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Leitura e discussão de relatos de trajetória de vida de quatro mulheres pertencentes a grupos minoritários da sociedade.

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  • O que éO que é

    Leitura e discussão de relatos de trajetória de vida de quatro mulheres pertencentes a grupos minoritários da sociedade.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens

  • MateriaisMateriais

    folhas de sulfite, lápis coloridos ou pincéis, folhas de papel pardo para confeccionar cartazes, computadores com acesso à internet, música suave e aparelho de som.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de informática.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de 1h30(uma hora e trinta minutos)

  • FinalidadeFinalidade

    Dar visibilidade às histórias de pessoas que pertencem às minorias mais discriminadas no país, lutando contra o preconceito e a violência simbólica.

  • ExpectativaExpectativa

    Buscar compreender as atitudes do outro antes de julgar; aprender com as experiências das outras pessoas; desenvolver atitudes de respeito, solidariedade e aprendizagem com as diferenças.

Na prática

Receba a turma com uma música suave;

Assim que formarem a roda do dia, peça que ouçam a música suave que está tocando. Proponha que façam um exercício de imaginação, relacionado a seu futuro;

Oriente que fechem os olhos e imaginem como estarão no ano de 2026… Proponha as comandas abaixo, deixando um espaço entre elas para que possam ter tempo de imaginar…

 

– Quantos anos terá nesse ano?

– O que verá ao se olhar no espelho, como vai estar seu corpo?

– Estará trabalhando em que e com o quê?

– Estará morando com quem?

– Quem serão seus amigos?

– E a vida amorosa, como estará?

Ao final, peça que, aos poucos, abram os olhos. Sem que digam nada a respeito, ofereça papel e lápis coloridos ou pincéis e peça que cada um represente o que pensou utilizando um desenho.

Após alguns minutos, ainda sem nada falarem, peça que reflitam sobre qual seria o caminho que pensam ter que ser trilhado para conquistar essa condição e escrevam ao lado do desenho, com o título: PERCURSO.

Depois, questione quais dificuldades imaginam que teriam de enfrentar, no PERCURSO. Oriente para que também nomeiem essas dificuldades, escrevendo DIFICULDADES, ao lado do PERCURSO.

Depois de algum tempo, abra a roda para comentários, para quem desejar fazê-lo. O participante que o fizer, mostrará o seu desenho ao grupo e falará sobre o PERCURSO a ser feito e as dificuldades imaginadas. Depois que todos que quiserem falar expressarem-se, peça que guardem as folhas.

Diga à turma que esta oficina tratará a história de seis mulheres diferentes, cujas histórias fogem ao comum. Algumas delas tiveram experiências de vida muito difíceis, tendo de lutar contra muitos preconceitos para conquistarem o que sonhavam para sua vida.

Nesta oficina, eles vão conhecer a trajetória que essas mulheres fizeram até chegarem onde estão. As histórias referem-se à vida de uma mulher indígena, de uma negra, de uma ex-viciada em crack, de uma transsexual, de uma portadora de microcefalia e de uma mãe adotiva de excepcionais. Os relatos foram publicados no site da UOL, por ocasião do Dia da Mulher, em 8 de março de 2016.

Divida a turma em grupos de três ou quatro para lerem os relatos. Se possível, monte grupos só de meninas e só de meninos para que identifiquem as semelhanças e diferenças entre o que pensam sobre os relatos apresentados. Os diferentes olhares e comentários que surgirem sobre as histórias serão objeto de discussão entre eles, ao final da atividade, sob sua mediação.

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E se?

Se há apenas seis relatos para a turma e você tiver mais que 18 participantes, repita o mesmo relato para vários grupos. Será interessante analisar a mesma experiência, sob diferentes pontos de vista.

Para orientar a leitura e a discussão dos grupos, proponha o seguinte roteiro para análise e registro:

1- Nome da protagonista da história;

2- Dificuldades/preconceitos que teve de superar;

3- O que elas dizem a respeito de suas experiências: valeu a pena?

Como fizeram para superar as dificuldades/preconceitos?

4- Quais aprendizagens suas experiências nos oferecem?

Dê, aproximadamente, 45 minutos para o trabalho dos trios e abra para socializarem suas produções com o coletivo.

Cada grupo fará sua exposição e você fará o registro delas em um cartaz específico como o de baixo.

 

 

 Protagonistas Dificuldades                                        Preconceitos O que fizeram? Aprendizagens

que podemos tirar das experiências

1.  

 

2.  

 

3.  

 

4.  

 

5.  

 

6.  

 

E se?

Se mais de um grupo leu e discutiu o mesmo relato, deverá expor um em seguida do outro, para fazer complementações e ou apresentar interpretações diferentes das apresentadas pelo grupo anterior.

