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Tematização da atribuição de qualidades, defeitos e habilidades associadas à cor da pele, por exemplo: todo rico é bacana e branco; todo negro é bom jogador de futebol e bom dançarino.

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  • O que éO que é

    Tematização da atribuição de qualidades, defeitos e habilidades associadas à cor da pele, por exemplo: todo rico é bacana e branco; todo negro é bom jogador de futebol e bom dançarino.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    curta-metragem Narciso Rap, de Jeferson De 

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de 1h30 (uma hora e trinta minutos).

  • FinalidadeFinalidade

    Desmistificar estereótipos em relação ao branco e ao negro.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a valorizar a pessoa pelo que ela é, pelo que faz, pelo que pensa.

Na prática

Proponha uma brincadeira inicial.
Ao som de uma música, eles circularão pela sala livremente. Você fará algumas interrupções na música. A cada interrupção, cada um formará uma dupla, com o colega mais próximo, e um será o espelho do outro. Cada um fará três gestos que serão reproduzidos pelo outro e vice-versa e a música continua. Finalize a brincadeira, depois de quatro ou cinco interrupções.
Pergunte ao grupo como foi reproduzir os gestos do colega da dupla, o que foi mais fácil, o que mais agradou ou desagradou e por quê.
Anuncie que, nesta oficina, o tema também será espelho, mas de outro jeito.
Eles assistirão a um curta-metragem que conta a história de Narciso, um garoto negro da periferia, que ganha uma lâmpada de presente e descobre que ela é mágica. Então…
Bem, projete o curta para eles e, em seguida, abra um debate coletivo sobre a história do vídeo.
18 min.

Sinopse do filme (para o educador):

Narciso ganhou de seu amigo, como presente de aniversário, uma lâmpada que ele achou na rua, parecida com a lâmpada da história de Aladim.
Quando Narciso começou a esfregá-la, surgiu um gênio, que poderia lhe conceder um desejo seu: ser rico. Mas, como todo rico que Narciso vê em filmes e em novelas é branco, ele terá de ser branco.
Hum, mas ele também não queria perder os amigos, então resolveu pedir ao gênio para ser visto como branco, pelos brancos, e como negro, pelos negros. E assim se fez.
No entanto, um menino branco e rico descobre a lâmpada e também é apossado pelo mesmo desejo de Narciso: quer ter qualidades que acredita serem dos negros, mas, tal Narciso, quer continuar sendo reconhecido pelos amigos; então também quer ser visto como branco pelos brancos, mas ser visto como negro, por negros. Depois de algum tempo e conversas entre eles, descobrem que querem mesmo é voltar a ser como que eram antes.

Após a projeção, abra para o debate, faça uma provocação, perguntando a eles o que pediriam ao gênio se encontrassem a lâmpada mágica…

A seguir, proponha que discutam o tema do filme:

Qual é?

O que o cineasta quis dizer com essa história?

E se?

Se tiverem dificuldade em abstrair o tema central do curta – a ideia de que ele trata de visões estereotipadas de negros e brancos – levante você essa questão para eles e ajude-os a identificarem os indícios do filme que expressam essa intenção.

É muito importante que reconheçam o quanto de preconceito encerram determinadas concepções e atitudes que grassam na sociedade, relativas a grupos dominantes, como as celebridades e a grupos oprimidos, como os negros, por exemplo. Atribuir genericamente determinadas características, tanto qualidades como defeitos, a todos os integrantes de um grupo cultural, é uma forma de estereotipá-los e, dependendo do que lhes é atribuído, valorizá-los (se qualidades) ou desqualificá-los (se defeitos), colocando-os, nesse caso, à margem da sociedade.

O filme demonstra como é importante reconhecer que as características individuais de caráter, atitudes e comportamentos independem de cor, de raça ou de etnia, sendo próprias da condição humana, e o quanto podemos nos humanizar e tornarmo-nos melhores seres humanos, com esse reconhecimento.

A seguir, forme duplas e distribua o texto de um depoimento do autor do filme sobre sua vida para que leiam e comentem: primeiro, nas duplas e, depois, no coletivo.

(…) “Eu sou filho de uma costureira e de um torneiro mecânico. Estudei em escola pública a minha vida inteira e consegui entrar na USP (Universidade de São Paulo). Quando comecei a cursar a faculdade, meu pai faleceu, vítima de alcoolismo.

