Educação&Participação

Registro da história da família, a partir de pesquisa.

Início

  • O que éO que é

    Investigação a respeito da história da família.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Fichas para coleta de dados do quadro de gerações e entrevistas.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades e em espaço público ampliado.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de 1h30min, aproximadamente.

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender que todas as famílias têm história e que a diversidade das histórias só enriquece a experiência humana.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a trabalhar com fontes de informação de naturezas diversas; ampliar os referenciais de tempo e espaço, refletindo sobre permanências e mudanças nas relações sociais.

Na prática

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Como desenvolver?

 

 

1º encontro: Fazendo a proposta de pesquisa com familiares.

Forme uma roda e diga que nessa oficina o tema será a história das famílias. Sugira que todos pensem alguns minutos sobre a vida de seus pais, avós, bisavós, até a geração da qual se lembram. Oriente-os para lembrar-se de acontecimentos marcantes, de onde vieram, como viviam. Você deve participar da roda, contando suas lembranças de família, também.

E se?

Se a turma ficar inibida, você pode ser a primeira a falar, para estimular que tomem a palavra. E se houver alunos que não queiram falar, não tem importância, passe a vez.

Depois da rodada, em que todos tenham tido a oportunidade de falar, pergunte em que ou em quem se basearam para dar as informações, ou seja, quais foram as fontes de referência utilizadas para fazerem os relatos. Nesse momento, verifique se eles conseguem perceber que nos relatos utilizaram suas lembranças e a memória de seus familiares. Caso não reconheçam isso, ressalte a noção de história oral como fonte histórica, tão importante quanto os documentos escritos.

É preciso estar atento para que, ao fazer seus relatos, a turma não faça juízos de valor sobre eventuais variações da família-padrão, assim como ao conteúdo dos relatos, de maneira geral. Esse será um momento oportuno para reforçar  uma  atitude  básica  relacionada  ao exercício da cidadania:  o respeito ao outro, naquilo que o singulariza  e o diferencia.

Proponha, então, à classe, a realização de uma pesquisa para levantar mais informações sobre suas famílias (gerações), buscando localizá-las, sempre que possível, no tempo (calendário). Com esses dados, eles irão construir o quadro de gerações de suas famílias. O quadro de gerações permitirá que entrem em contato com a história de seus antepassados e possam identificar mudanças e permanências ocorridas no decorrer das gerações. Para muitos, será uma descoberta.

Convide-os a construir o quadro, juntos. Não podem ficar de fora alguns dados como: os nomes dos familiares, a data de nascimento, a naturalidade (cidade onde nasceram), a nacionalidade (país onde nasceram), a profissão e de onde conseguiram a informação (a fonte): se de algum familiar, de um registro civil, religioso ou pessoal. Esclareça que temos pai e mãe biológicos, 4 avós (2 do lado do pai e 2 do lado da mãe) e 8 bisavós (4 do lado do pai e 4 do lado da mãe) e que todos precisam ser considerados no quadro. (veja exemplo anexo).

Além do quadro, peça que pesquisem também sobre a história da família: fatos marcantes e fatos engraçados que passaram de uma geração a outra. Para isso, farão uma entrevista com um parente.

Certamente, precisarão da ajuda dos familiares mais velhos e de consulta a documentos como registros civis (nascimento, casamento, divórcio, óbito, escrituras, carteira de trabalho, passaporte, carteira modelo 19), registros religiosos (batizado, casamento) ou registros pessoais (cartas, diários, postais, fotografias) e outros.

Combine com a turma uma data para a coleta das informações, marcando uma data adequada para trazerem. Considere com eles a possibilidade de não conseguirem todos os dados e oriente-os quanto à consulta de documentos, quando tiverem dificuldades.

2º encontro: Organizando e explorando os dados da pesquisa.

No dia combinado para trazerem as informações, converse sobre o processo de coleta de dados do quadro de gerações e da entrevista: como foram obtidos, se utilizaram depoimentos ou também documentos; quem forneceu as informações, o que foi mais fácil ou mais difícil fazer, o que foi gostoso descobrir. Alguns alunos provavelmente terão dificuldade em trazer os dados, por falta de documentos e lembranças da família. Nesse caso, discuta com a classe sobre a importância dos registros, como memória mais duradoura para se conhecer o passado.

Organize-os em duplas e oriente para que observem os quadros, troquem informações e reflitam sobre as questões abaixo, verificando se há elementos comuns nas famílias da dupla ou não e quais são. Depois, abra a roda e peça para cada dupla falar, fazendo um fechamento, após cada uma das questões, com o que ficou mais forte nas respostas deles. Registre na lousa ou em um cartaz.

Em relação ao quadro:

  • a diferença de idade entre eles (elas) e os seus pais, entre eles (elas) e os avós; entre eles(elas) e os bisavós;
  • a naturalidade dos pais, avós e bisavós;
  • a nacionalidade dos pais, avós e bisavós;
  • onde exerciam suas profissões: no campo ou na cidade.

Em relação à entrevista:

  • fatos marcantes (cada um expõe apenas um);
  • fatos engraçados (idem);
  • como eram os casamentos.

Ao terminar, estimule-os a explicitar algumas conclusões a que chegaram, a partir desses dados. Ajude-os, problematizando com eles o que percebem que há de comum e de diferente entre os dados dos vários quadros. Depois que manifestarem suas conclusões, chame a atenção para as mudanças e permanências.

