Continuar fazendo camadas de terra e restos orgânicos. Acabar com 3 cm de terra.

3. Molhar e misturar muito bem. Colocar a garrafa de preferência sobre a terra, em lugar sombreado.


 Como manter:
diariamente remexer, mantendo o material solto e fofo; molhar sempre que necessário para manter a umidade, mas sem deixar ficar muito úmido.

Avaliar a temperatura colocando a mão no interior da terra: se estiver quente, é sinal de atividade microbiana. Se não, pode ter água demais, ou precisa ser mais revolvida.

O composto estará pronto para ser usado quando apresentar as seguintes características:

  • Coloração preta ou marrom café;
  • Consistência granulada, homogênea e sem distinção de restos;
  • Cheiro agradável de terra;
  • Temperatura ambiente, mesmo se for revolvido;
  • Volume reduzido à metade ou a um terço do original.

Como usar: Quando estiver pronto, o composto deve ser misturado à terra nos canteiros da escola, jardins, hortas e pomares.

O que pode ser compostado?

Praticamente, todo o lixo de cozinha facilmente putrescível ou lixo de jardim:

  • Restos de legumes, verduras, frutas e alimentos, filtros e borra de café, cascas de ovos e saquinhos de chá (desde que não estejam adoçados, temperados, com óleo ou qualquer tipo de gordura);
  • Galhos de poda, palha, flores de galho e cascas de árvores (material de estrutura);
  • Papel de cozinha, caixas para ovos e jornal;
  • Penas e cabelos;
  • Palhas secas e grama (somente em pequenas quantidades).

 

O que não deve ser compostado?

Materiais não putrescíveis ou de difícil decomposição, e outros por razões de higiene ou por conterem substâncias poluentes:

  • Carne, peixe, gordura e queijo (podem atrair roedores);
  • Plantas doentes e ervas daninhas;
  • Vidro, metais e plásticos;
  • Couro, borracha e tecidos;
  • Verniz, restos de tinta, óleos, todo tipo de produtos químicos e restos de produtos de limpeza;
  • Cinzas de cigarro, de madeira e de carvão, inclusive de churrasco, saco e conteúdo de aspirador de pó (valores elevados de metais e poluentes orgânicos);
  • Fezes de animais domésticos, papel higiênico e fraldas (por razões de higiene).

Fonte: Compostagem Doméstica de Lixo, FUNDACENTRO, São Paulo. Disponível aqui.

Os aterros sanitários
Os aterros sanitários são construídos para dispor o lixo evitando contaminar o solo, a água e o ar, além de tratar e reaproveitar os subprodutos do lixo – chorume e gás metano.

Nos aterros sanitários, o solo é compactado para diminuir sua permeabilidade, sendo depois recoberto com mantas muito resistentes que impedem qualquer contato dele com os resíduos e o chorume.

Entre a manta e os resíduos há ainda uma camada de argila.

Os resíduos são depositados, compactados e recobertos por terra.

Em seguida, uma nova camada de resíduos compactados e outra de terra são adicionadas, e assim sucessivamente, formando degraus.

O chorume é canalizado e recebe tratamento, assim como o gás, que é captado e pode ser queimado.

Em alguns aterros, a queima desses gases é utilizada como fonte de energia elétrica.

Todo o entorno do aterro é monitorado, com mapeamento das espécies vegetais e animais, dos cursos de água e do solo.

Depois de ter sua vida útil esgotada, isto é, de ter alcançado sua capacidade máxima de receber resíduos, o aterro sanitário continua sendo monitorado por cerca de 20 anos.

Chorume

O chorume é um líquido muito contaminante, escuro, de odor forte, resultante da decomposição da matéria orgânica.

Atualmente, nos aterros sanitários, o chorume é coletado, tratado em estações de tratamento de água e diluído no esgoto doméstico.

Gás metano

Conforme a matéria orgânica (restos animais e vegetais) se decompõe nos aterros, em ausência de oxigênio, ela produz gás metano.

Nos aterros sanitários, esse gás é captado, evitando seu armazenamento e o risco de explosões.

Algumas palavras sobre o consumo

Hoje, o consumo deixou de ser apenas a solução para as nossas necessidades básicas, passando a se constituir como motor da nossa sociedade.

Somo identificados e classificados socialmente pelo que consumimos e deixamos de consumir.

Ao longo dos seus anos de escolaridade, as crianças e os adolescentes vivem a construção de sua identidade em relação ao consumo.

Ao mesmo tempo em que observam o comportamento das pessoas e os valores que as norteiam, procuram escolher seus próprios padrões, moldados pelas ideias em que acreditam.

Nosso papel como educadores é dar-lhes o maior número de elementos para fazer essas escolhas, oferecendo oportunidades de perceber que o que é visto como “natural”, na verdade, é uma construção social, sendo, portanto, passível de ser criticado e transformado.

Fonte de referência

As atividades aqui descritas integram o Programa de Oficinas Pedagógicas do Instituto Estre de Responsabilidade Socioambiental. Para conhecer melhor o programa acesse este site.

Gostou?
Então acesse também as oficinas de saúde e meio ambiente. Clique aqui.

 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 18 de fevereiro de 2016, às 15h. 

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Eu fiz assim…

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Você pode participar deixando um comentário abaixo ou enviando um relato sobre a experiência em realizar esta oficina para o e-mail oficina@educacaoeparticipacao.org.br.