Educação&Participação

Brincadeira criativa que estimula a compreensão das regras de convivência social e a percepção de que elas não são imutáveis.

Início

  • O que éO que é

    brincadeira que estimula a convivência pacífica e solidária com o outro.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Lápis; papel.

  • EspaçoEspaço

    Qualquer espaço livre.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de aproximadamente 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender que as regras de convivência e as leis existem para regular a vida social e são produto da ação humana.

  • ExpectativaExpectativa

    Perceber que as regras não são imutáveis e podem ser alteradas, dependendo do contexto; aprender a pactuar com o outro, tendo em vista o bem comum.

Na prática

ilha_deserta

Como desenvolver?
Sentados no chão, em círculo, comece conversando com os adolescentes sobre os grupos de convivência dos quais participam: família, escola, vizinhos, time de futebol, igreja e outros. Peça que contem como é essa convivência: pacífica, conflituosa, prazerosa, desagradável…

Fique atento e registre todas as pistas fornecidas por eles, para que possa retomá-las, problematizando-as, no decorrer da atividade. Nesse momento, não se preocupe em questionar ou aprofundar as ideias deles; apenas incentive-os a falar, ouça-os com atenção e interfira somente para esclarecer pontos confusos.

Em seguida, proponha a brincadeira “Numa ilha deserta”.

Diga que é uma brincadeira bem interessante, da qual certamente gostarão muito. Você lerá uma história, e eles deverão prestar muita atenção, porque serão os personagens centrais.

Estimule a turma, verifique se estão compreendendo a história, fazendo-os realmente imaginar que estão vivendo aquela situação, detalhando paisagens ou cenários de filmes, como A lagoa azul.

A história: “Numa ilha deserta” 

Imagine que você está com um grupo de garotos e garotas, viajando de navio, em um cruzeiro de férias. São poucos os adultos a bordo e tudo parece transcorrer na maior normalidade possível.

De repente, como no filme Titanic, o navio começa a naufragar: balança sem parar, a água inunda os compartimentos e as tentativas de salvá-lo são mal sucedidas. Nada resta a fazer…

As pessoas procuram desesperadamente os botes salva-vidas. Um grupo de 10 meninos e meninas, incluindo você, consegue acomodar-se em um deles – e salva-se.

O bote fica à deriva por um bom tempo, mas desemboca numa ilha deserta. Ufa! Após horas de medo e fome, sem saber o que os aguardava, chegam à terra firme!

É uma ilha deserta, igual àquela do filme A lagoa azul, em que duas crianças crescem sozinhas, sem a presença de nenhum adulto. Ninguém sabe o que pode acontecer, e a probabilidade de vocês serem encontrados rapidamente é quase nula.

Vocês se sentam à beira da praia e ficam algum tempo em silêncio, aliviados por estarem em terra firme, mas com muito medo do que vem pela frente…

É aí que tudo começa: cada um tentará a sobrevivência por si ou tentarão sobreviver juntos? Como organizar um modo de viver juntos? Como organizar uma sociedade em que todos sobrevivam?

Bem, talvez alguns saibam caçar, outros cozinhar; enfim, cada um deve ter algumas habilidades que os outros não têm…

Dê um tempo para comentarem a história. Depois, proponha que se organizem em grupos, por sorteio, e desafie-os a pensar em como sobreviver nesse cenário adverso. Deixe-os à vontade para sentir o desafio e discutir a situação. Observe atentamente as discussões, decisões e ações dos membros dos grupos e interfira, sempre que necessário, problematizando-as, tendo em vista as sete aprendizagens básicas para a convivência, propostas por Bernardo Toro.

Coloque alguns desafios, com um pequeno intervalo entre eles, como os indicados abaixo. Eles poderão fazer anotações no bloco para não esquecer. Intervenha com perguntas, se for necessário, para que pensem melhor em seus encaminhamentos.

E se?

Se ficarem um pouco perdidos, sem saber por onde começar, ajude-os com perguntas, como:

 Qual seria a primeira coisa que você diria ao grupo?

 Como dividiriam as tarefas?

 Quem caça? Quem cozinha?

 Como vão se abrigar e se proteger do frio, da chuva e do ataque dos animais?

 No caso de alguém ficar doente, o que fazer?

 Todas as pessoas devem trabalhar? Como seria a divisão do trabalho?

 O que fariam com o lixo produzido ao longo do período em que vivessem na ilha?

