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Pesquisa sobre a origem e os trajetos das famílias.

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  • O que éO que é

    Pesquisa sobre a origem e os trajetos das famílias.

  • PúblicoPúblico

    Crianças, adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Mapa do Brasil, fios de lã de cores diversas, alfinetes de cabeça coloridos ou fita crepe,folhas de papel jornal ou cartolina, pincéis atômicos.

  • EspaçoEspaço

    Na sala.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de aproximadamente 90 minutos.

  • FinalidadeFinalidade

    Recuperar o trajeto e a história de suas famílias.

  • ExpectativaExpectativa

    Valorizar suas origens; conviver com pessoas de diversas origens.

Na prática

mapa

Como desenvolver?

Oriente os estudantes para que façam uma pequena investigação com os familiares ou responsáveis, para saber onde viveram seus antepassados mais distantes, chegando até onde a lembrança alcança.

Quando tiverem as informações em mãos, faça uma roda e peça para cada um contar o que apurou. Registre as respostas num cartaz, organizando numa coluna o nome deles e, numa outra, os locais de origem dos antepassados.

Apresente, então, o vídeo com a música Paratodos, de Chico Buarque. Convide todos a cantar juntos.

Pergunte se já conheciam a música e do que ela trata. Tem alguma coisa em comum com as informações que trouxeram de suas famílias? Quais são elas?

Observe a trajetória da família do compositor por diferentes estados brasileiros, mostrando no mapa do Brasil. Em seguida, convide-os a localizar também os lugares de origem dos seus parentes mais antigos no mapa do Brasil e viajar pelo percurso feito por eles até chegar ao local onde vivem hoje.

Comece por você.  Coloque um alfinete na cidade onde nasceu e outro onde viveu seu antepassado mais antigo (use alfinetes da mesma cor; se não tiver, use fita crepe).  Escolha uma cor de lã e ligue esses dois pontos.
E se?
Se, por acaso, o antepassado migrou para outro estado que não aquele onde você vive hoje, coloque outro alfinete nesse estado e passe o fio de lã por ele, antes de chegar a você.
Se você nasceu em um estado e mudou para outro, passe o fio de lã pelos dois. E, se o antepassado veio de outro continente, coloque o alfinete fora do mapa. Depois, recorra ao mapamúndi para mostrar esse lugar para eles.

Em seguida, convide um deles para fazer o mesmo que você e peça que todos o ajudem na localização. Antes, porém, ele contará um pouco da história da sua família, se sempre viveu no mesmo lugar, se migrou uma vez ou várias vezes. E, assim, sucessivamente.

Quando todos tiverem localizado suas origens e a de seus familiares/responsáveis no mapa, peça para observarem bem os alfinetes coloridos e o trançado da lã. O que percebem?

Existe uma concentração de alfinetes num determinado estado, expressando a permanência da família num mesmo local?

Ou existe um trançado de lã por vários locais, indicando as mudanças da família pelo país? Existem semelhanças no percurso do grupo? E diferenças? Quais são elas? Por que será que isso aconteceu?

Lembram-se das histórias contadas pelos colegas? Elas explicam os deslocamentos?

Peça que imaginem as possíveis razões das migrações e formulem frases sobre o que percebem. Anote num cartaz.

Em seguida, proponha que produzam um texto coletivo, com as frases que foram registradas.

Muito provavelmente aparecerá, nas histórias contadas sobre os antepassados, a busca por uma vida melhor, em regiões mais industrializadas, onde há maior oferta de trabalho.

A partir da iniciativa deste parente, outros membros da família seguiram o mesmo destino, dando início a uma nova história familiar.

A seguir, retome a música Paratodos. Então, quais são as semelhanças? Muitas. Essa história confunde-se com a história da população brasileira.

Aproveite a oportunidade para explorar  outros conteúdos que a música riquíssima do Chico traz. Por que será que o autor fala:

“Contra fel, moléstia, crime

Use Dorival Caymmi

Vá de Jackson do Pandeiro”

Ou

“Fume Ari, cheire Vinicius

Beba Nelson Cavaquinho”

Pergunte se ouviram falar dessas pessoas e se as identificam como importantes compositores e músicos do cancioneiro brasileiro, mesmo que não sejam de sua época.

