Educação&Participação

Produção de uma escultura em argila representando divindade protetora, a partir de aproximação com a mitologia de alguns povos.

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  • O que éO que é

    Produção de uma escultura em argila representando divindade protetora, a partir de aproximação com a mitologia de alguns povos.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Pranchas de madeira (40cmx40cm), argila, folhas A4, lápis de cor, tinta guache, pincéis, apetrechos como linhas, botões, rendas, livros com ilustração das mitologias grega, romana, africana, indígena, internet,, folhas de cartolina, pincéis atômicos.

  • EspaçoEspaço

    Em espaço livre.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de aproximadamente 90 min. cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Desenvolver o conceito de arte como forma de compreensão e transformação do mundo, por meio da criação de novos significados.

  • ExpectativaExpectativa

    Fazer uso da expressão artística para criação de outros universos e conceitos; identificar, pela arte, alguns elementos comuns da condição humana, em diferentes sociedades, de diferentes tempos históricos; respeitar as várias visões de mundo, mesmo sem concordar com elas.

Na prática

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Como desenvolver?

Primeiro encontro: Mergulhando na mitologia da Grécia, berço da civilização ocidental.

Diga ao grupo que nesta oficina irão conversar sobre seres fantásticos, entidades do bem e do mal, que povoam a mente humana, desde os tempos mais remotos.

Conte que o ser humano sempre buscou alguma explicação para a origem do mundo, dos fenômenos naturais e humanos e, principalmente para o que o assustava. Para isso criou os deuses e formas de se relacionar com eles, de modo que o protegessem sempre, evitando catástrofes e tragédias.

Pergunte se já ouviram falar das carrancas das embarcações do Rio São Francisco, no Brasil, que têm a função de espantar os maus espíritos das águas ou dos totens (esculturas) gigantes de tribos indígenas canadenses, feitos de madeira, para representar os ancestrais e proteger as aldeias.

E de fadas e bruxas, não ouviram já uma porção de histórias, quando pequenos? Elas não existem para proteger e premiar as crianças indefesas e bondosas ou então para transformá-las em sapo ou comida de gigante?

Já viram algum chafariz ou telhado de casa antiga com figuras de dragões ou monstros, as chamadas gárgulas, escoando a água da chuva? Que aspecto elas têm? Pergunte que outros seres dessa natureza conhecem e vá relacionando-os num cartaz.

Proponha que façam uma pesquisa a respeito de um desses personagens para observar as várias formas em que estão representados plasticamente e discutam por que existem as diferentes representações. É uma questão de cultura? De tempo histórico? O importante é chegarem à conclusão de que os seres humanos podem atribuir diferentes significados aos mesmos fenômenos.

Volte, então, no tempo percorrido pela humanidade e fale um pouco sobre a mitologia grega.

Os gregos, como outros povos antigos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses e a eles atribuíam a criação do mundo, os fenômenos da natureza e o destino dos homens.

Seus deuses eram imortais, mas eram humanizados. Os gregos criaram seus deuses à sua imagem e semelhança. Assim, eles apresentavam comportamentos e atitudes semelhantes aos dos seres humanos como maldade, bondade, egoísmo, fraqueza, força, vingança. Cada entidade divina representava ou forças da natureza ou sentimentos humanos. Poseidon, por exemplo, era o deus dos mares, um fenômeno da natureza e Afrodite, a deusa da beleza e do amor, características humanas.

Os deuses eram figuras protetoras e cada cidade tinha seu protetor. Mas, quando se enfureciam, eram capazes de muita maldade. Por isso, vez por outra, os mortais ofereciam-lhes  suas colheitas, produtos da terra, e sacrificavam animais para pedir-lhes proteção e benefícios ou para aplacar a fúria de um deles, em particular.

Os deuses moravam no Monte Olimpo, mas às vezes desciam e se relacionavam com os mortais. De relacionamentos amorosos entre deuses e mortais nasceram os heróis, semideuses com muitos poderes herdados dos deuses, porém, mortais. Assim, tinham seus pontos fortes e fracos. Por acaso, eles já teriam escutado a expressão “calcanhar de Aquiles”?

Na mitologia grega, Aquiles (filho da deusa do mar Tétis e de Peleu, rei do povo mirmidão) foi um dos s heróis da guerra de Tróia. Segundo a lenda, Aquiles era muito forte, não era atingido por nada, mas seu ponto fraco era o calcanhar. Assim, sua morte foi causada exatamente por uma flechada nessa parte do corpo. Por isso, usa-se a expressão “calcanhar de Aquiles”, para indicar a fragilidade de alguém.

