Educação&Participação

Reflexão sobre as escolhas de vida.

Início

  • O que éO que é

    Reflexão sobre as escolhas de vida.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    CD com música, almofadas, depoimentos (anexos) de dois jovens, impressos ou projetados em data show.

  • EspaçoEspaço

    Em um espaço privativo, tranquilo.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de aproximadamente 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Tomar consciência de que fazemos constantemente escolhas na vida, podendo mudar algumas situações que a realidade nos impõe.

  • ExpectativaExpectativa

    Planejar projetos e ações para a própria vida a curto, médio e longo prazo.

Na prática

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Como desenvolver?

Prepare a sala com almofadas pelos cantos, panos forrando o chão e receba os adolescentes e jovens com uma música suave.

Diga-lhes que irão fazer uma atividade de reflexão sobre a sua vida.

Convide-os a se espreguiçarem e relaxarem, sentando-se ou deitando-se no espaço disponível. Chame a atenção deles para a própria respiração, que deve ser longa e pausada. Deixe-os relaxar um pouco e provoque algumas recordações sobre suas vidas:

“Cada um de vocês tente se lembrar de quando era criança. De que gostava de brincar? Com quem brincava? Alguém contava histórias para você? Quem o(a) ajudava nas lições de casa? Com quem você conversava e sobre o quê? Seus pais trabalhavam? Onde? Você pensava em como seria quando crescesse? Como se imaginava grande? Pensava em ter que profissão quando crescesse? Imaginava o que precisaria fazer para chegar a ter essa profissão? “

Faça uma pausa para que possam “digerir” tais recordações. Estimule-os novamente a respirar pausadamente e recomece:

“O tempo passou e você cresceu. Quais são seus sonhos hoje, pensando no futuro? Ainda deseja a mesmas coisas para a sua vida? Alguma coisa mudou? E quanto à profissão que desejava para si, quando criança, continua sendo a mesma ou você mudou de preferência? Se mudou, o que quer agora?  Tem conhecimento dos passos que precisa dar para exercer essa profissão? Quais são esses passos? Preste bem atenção neles para não se esquecer.”

Dê mais um tempo para pensarem e chame-os de volta à sala, devagar.

Convide-os a formarem duplas para uma entrevista mútua. Cada um perguntará ao outro sobre:

 os sonhos que tinha para seu futuro, quando era criança;

– os sonhos que tem para si, agora;

– que diferenças existem entre esses sonhos (se existirem);

– o que é necessário fazer para realizar o sonho atual?

– Isso vai ser fácil ou vai ser difícil?

– O que pensa que será mais fácil e o que será mais difícil de fazer?
Após a entrevista,  dê um tempo para a dupla refletir e conversar sobre o que há de comum nos seus depoimentos.

Em seguida, abra a roda e pergunte que duplas gostariam de falar sobre a experiência, contando o produto das entrevistas individuais e da reflexão conjunta posterior. Chame a atenção para as semelhanças existentes entre os diferentes depoimentos e explicite que elas dizem respeito ao processo de se pensar um projeto de vida para si.

Ressalte também que a diferença entre o sonho e o projeto é o planejamento que fazemos para transformar esse sonho em realidade, a partir da análise da nossa condição e das possibilidades que temos à frente. Um projeto orienta nossas ações e nossas escolhas.

A seguir, distribua ou projete, no data show, dois textos sobre a vida e escolhas de dois jovens: um referente a um índio guarani, Karaí Tukumbó (Anexo 1 – Seção “Para Ampliar”) de 24 anos, nascido numa aldeia perto de Criciúma, em Santa Catarina, e o outro referente a Jackson (Anexo 2 – Seção “Para Ampliar”), um estudante do ensino médio da cidade de São Luís, capital do estado do Maranhão, de 18 anos.

Eles deverão ler e discutir, em grupo, o processo vivido por esses jovens, em suas respectivas histórias, identificando o que há de comum e o que há de diferente entre as experiências deles e o que podem aprender com elas.

Proponha que façam, primeiramente, a leitura silenciosa do texto e assinalem o que não entenderam, para, em seguida, fazer a leitura em voz alta, esclarecendo as dúvidas e solicitando, se necessário, a ajuda do educador.

