Educação&Participação

Construção de uma narrativa oral memorialística e escrita da própria história de vida

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  • O que éO que é

    Construção de uma narrativa oral memorialística e escrita da própria história de vida

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de papel sulfite, lápis, internet, data show e caixa de som.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de aula ou um espaço confortável e silencioso.

  • DuraçãoDuração

    Sete aulas de 50 minutos, aproximadamente.

  • FinalidadeFinalidade

    Construir sentidos a partir da experiência dos estudantes para que eles possam refletir sobre seu passado, presente e futuro.

  • ExpectativaExpectativa

    Refletir sobre sua história e a dos colegas e desenvolver a habilidade de expressar, por escrito, lembranças de experiências e emoções vividas.

Na prática

1º encontro: Apresentação da proposta da roda de histórias e realização da 1ª roda

Sugerimos a metodologia “roda de histórias” que nasce no Instituto Museu da Pessoa e que tem por objetivo valorizar a diversidade cultural e a história de cada pessoa.

Primeiramente é feito um convite aos jovens para que narrem um episódio de sua história de sua vida. Para sensibilizar os participantes a contarem sua história, sugere-se apresentar histórias de outras pessoas que já participaram dessa metodologia. Os jovens podem indagar:

Que história contar? Para quem? É a minha história? Qual delas? Pode ser de outra pessoa? Pode ser sobre onde estudo ou trabalho? Quais são, afinal, as histórias serem contadas? O importante é que estamos falando de histórias pessoais. Mas quais?

Qualquer tema tem relevância, desde que tenha um significado importante para a pessoa naquele momento. Todas as histórias trazem conteúdos profundos sobre cada um de nós, desde que tenham emoção e sentido para nós e para nossos ouvintes.

Ressaltamos uma pergunta que o professor pode fazer aos estudantes: “O que você quer contar agora e por que é importante para você contar essa história neste momento?”

As histórias pessoais podem ser de vários tipos:

1 – Sobre sua vida: um aspecto de sua vida que tenha lhe caracterizado, sobre sua trajetória e o que você acha importante nela.

2 – Sobre alguém: as histórias podem ser sobre alguém que amamos ou admiramos, sobre alguém que perdemos ou conhecemos, sobre alguém que é muito importante em nossa história.

3 – Sobre um evento: uma aventura, uma conquista, um momento especial em nossa vida.

4 – Sobre um lugar: sobre o sentido que esse lugar tem para você, porque ele é importante, em que ele mudou.

5 – Sobre seu trabalho, estudo ou esporte predileto.

6 – Sobre amor, sobre uma descoberta importante ou, ainda, sobre um momento pessoal.

Antes de iniciar a roda, o professor deve pedir que os jovens desliguem os celulares e explicar que a atividade não pode ser interrompida. Portanto, assim que a roda começar, ela só se encerra depois que todos tiverem contado sua história. A ideia é que os estudantes possam viver um ritual, como os círculos que nossos ancestrais faziam ao redor do fogo para ouvir histórias e compartilhar conhecimento e sabedoria. Essa roda será assim. Cada um ouvirá com muito respeito a história do outro e também será ouvido com muito carinho.

Para começar, sugerimos uma roda de até 12 histórias. Logo, se sua classe tem mais alunos divida-os ao longo de três dias, por exemplo. As histórias são densas e podem se alongar; não queremos cansar os jovens e sim deixá-los interessados pela história do colega. Mas é importante que todos os estudantes escutem todas as histórias.

Dicas para o professor conduzir as atividades com os jovens:

>> Quem for começar pode dizer, por exemplo: “Meu nome é Maria e vou contar minha história”. Ao terminar, completa “Sou Maria e contei minha história.” Essa é uma forma de sabermos que a pessoa acabou sua história, já que temos pausas e silêncios durante nossa narrativa. E se for uma atividade promovida no início do ano, é um jeito da turma se conhecer;

>> Deixe-se levar por sua memória. Muitas vezes, basta puxar um pequeno fio que o restante da história vem junto;

>> Lembre-se que cada um tem seu jeito de contar uma história. Valorize a espontaneidade e fluência da sua narrativa;

>> Contar uma história é, acima de tudo, narrar acontecimentos, apresentar personagens, descrever cenas, épocas e locais. Evite, portanto, meras opiniões ou análises;

>> Valorize os detalhes da sua memória, pois dão mais vida e originalidade ao seu depoimento;

>> Cenas do cotidiano, como brincadeiras de infância ou rotina de trabalho, são tão valiosas quanto as lembranças de dias especiais, como aniversário ou uma viagem;

>> Lembre-se que você está contando sua história para outra pessoa, que não conhece os nomes, lugares e fatos dos quais você está falando. Situe o que você considere importante;

> Você não precisa se lembrar com precisão de todos os nomes ou datas.

Antes dos jovens iniciarem a roda, o professor deve apresentar histórias de outros jovens que já contaram sua história. Seguem alguns exemplos:

Abaixo estão os links de histórias:

  1. Livro Educadores – 2017
  2. Livro Educadores – 2014

Pronto, todos estarão estimulados e preparados para começar. Deve-se combinar que até 12 jovens contarão sua história e o restante nos próximos dias.


encontro: Continuação da roda de histórias – 2ª roda

Nesse segundo encontro, mais 12 alunos contam sua história.


encontro: Continuação da roda de histórias – 3ª roda

Nesse terceiro encontro, mais 12 alunos contam sua história. Ao fim de três encontros, todos os alunos terão contado sua história.


encontro: Escrita das histórias

O professor pede aos jovens que registrem sua história em uma narrativa escrita.


encontro: Leitura das histórias

Entre o 4º e 5º encontro, o professor revisa o texto dos alunos para corrigir os pontos principais. Não é necessária, nesse momento, uma revisão exaustiva do texto.

Os alunos, novamente, em roda lerão seus textos para toda a classe.


encontro: Leitura das histórias e reflexão sobre as narrativas

Continuação da leitura dos textos.

Ao fim da leitura, o professor deve conversar sobre os temas contidos e pensar com o grupo o que fazer com essas histórias. Como podemos pensar em nosso currículo escolar e relacioná-lo às histórias contadas?

Se na história de algum jovem aparecer algum elemento que marque também a história de seu bairro, de sua origem, essas referências podem inspirar associações nas aulas de geografia e história.

Há também uma relação direta entre a atividade e as questões de letramento. Um vasto campo se abre para que o professor desenvolva associações entre sua disciplina e a roda de histórias; por exemplo, entre o discurso oral e sua representação na narrativa escrita.


encontro: O que fazer com as histórias?

O professor pode, juntamente, com os alunos decidir fazer um livro com as histórias dos alunos e fazer uma sessão de autógrafos na própria escola, convidando pais e a comunidade.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

As histórias ouvidas podem disparar nos jovens o desejo de investigar um tema ou um assunto do interesse neles. São muitas as possibilidades trazidas pelas histórias. Cabe ao professor estar atento e estimular os jovens a perceber o que está contido nas narrativas.

Fontes de Referência

Gostou?

Acesse a oficina “Minha história de vida” e “História da minha família”, deste banco. 


Anexos:

  1. História Toninho Crespo
  2. História Esther Proença
  3. História de Lourdes Alves
  4. Livro Educadores – 2017
  5. Livro Educadores – 2014

Obs: Os links informados na oficina foram visitados no dia 05 de janeiro de 2018 às 10:40.