E se?

Se houver uma grande incidência de permanências ou mudanças (de lugar, por exemplo), incentivar os grupos a discutir os motivos.

3º encontro: Escrevendo a história da família.

No terceiro encontro, eles serão os historiadores de suas famílias. Deverão consultar os quadros de gerações e as entrevistas e recompor a história da família, produzindo um texto com as informações e as lembranças disponíveis nos registros, contemplando até a geração dos avós.  Alerte-os para o uso do dicionário, se tiverem dúvidas, e disponha-se a ajudá-los na estrutura do texto.

Os textos serão lidos, um a um, em momentos planejados das próximas oficinas.
Hora de avaliar

Forme grupos para procederem à avaliação da oficina: que aprendizagens ela proporcionou em relação a conteúdos, habilidades e valores. Houve mudança de visão em relação à família? O que mudou? O que os surpreendeu? O que os emocionou? Foi interessante fazer a pesquisa nos registros e a entrevista com os familiares? E produzir a escrita de sua história?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Os adolescentes poderão coletar fotos para ilustrar o texto da história da família ou fazer ilustrações e montar um álbum com textos e imagens. Os textos produzidos poderão ser enviados para publicação em um jornal do bairro ou  serem afixados em murais.

Se conseguiram detectar pontos em comum, na turma, em relação à nacionalidade ou em relação à naturalidade de pais ou avós, será interessante convidar um professor de História para analisar o contexto histórico de então e discutir os motivos dessas semelhanças.

Para saber mais

O termo família é bem antigo e tem significado coisas bastante diferentes, ao longo do tempo. A origem é latina, designando o lar e as atividades realizadas no seu interior.

Raymond Williams, referindo-se à Europa, afirma que “A partir do século XV,família ampliou-se então para descrever não um lar e suas atividades, mas o que significativamente se denominava uma casa, no sentido de uma linhagem ou grupo de parentesco específico, de ordinário ligado por descendência de um ancestral comum”.

Entre os séculos XVII e XIX, passou a predominar o sentido de família como um pequeno grupo restrito às relações consanguíneas imediatas. Mas, sobrevivia, em diversos lugares do mundo, o sentido de família como um grande grupo de parentesco, levando os estudiosos a criar distinções, como família nuclear e família extensa. No Brasil, por exemplo, embora predomine a família nuclear, temos entre alguns povos indígenas a organização de família extensa, com o grupo de parentes ocupando um mesmo espaço, como é o caso dos Yanomami.

Mudanças nas relações sociais têm dado lugar a novos arranjos familiares, no interior da família nuclear. A crescente participação das mulheres no mercado de trabalho, por exemplo, tem favorecido a formação de famílias com apenas um cuidador/responsável, no caso, a mãe das crianças.

Os legisladores têm procurado acompanhar essas mudanças, incorporando outros conceitos de família. Atualmente, trata-se de compreender a família como um grupo social calcado no afeto e que se destina a assegurar o desenvolvimento pessoal de seus membros, independentemente da existência de laços de consanguinidade.

Raymond Williams remete a ideia de família para uma “…experiência de pessoas que vivem juntas em uma casa, em estreitas relações mútuas, e habituadas ao modo de ser umas das outras”. Observe que essa ideia de família não remete a laços de sangue, nem a questões de gênero.

No Brasil, através da Lei nº 11.340, de 2006, tem-se uma nova regulamentação legislativa da família, juridicamente compreendida como a “comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; independentemente de orientação sexual” (art. 5º, inciso II, e parágrafo único). No dia 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que obriga todos os cartórios do país a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Por fim, é importante assegurar que os alunos se percebam pertencendo a uma família legítima, qualquer que seja o arranjo familiar em que cada um está inserido. E que compreendam e aceitem a possibilidade de existência de diferentes arranjos familiares. Trabalhando com uma visão bem abrangente de família, certamente compreenderão que todas as famílias têm história e que a diversidade só enriquece a experiência humana.

Fontes de Referência

ENSINAR e Aprender. História. Ronilde Rocha Machado. São Paulo: Cenpec; (Classes de Aceleração, Volume 2). Edição Revista e Ampliada para o Estado do Tocantins, 2010.

WILLIAMS, Raymond. Palavras-chave: um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo: Boitempo, 2007.

Gostou?

Acesse a oficina “Minha história de vida”, deste banco. 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 19 de julho de 2015 às 14h.

 

Anexos:

1. História da Família – Quadro de Gerações.

 

Nome Data de Nascimento Naturalidade Nacionalidade Profissão Fonte
Criançaadolescente
Pai
Mãe
Avô materno
Avó materna
Avô Paterno
Avó Paterna
Bisavô Materno
Bisavô Materno
Bisavó Materna
Bisavó Materna
Bisavô Paterno
Bisavô Paterno
Bisavó Paterna
Bisavó Paterna

 

 

2. História da Família – Entrevista.

  • De onde vieram os antepassados?
  • Que fatos foram marcantes nessa história e que passaram de pai para filho, nas diferentes gerações?
  • Que acontecimentos engraçados a família conta de geração para geração?
  • Como os casais se conheceram e se casaram (avós maternos e paternos; pais)?

 

 

Participe

Eu fiz assim…

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Total de 5 comentário(s)

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  •    Soraya  em 
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