Observe que Chico atribui à música importante fonte de sonhos, de poesia e de humanização e, por isso, propõe que a gente se deixe impregnar por ela e não pelas drogas. “Fumar, cheirar, beber música é remédio contra a amargura, a doença e o crime”.

Chico também presta uma homenagem aos cantores populares brasileiros, citando vários deles na música, alguns mais conhecidos que outros. De certa forma, parece propor que existe, para além da família de sangue, uma outra família à qual pertence: a dos músicos brasileiros.

Hora de avaliar

Em roda, solicite a cada um que diga como se sentiu ao fazer a atividade: conheceu mais a sua história e de sua família? Identificou-se com os demais colegas? Foi bom falar dos antepassados? Que cor escolheria para expressar o que sentiu? O que essa cor representa?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Cada um poderá organizar o seu Livro da Família, contando a história dos antepassados, de suas origens e do movimento de deslocamento geográfico, se houve, até o momento atual.

Você pode convidar um professor de História ou de Geografia para fazer a leitura do mapa trançado pelos adolescentes e vir à organização conversar sobre o assunto com eles.
Uma pesquisa no IBGE, uma ida ao museu do imigrante ou à câmara municipal poderá revelar dados importantes sobre a cidade onde vivem: quais os seus fundadores, de onde vieram, qual a composição da população local: se há mais nativos ou migrantes, qual a origem desses migrantes e a razão de terem buscado a região.

Pode ser instituída uma semana na cidade para a divulgação dos dados coletados, com a apresentação de relatos de famílias, algumas mais antigas e outras mais novas, contando suas histórias de chegada ao local, cujos depoimentos comporão o livro da cidade.

Para saber mais

Investigar a origem familiar das crianças e dos adolescentes, os locais de nascimento deles e dos seus antepassados, bem como de outras pessoas de sua convivência e por eles responsáveis, propicia condições para que eles se sintam fazendo parte de uma história, de uma trajetória.

Ao mesmo tempo, permite que percebam que essa história e essa trajetória fazem parte da vida de muitas outras pessoas e também da história do país.

O fenômeno da migração interna na história do Brasil, por exemplo, decorrente da oferta de emprego em lugares distantes da origem, mais desenvolvidos ou necessitados de mão de obra, quer seja na cidade ou no campo, marcou intensamente a vida de muitas famílias brasileiras.

Isso porque, para além das questões subjetivas ( sentimentos, ideias), as famílias têm uma base material que se expressa nas condições concretas de vida e de moradia.

A família não é estática. Ao contrário, é dinâmica e comporta permanências, mudanças ou mesmo rupturas, que ocorrem ao longo dos tempos, dependendo dos contextos socioeconômicos e culturais em que se inserem.

As famílias não são sempre iguais; não há um “modelo” de família válido para todas as sociedades, em toda parte e todo tempo.

O modo como as famílias se organizam e estabelecem relações entre seus membros e destes com a sociedade varia de acordo com as culturas, as épocas históricas e as classes sociais.

Isso significa que existem outras possibilidades de organização familiar, diferentes da família nuclear, assentada na consanguinidade.

Em nossa realidade social, “família” é, sobretudo, o conjunto de pessoas que convivem cotidianamente, constroem uma história comum, mantém laços afetivos e estabelecem uma variedade de vínculos no dia a dia.

Fontes de referência:

VICENTE, Cenise M. Direito à convivência familiar e comunitária: uma política de manutenção do vínculo. In: KALOUSTIAN, Sílvio M.(org). Família brasileira, a base de tudo. São Paulo: Cortez; Brasília: UNICEF, 1998.

CENPEC- CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÂO, CULTURA E AÇÃO COMUNITÁRIA. ONG: parceira da família. São Paulo, 1999.

ZAKZUK, Maísa. A árvore da família. São Paulo: Panda Books, 2008.

FAMÍLIA e Relações Sociais (Cristina Almeida de Souza; Mirna Busse Pereira). São Paulo: Cenpec; Febem-SP; SEE-SP, 2002. (Educação e Cidadania, 2).

Gostou?

Consulte a oficina “Minha história de vida” deste banco.
Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 08 de setembro de 2015, às 14h.

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