Incentive-os a explorar o espaço.  Eles podem sair, olhar, pensar por um tempo e retornar ao local onde o grupo está “acampado”. Poderão também fazer assembleias para tomar decisões etc.

Incentive-os também a imaginar que vão viver nesse lugar. Talvez para sempre. Então, é preciso refletir e agir com uma visão de futuro. Não vale só pensar em sair da ilha. Evite dar soluções e estimule-os a criar condições de convivência.

O tempo passa. ..Lá no horizonte, delineia-se uma silhueta… Será um barco, um navio? Está se aproximando. É, é sim, é um navio! Os tripulantes viram vocês na ilha e vêm salvá-los… Vocês estão salvos!
Hora de avaliar
Agora que todos estão salvos, forme uma roda e convide-os a refletir sobre as experiências vividas na brincadeira. Quais delas eles diriam que foram as mais importantes para a convivência em grupo e em sociedade? Por quê? Quais dificultaram a boa convivência? Por quê? Como se organizaram para sobreviver? Escolheram um líder? Criaram regras? Quais? Na situação imaginada, o que aconteceu quando alguém descumpriu um pacto? Quais foram as consequências?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?
Proponha que organizem um grande painel coletivo, deixando mensagens de boa convivência, com base nas situações pelas quais passaram na ilha. Pode ser na forma de desenho, de poema, de prosa. O painel poderá ser afixado numa parede da instituição.Os adolescentes poderão também inventar um jogo de tabuleiro ou de cartas, em que se ganha ponto cada vez que houver uma ação colaborativa. Se houver interesse, poderão solicitar a presença de um professor do Ensino Médio, de Filosofia, Sociologia ou História, para falar um pouco sobre os pactos de convivência social e a importância do Estado como representante do interesse coletivo e da lei sobre os interesses individuais e de pequenos grupos.

Para saber mais
A convivência é uma condição absolutamente fundamental para o ser humano, tanto nas relações pessoais cotidianas, como nas relações entre grupos, classes sociais e partidos políticos. A consideração do interesse do outro – indivíduo ou grupo – tem um contraponto na garantia de que as minhas ideias e os meus pensamentos também devem ser levados em conta.Valorizar a convivência não significa mascarar as contradições de uma sociedade cada vez mais competitiva e excludente, nem anular-se pessoalmente. Tanto no plano social como no individual, existem conflitos, contradições e lutas.

Não se trata de abafar os conflitos. Muito pelo contrário: as transformações pessoais, sociais, políticas e econômicas são resultado de muitas lutas em que entram em jogo interesses individuais e de diversos setores da sociedade. No entanto, na maioria das vezes, é só por meio de negociações e acordos que se tornam possíveis algumas mudanças.

A partir de que momento, na história da humanidade, os homens passaram a estabelecer regras de convivência? Por que surgiram as primeiras regras e leis que regulam a vida societária?

Essas perguntas nos fazem pensar sobre a vida em sociedade e têm sido objeto de reflexão por parte de pensadores, em diversas épocas.

Para o filósofo inglês Thomas Hobbes (século XVII), os homens são “tão iguais” que, apesar de algumas diferenças, como a maior força física de uns ou a habilidade maior de outros, para determinadas ações, nenhum homem pode, de modo algum, triunfar sobre o outro.

Segundo ele, os homens viviam sem poder e sem organização, que surgiram somente depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras de convívio social e de subordinação política, sem as quais haveria uma guerra generalizada. O Estado, tal qual conhecemos hoje, seria resultado desse primeiro acordo entre os homens.

Para John Locke, outro filósofo inglês do século XVII, esse pacto de consentimento, em que as pessoas concordam livremente em formar a sociedade civil, teria por objetivo preservar o direito à vida, à liberdade e à propriedade que, sob o amparo da lei, estariam mais protegidos.

Existem várias outras teorias que explicam o surgimento das regras sociais, das próprias leis e do Estado. Muitos estudiosos, pertencentes a diversas correntes de pensamento, a diferentes momentos históricos e a variadas disciplinas, como Filosofia, Antropologia, História e Sociologia, têm se debruçado sobre essa questão.

Fonte de referência
ISAAC, Alexandre; MACHADO, Ronilde Rocha. Justiça e cidadania. São Paulo: Cenpec; Febem; SEE, 2002. (Educação e Cidadania, 3).

Gostou?

Acesse também a oficina “Narciso e o espelho”, deste banco.

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 15 de maio de 2015, às 17h30 min.

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