Projete, então, o vídeo da banda de rock Detonautas, disponível no site Vagalume, cantando a canção Amanhã, de autoria de alguns de seus integrantes (Rodrigo Netto/ Tico Sta Cruz/ Renato Rocha). A música foi tema da novela Malhação. Ofereça folhas de papel pardo para que produzam um painel único, no qual cada um escreverá o que quiser a respeito do que pensa para seu futuro, com direito à autoria. O painel poderá ficar exposto na sala por um determinado tempo combinado, depois de revisado e reescrito, se necessário.

E se?

Se não quiserem falar, respeite. Talvez, para alguns, não seja hora de verbalizar; talvez precisem de um tempo maior para pensar um pouco mais e elaborar com mais tranquilidade seus sentimentos e ideias.

Hora de avaliar

Forme uma roda e peça que leiam, em voz alta, os projetos registrados no painel.  A que dizem respeito? O que chama a atenção?  A seguir, cada um falará sobre o que foi mais significativo para si no decorrer da atividade e apontará de que sentiu falta, assim como as eventuais dificuldades sentidas, quer seja na leitura dos textos ou na hora de se expressar para o grupo.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Os jovens poderão organizar um ciclo de mesas-redondas sobre temas que gostariam de aprofundar e de discutir com algumas pessoas mais experientes e com acúmulo na questão.

Os debates poderão ser abertos aos jovens da comunidade e, sendo assim, deverá haver uma ampla divulgação no entorno da escola/ONG, com cartazes espalhados pelas casas comerciais. Poderão ainda organizar pequenas comissões de divulgação do evento para percorrer outras instituições frequentadas pelos jovens da comunidade.

Para saber mais

 

“O projeto de vida é a ação do indivíduo de escolher um dentre os futuros
possíveis, transformando os desejos e as fantasias em objetivos a serem
perseguidos.” Juarez Dayrell, coordenador do Observatório de Juventude da UFMG).

 

Em nossa cultura ocidental é esperado que, ao final da adolescência e início da juventude, as pessoas se definam sobre quem serão e o que farão na sociedade.
Definir um projeto de vida para si é assim tarefa dessa fase do desenvolvimento, que não é fácil de ser encarada, porque implica na projeção e produção de uma vida futura, que por sua vez exige o conhecimento de si próprio e da realidade em que se está inserido.

 

Quanto mais o jovem se conhece e experimenta suas potencialidades individuais, mais facilmente conseguirá identificar suas competências e preferências para elaborar seu projeto pessoal. Da mesma forma, quanto mais conhece o funcionamento da sociedade em que vive e as possibilidades de inclusão e exclusão que ela oferece, maiores serão as suas possibilidades de elaborar e de implementar um projeto de vida real e viável.

 

A elaboração do projeto de vida é um processo contínuo, que se faz no cotidiano e com a ajuda de outros que inspirem confiança e segurança. Inicialmente, o processo é dirigido pela família e depois influenciado pela escola e pelas relações de grupo, assim como pelas próprias circunstâncias da vida.

 

As escolhas feitas são de uma forma ou de outra relacionadas à história de vida de cada um e à rede de relações sociais e afetivas na qual se está inserido.
Assim, conhecer a sua história, perceber de onde veio e qual o seu lugar no mundo, quais as relações que estabelece consigo e com os outros (família, escola, grupo de amigos) ajuda o jovem a identificar o que gostaria de reafirmar, superar ou ainda criar para o seu futuro.

 

Os projetos podem ser individuais ou coletivos; podem ser mais amplos ou restritos, desenhados para curto, médio ou longo prazo, podendo assumir contornos diferentes em função do amadurecimento do jovem ou de fatores circunstanciais.

 

No entanto, definido o projeto, ele não se realiza por magia. Uma vez feitas as escolhas, é preciso organizar e planejar as ações para realizá-las, o que exige perseverança e superação de desafios.

 

Elaborar um projeto de vida e organizar ações para implementá-lo é fruto de aprendizagem, aprende-se. Desta forma, cabe a nós, educadores e às famílias ajudar os adolescentes e os jovens nessa aprendizagem, promovendo a sua autonomia como sujeitos para que assumam conscientemente os seus projetos, com autonomia e crítica e não por mera reprodução dos valores dominantes na nossa sociedade.
ANEXO 1
O índio guarani Karaí Tukumbó, de 24 anos, tem um objetivo na vida: tornar-se o cacique de sua tribo.
É um projeto antigo, que surgiu, diz ele, quando tinha apenas 10 anos. “Na cultura do meu povo, crianças dessa idade já começam a pensar no futuro.