Os poetas e músicos daquela época passeavam de cidade em cidade, cantando as histórias dos deuses e dos heróis (chamamos essas histórias de mitos), transmitindo-as oralmente, de geração a geração, dando origem à mitologia (conjunto de mitos). Só mais tarde tais histórias foram escritas.

Aproximadamente 1000 anos antes de Cristo, poetas como Homero e Hesíodo nos deram a conhecer a maioria das histórias da mitologia grega. Homero, por meio dos poemas Ilíada e Odisseia, que tratam respectivamente da Guerra de Tróia e do retorno de Odisseu, herói da guerra, a seu reino e Hesíodo, pela sua obra Teogonia, na qual discorre sobre a origem do universo por meio de três gerações de deuses.

Mostre a eles os principais seres mitológicos gregos e seus deuses mais importantes, em ilustrações de revistas, livros ou sites como os indicados abaixo, deixando que observem à vontade. Peça para anotarem os nomes dos deuses ou heróis que mais chamarem sua atenção, durante a pesquisa.

Mitologia Grega

Heróis Gregos

Deuses

Conte para eles que os romanos invadiram a Grécia e lá ficaram por mais de 500 anos, absorvendo muito de sua cultura. Assim, adotaram os seus deuses, dando-lhes nomes correspondentes, como podem observar na relação apresentada nestes sites:

Religião Romana

Mitologia Romana

Projete para eles o vídeo A origem dos deuses e do universo, hospedado no site abaixo, para conhecerem o mito grego sobre a criação do mundo e a origem dos seus deuses.

Após a exibição do vídeo, provoque comentários, estimulando que expressem suas impressões sobre a criação da mitologia grega e pergunte se conhecem mitologias similares.

Segundo  encontro: Conhecendo outras mitologias e criando seres fantásticos.

Continue a oficina, contando para o grupo que, na história da humanidade, muitas outras mitologias foram concebidas por outros povos como os egípcios, os africanos, as diferentes etnias indígenas, dentre outros, das quais muitas persistem até hoje. Que brasileiro nunca ouviu falar em orixás, Iemanjá e Ogum?(mitologia afro-brasileira). E que brasileiro não ouviu também falar em curupira, mula-sem-cabeça, lobisomem, saci-pererê? (mitologia indígena do Brasil).

E se?

Se alguém do grupo por acaso acreditar nesses personagens míticos e com isso provocar risos ou gozação dos colegas, chame sua atenção para o fato de que todos devem ter suas ideias, opiniões e crenças respeitadas.

Que tal adentrar nesses outros mundos fantásticos e conhecer como outros povos explicam a origem do universo e de suas divindades?
Apresente alguns vídeos sobre a mitologia egípcia, afro-brasileira e indígena para perceberem que as diferentes sociedades humanas sempre tiveram necessidade de explicar o mundo à sua volta e para isso recorreram aos recursos da imaginação. Mesmo hoje, com todo o desenvolvimento da ciência, há culturas que preservam suas explicações mitológicas e correspondentes rituais religiosos.

Mitologia Afro-brasileira

Mitologia Brasileira

Quando você perceber que o grupo está bem familiarizado com deuses, semideuses, heróis, personagens míticos, lance o desafio de cada um pensar num ser fantástico, cheio de poderes, só para protegê-lo. E pergunte:

– Se vocês tivessem poder para criar esse ser, como ele seria? De que ele os protegeria? Que poderes teria?

Deixe que se manifestem e estimule que soltem a imaginação, sem censuras, sem preocupação com lógica e racionalidade. Distribua então argila (maios ou menos 2 kg para cada um) e peça que criem e modelem seu protetor, conforme o imaginam.

Quando terminarem, convide-os a expor suas obras pela sala, discutindo os locais mais adequados para serem melhor apreciadas por todos.

E se?

Se você não conseguir argila para todos, pode orientá-los a fazer papel machê para compor sua obra (Veja receita neste site) ou usar papel A4 com lápis de cor ou tinta guache para desenharem e pintarem seus deuses; ofereça também apetrechos para serem colados nos desenhos, pinturas ou esculturas em machê.

Hora de avaliar

Depois de circularem pelo espaço, observando sua própria obra e a dos colegas, é hora de conversar sobre a atividade. Sentados em roda, falarão sobre as criaturas produzidas: seus nomes, seus poderes, seus pontos fortes e seus pontos fracos.  Pergunte-lhes se a obra realizada representa o que haviam imaginado. Ficaram satisfeitos com o produto final?

Evidencie a singularidade de cada obra e a importância do respeito às diferenças e à pluralidade de interpretações e manifestações.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Seria interessante pensarem numa intervenção artística na comunidade, espalhando suas obras, com algumas informações sobre elas, pelos pontos onde transitam as pessoas.