A única coisa que mudou minha vida foi a escola, apesar de eu não ter gostado tanto de tê-la frequentado.

A minha história é a história de muita gente. A minha mãe foi entender agora o que é cinema, quando me viu, pela televisão, ganhando o troféu em Gramado. Entretanto, eu queria ser jogador de futebol ou músico, quando era pequeno.

(…) Eu mesmo duvidava de minha capacidade, eu não sabia que eu conseguia ficar tanto tempo filmando o mesmo filme, sem dormir, praticamente, e envolvido com uma equipe de cerca de 200 pessoas, tendo o cuidado de orientá-los a construir, coletivamente, o filme que eu havia pensado quando escrevi o roteiro.

Eu faço o que gosto e ainda recebo para isso; mesmo trabalhando 14 horas por dia, me dedico de corpo e alma ao cinema, que é um mundo cheio de sensibilidade, de amor, mas que tem seus momentos ‘pé-no-chão’, como a busca de patrocínio para rodar o filme, por exemplo. Bróder, que teve uma produção da Glaz/Barraco Forte, custou três milhões e duzentos mil reais e contou com diversas parcerias, como: Petrobrás, Morena Rosa, Oi Futuro (para finalização do filme), Trama, Sabesp, Globo Filmes e Columbia Pictures. No final das contas, foi uma conquista”.

Após 15 minutos, aproximadamente, abra a roda para comentários e peça para fazerem relações entre as discussões sobre o curta-metragem e o depoimento do cineasta. Problematize com eles: a origem e o percurso de vida de Jeferson De e a importância da escola em sua vida.

Será que a escola pode ajudar a melhorar a vida deles também?

Para ampliar

Hora de avaliar:

Para avaliar, as duplas da leitura escolherão uma imagem que represente o que acharam da oficina, esculpindo essa imagem com seus corpos.

Dê a comanda “congele” para uma dupla e peça que as demais comentem a imagem produzida. Confronte com o que a própria dupla quis representar. Faça isso com todas as outras duplas, uma a uma. Peça que comentem, ao final, se o tema central da oficina, o preconceito racial apareceu nas representações. Como?

Peça que comentem também como sentiram a participação de cada um nas duplas.

Houve alguma polarização?

Alguém não conseguiu dar a sua contribuição na dupla?

Como chegaram a um acordo?

 

O que mais poderá ser feito?

Um ciclo de filmes que aborde a questão do preconceito racial, organizado pelos jovens e aberto à comunidade. Podem também realizar uma pesquisa sobre cineastas negros no Brasil e artistas negros reconhecidos nacionalmente. Além disso, realizar uma pesquisa na internet, para investigar como o sistema de cotas tem oportunizado o acesso de negros à universidade, mudando um pouco o cenário da situação da população negra em nosso país.

Fontes de referência

Entrevista de Jeferson De ao Portal G1.

Entrevista de Jeferson De ao Raça Brasil.

Para saber mais

Jeferson De nasceu em Taubaté, em 1969, no interior do estado de São Paulo, filho de uma costureira e de um torneiro mecânico.

Estudou a vida inteira em escola pública. Contrariando as estatísticas, tornou-se cineasta, formado pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo. É militante da causa negra no cinema.

Jeferson tem se destacado no cenário da produção cinematográfica brasileira, fazendo parceria com prestigiados  diretores cinematográficos, como Cacá Diegues, que dirigiu O maior amor do mundo, Deus é brasileiro e Orfeu e o cineasta  Daniel Filho, diretor de Se eu fosse você (1 e 2) e Primo Basílio.

O primeiro longa-metragem de Jeferson foi Bróder, que marca sua estreia no circuito nacional de cinema. O filme ganhou vários prêmios – cinco Kikitos, no Festival de Cinema de Gramado (2010) e quatro prêmios em Paulínia. Bróder foi selecionado para representar o Brasil no Festival de Berlim de 2010. Entrou em cartaz em abril de 2011.

Gostou?

Acesse também a oficina “Cor e preconceito no Brasil”, deste banco.

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Total de 1 comentário(s)

  •    Rosemary Maciell  em 
         Educação&Participação respondeu em