Eu sempre pensei em ser líder da tribo”, diz Tukumbó,que nasceu numa aldeia perto de Criciúma, em Santa Catarina.

O jovem índio de fala mansa explica que seu desejo cresceu à medida que conhecia outras aldeias e via as dificuldades enfrentadas por seu povo. “Por trás da minha decisão está a vontade de trabalhar para melhorar a situação das pessoas da minha comunidade.”

O projeto de vida de Tukumbó, cujo nome quer dizer “protetor da casa de reza”, volta-se para a sua coletividade. Ele se considera capaz de ser um agente de melhoria das condições de seu povo: “Não existe uma idade certa para ser cacique, mas sei que estou chegando perto. E tenho me preparado para isso”.

Há alguns anos, ele vem freqüentando encontros de lideranças guaranis a fim de aprender quais são as responsabilidades e deveres de um cacique.

Mas nem tudo em sua vida é reafirmação da tradição. Para companheira, ele escolheu a paulistana Maria Giovanna Guimarães, 22 anos, com quem tem um filhinho, Yamandu.

(extraído da publicação “Onda Jovem-Projeto de Vida”; Instituto Votorantim).

 

ANEXO 2

Jackson, 18 anos, mora em Caxias, interior do Maranhão. Desde pequeno tem fascinação pela comunicação e ficava imitando as pessoas da TV, com voz alta.

Quando entrou no Centro da Juventude, da Secretaria Municipal da Assistência Social de Caxias, começou a participar das oficinas de música e adorava falar no microfone.

Certo dia, um amigo que trabalhava como locutor o convidou para fazer um teste na rádio em que trabalhava. Seu potencial foi reconhecido e lá ficou. “No início, foi difícil porque falava muito rápido e muita gente não entendia. Mas, eu sempre perguntava às pessoas e aos amigos em quem confiava, o que tinha de fazer para melhorar. Acho que as pessoas têm de ter essa humildade para perguntar. Com o passar do tempo, fui melhorando.

…Fiquei lá um ano e parei por causa dos estudos, que sempre priorizei. Quando fiz o ensino médio, comecei a participar das oficinas de rádio e fui convidado para fazer teste em uma outra rádio em que estou até hoje.

… Para mim, a comunicação no rádio tem que ter informação. Já no início eu tive essa ideia de levar informação, mesmo fazendo meu programa com músicas, atendendo aos pedidos das pessoas. Como sempre gostei de assistir a jornais, eu levava essas notícias e falava na rádio.

… Agora, estou me preparando para o vestibular. Sempre priorizei os estudos.

No momento, vejo minha atuação na rádio como hobby. Mas, futuramente, eu sonho em trabalhar com a comunicação para sobreviver”.

(depoimento adaptado da publicação “Nasci e cresci com o ECA”, da Agência de Notícias da Infância Matraca/ UNICEF são Luís/ Vale).

Fontes de referência

– Serrão, Margarida e Baleeiro, Maria Clarice. Aprendendo a ser e a conviver. Fundação Odebrecht. São Paulo: Editora FTD, 1999.

– Onda Jovem – ano 1- nº 1- 2005, publicação do site do Instituto Votorantim

– Site do Mundo Jovem

 

Gostou?

Veja também:

– o artigo Juventude e projeto de vida: novas perspectivas em orientação profissional de MariaTeresa Mandelli; Dulce Helena Penna Soares; Marilu Diez Lisboa.  Arquivos Brasileiros de Psicologia- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

– o vídeo Projeto de Vida no site do Observatório Jovem da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Participe

Eu fiz assim…

Nesse espaço você pode postar suas impressões sobre o desenvolvimento das oficinas, dizendo-nos o que deu certo, o que precisou ser modificado, o que deu errado. Com isso, você nos ajuda a aperfeiçoar o banco, além de contribuir com sugestões para outros possíveis usuários.

Você pode participar de diferentes formas:

Envie um relato sobre a experiência em realizar esta oficina.
Escreva um texto relatando como foi o resultado, incluindo, se possível, imagens e vídeos, e mande para o e-mail  oficina@educacaoeparticipacao.org.br.

Nossa equipe vai analisar e seu relato pode ser publicado neste site.

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