Após a apresentação e discussão de todos os relatos, convide-os a lerem os cartazes em que registraram as dificuldades que cada caso oferece.

Peça que retomem as suas folhas e que cada um leia, para si, as dificuldades que relacionaram para o seu percurso no projeto de sua vida.

                                                                 O que acham?

É possível superá-las? Abra para quem quiser comentar.

Finalize, lendo com eles as aprendizagens que podemos tirar das experiências.

A seguir, proponha que os trios que leram o mesmo relato se agrupem.

Oriente que cada grupo escolha um dos relatos que não foi o seu, para simular uma entrevista fictícia com a protagonista desse relato, elaborando perguntas que gostariam de fazer a ela e respondendo como acham que elas, com o que viveram, responderiam. Depois de 20 minutos, a entrevista será dramatizada para os demais grupos.

Após a apresentação de cada grupo, abra para comentários do coletivo:

o que sentiram?

Acham que as respostas estão compatíveis com os perfis das protagonistas?

 Haveria outras perguntas que fariam?

Quais?

Pergunte também aos participantes como foi a sensação de encarnar a personagem do relato, sendo entrevistada, e como cada entrevistador se percebeu na situação:

foi difícil fazer as perguntas?

Para ampliar

Hora de Avaliar:

Faça uma rodada em que cada um fale sobre quais das ideias, que circularam na oficina, foram, para si, as mais significativas.

O que mais poderá ser feito?

Uma entrevista, de verdade, com mulheres da comunidade, que também contrariam às estatísticas.

Podem também convidar algumas ativistas de movimentos de mulheres para conhecerem as formas de engajamento possíveis, na luta pela melhoria da condição de vida das mulheres.

Fontes de Referência

Mulheres e Movimento:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300008

 

Brasileiras lutam pela igualdade de direitos – Portal Brasil:

http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2012/02/brasileiras-lutam-pela-igualdade-de-direitos

Para saber mais

O movimento feminista brasileiro conquistou, nas últimas décadas, a ampliação dos direitos da mulher. Um importante marco foi a apresentação da Carta das Mulheres Brasileiras aos Constituintes de 1988, que indicava as demandas do movimento feminista e de mulheres.

A Carta Magna de 1988 incorporou no Artigo 5°: “Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”.

No Artigo 226, Parágrafo 5°: “Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos pelo homem e pela mulher”.

 E no Parágrafo 7º:  Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

O movimento feminista destaca-se, ainda, pelas decisivas contribuições no processo de democratização do Estado Brasileiro, produzindo, inclusive, inovações importantes no campo das políticas públicas. Um exemplo é a criação dos Conselhos da Condição Feminina – órgãos voltados para o desenho de políticas públicas de promoção da igualdade de gênero e combate à discriminação contra as mulheres.

Além disso, tem conquistado espaço na luta contra as desigualdades salariais entre homens e mulheres que ocupam as mesmas funções no mercado de trabalho, assim como no acesso ao poder político, com a aprovação de uma cota de 20% das legendas dos partidos para as candidatas mulheres.

Entre outras ações, as mulheres lutaram pela anistia aos presos políticos da ditadura militar, assim como por creches (necessidade precípua das mulheres de classes populares) e pela descriminalização do aborto que penaliza as mulheres de baixa renda.

No entanto, esses avanços não alcançaram indistintamente todas as mulheres. Isso porque o movimento feminista esteve, como outros movimentos, por longo tempo, prisioneiro da visão eurocêntrica das mulheres.

A consequência disso foi a incapacidade de reconhecer as diferenças e desigualdades presentes no universo feminino brasileiro, por outras razões, como a origem étnico-racial; a presença de deficiência e a identidade de gênero. São todas questões ligadas a lutas de outros grupos sociais, que estiveram e estão ainda longe de terem seus direitos garantidos.

Dessa forma, as vozes silenciadas e os corpos estigmatizados de mulheres vítimas de outras formas de opressão, além do sexismo (atitude de discriminação fundamentada no sexo), continuaram no silêncio e na invisibilidade. É o caso das mulheres negras, indígenas, deficientes e dos trangêneros, que ainda são vítimas de muita discriminação e preconceito e pouco acesso têm aos direitos e aos bens culturais produzidos pela sociedade.

Essas outras dimensões da problemática da mulher na sociedade brasileira, que é o silêncio sobre outras formas de opressão, que não somente o sexismo, vêm exigindo a ampliação e a reelaboração das lutas e das práticas políticas de todos os movimentos sociais.

Gostou?

Acesse também a oficina “Tapinha ’de amor‘ dói sim”, deste banco.

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Total de 1 comentário(s)

  •    Aldelino Nunes  em 
         Educação&Participação respondeu em