O conhecimento e a compreensão dos fenômenos humanos constituem antídotos para o preconceito.

Desta forma, é interessante que os adolescentes e suas famílias entrem em contato com diferentes concepções de mundo, de diferentes povos e etnias, identificando, para além das diferenças, as semelhanças que existem entre elas e, com isso, percebam que não há práticas humanas superiores ou inferiores, mas diferentes e que, por trás delas, o movimento que impele o ser humano a produzi-las é o mesmo. Somos iguais no que se refere à condição humana e às diferentes na forma de expressá-la.

Assim, com o auxílio dos educadores e professores de Arte e de História , os adolescentes poderão planejar uma pesquisa sobre a mitologia de vários povos e organizar uma semana com palestras, apresentação de vídeos e filmes, conversas e exposições, em diferentes locais públicos do bairro.

Pessoas e associações da comunidade poderão colaborar com seus conhecimentos e experiência.

Para saber mais

Todas as sociedades possuem um conjunto de ideias e reflexões próprias sobre a origem do universo e sobre como foram criados os seres humanos, os animais, as plantas, os rios, as paisagens, os astros, o céu, a terra etc.
Muitas vezes essas ideias e reflexões são narradas na forma de histórias, que chamamos de mitos; ao conjunto dessas histórias, dá-se o nome de mitologia. Assim temos a mitologia grega, a mitologia romana, a mitologia africana e a mitologia indígena, dentre outras.

Os gregos acreditavam que as divindades habitavam o topo do Monte Olimpo, de onde decidiam a vida dos mortais.Zeus era o pai dos deuses, considerado a divindade mais importante do panteão grego.

Acreditavam também que, muitas vezes, os deuses desciam do monte sagrado para se relacionar com as pessoas.

Os heróis gregos eram os filhos que nasciam da união entre deuses e mortais. Eram semideuses. Ao invadir e dominar a Grécia, os romanos assimilaram os deuses gregos, aos quais atribuíram outros nomes.

Os deuses eram seres que, apesar de imortais, tinham sentimentos humanos e eram tanto protetores como vingativos.

Para obter sua proteção e aplacar sua ira, os gregos lhes faziam oferendas. Os Jogos Olímpicos, criados pelos gregos, eram realizados de 4 em 4 anos, com a intenção de aplacar a fúria de Zeus, deus dos deuses, representado pelo raio, oferecendo-lhe o que supunham  que lhe dava muito prazer, como o lançamento de disco ou dardo.

Os povos indígenas também transmitem seus conhecimentos e experiências por meio de mitos. Por serem populações que, até pouco tempo, não registravam seus saberes na forma de textos
escritos, o principal jeito de transmitir conhecimentos era — e ainda é — por meio da fala.
Da mesma forma, os escravos africanos que foram trazidos para o Brasil entre os séculos XVII e XIX trouxeram suas próprias religiões, baseadas principalmente no culto a divindades da natureza, os orixás.

Esses possuíam personalidades semelhantes às dos humanos, tal como as divindades do mundo grego antigo.

Os escravos conseguiram manter seus cultos aos orixás, apesar da repressão dos colonizadores portugueses, dando-lhes uma aparência de catolicismo e, com isso, deram origem ao que chamamos de sincretismo religioso.

Entender a mitologia de um povo implica estudar as formas de viver e pensar desse povo que a criou, para conhecer os significados que lhe atribuem.

Fontes de Referência

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Editora Vozes Ltda – 1ª edição São Paulo: 2009. Coleção Mitologia. Abril Cultural. São Paulo

RANDON, Maria Augusta Mantese. Os deuses e seus enigmas. São Paulo: Difusão Cultural do Livro Ltda. 2002.

FRANCHINI, A. S. As 100 melhores histórias da mitologia: deuses, heróis, monstros e guerras da tradição greco-romana. Porto Alegre: L&PM. 2003.

Coleção Mitologia. Abril Cultural. São Paulo

Gostou?

Veja também a oficina “Criação de um personagem”, deste banco.

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 19 de setembro de 2015, às 08h30min.

Participe

Eu fiz assim…

Nesse espaço você pode postar suas impressões sobre o desenvolvimento das oficinas, dizendo-nos o que deu certo, o que precisou ser modificado, o que deu errado. Com isso, você nos ajuda a aperfeiçoar o banco, além de contribuir com sugestões para outros possíveis usuários.

Você pode participar de diferentes formas:

Envie um relato sobre a experiência em realizar esta oficina.
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Nossa equipe vai analisar e seu relato pode ser publicado neste site.

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