Instituto Estre

Atividade de educação ambiental.

Início

  • O que éO que é

    Atividade de educação ambiental.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    1ª Etapa: - Papel para cartazes (como Kraft ou cartolina); lápis; canetas e outros materiais para produção gráfica; recortes de revistas e jornais; pedaços de tecido; cola; fita adesiva etc.)
    - Material para pesquisa: - Livros
    - Revistas e computadores com acesso à internet. - 2ª Etapa - O registro de perguntas e respostas feito na 1ª etapa
    - Os cartazes produzidos naquela atividade.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades.

  • DuraçãoDuração

    Quatro encontros de 50 minutos.

  • FinalidadeFinalidade

    Investigar sobre o ciclo de vida de um produto de uso cotidiano; propor atitudes em relação ao consumo e descarte baseadas nos 4 Rs.

  • ExpectativaExpectativa

    Os jovens são estimulados a adotar medidas que, ao longo da sua vida, possam vir a se tornar hábitos (conhecer o ciclo de vida dos materiais, repensara relação com o consumo, separação de resíduos, envio de materiais para reciclagem e reutilização de produtos).

Na prática

estre3

Como desenvolver?

1ª Etapa: DE QUE É FEITO MEU OBJETO PREFERIDO?

 Apresente a atividade aos participantes, dizendo que se trata de um trabalho a respeito das coisas que usamos e descartamos; e que a partir de agora eles vão pesquisar de que são feitos os objetos comuns de seu dia a dia.

 Organize-os em grupos. Peça que cada grupo identifique quais são os objetos de grande estima dos seus integrantes, algo de sua preferência, sem o qual não gostariam de ficar (um chaveiro, um livro, um tênis, um celular etc.). Depois desse levantamento, cada grupo deverá eleger apenas um desses objetos e pesquisar os materiais de que ele é feito, buscando identificar os recursos naturais que deram origem a esses materiais (petróleo, minérios, madeira, vegetais etc.).

 Programe um tempo para os integrantes realizarem a pesquisa, de maneira que você tenha dois encontros com a turma antes da apresentação dos resultados.
 No primeiro encontro, eles devem trazer o objeto que vão pesquisar. Mostre que eles podem descobrir quais são alguns dos materiais que compõem os artigos, observando seus rótulos, quando se trata de um produto comercial. Uma vez identificados os materiais que compõem aquele produto, oriente os alunos a pesquisar as matérias primas que deram origem aos materiais. Para isso, eles devem pesquisar em sites da internet, livros didáticos, enciclopédias, revistas de curiosidades científicas etc., até identificar o mais detalhadamente possível os recursos naturais que compõem os materiais daquele produto. Essa pesquisa pode ser conduzida durante o encontro ou fora dele.
 No encontro seguinte, conheça os resultados obtidos até então pelos grupos e aproveite para dar novas orientações, fazendo correções na rota de pesquisa dos grupos e instruindo a confecção dos cartazes.
 O resultado das pesquisas deverá ser apresentado em cartazes que exponham de forma atrativa as informações a respeito dos materiais que compõem o produto. Os participantes devem utilizar ilustrações, imagens de jornais e revistas, fotos e textos que organizam e apresentam as informações da maneira mais completa possível. Institua um momento de socialização dos cartazes, permitindo que eles contem como fizeram a pesquisa, suas estratégias e fontes principais.
 Depois disso, instigue-os a pensar onde, como e por quanto esse produto foi produzido. Também os convide a pensar quem esteve envolvido na produção (agricultores, mineiros etc.).  Será que eles se davam conta de que, quando compramos um produto ou serviço, envolvemos uma cadeia tão complexa de materiais, energia e pessoas? É possível pensar, em cada produto que compramos, quais são todos os processos envolvidos?
 Peça que imaginem o que acontecerá com aquele objeto no dia em que não lhes servir mais: ele será jogado fora? Para onde ele irá? O que acontecerá com os materiais que o integram? Eles se decompõem facilmente? Eles são contaminantes? Que destinação dar a ele após o uso? Qual a melhor maneira de descartar esse objeto, na opinião dos alunos? Faça um levantamento dessas e outras questões e considerações que os alunos fizerem a respeito do consumo e descarte dos artigos, registrando suas respostas, mesmo quando incompletas ou equivocadas.

2ª Etapa: OS QUATRO Rs E MEU OBJETO PREFERIDO

 Retome o registro das perguntas e respostas feitas na 1ª etapa, assim como os cartazes e peça aos participantes que formem os mesmos grupos de trabalho organizados anteriormente. Leve-os a pensar sobre as consequências do consumo e do descarte do produto que representaram, considerando o seu ciclo de vida.

 Para aprofundar essa reflexão, desenhe em papel Kraft ou cartolina o esquema que representa o ciclo de vida de uma camiseta, como este:

estre3_1

 Nesta representação, eles poderão identificar os processos e materiais necessários para que uma camiseta chegue até eles. Também deverão perceber-se como integrantes do ciclo, na medida em que são responsáveis pela etapa do consumo e pelo descarte (ou seja, promovendo reutilização, reciclagem ou descarte final).
 Depois disso, proponha que os grupos completem a ilustração ou esquema dos seus cartazes à luz das propostas expressas nos 4 R’s (repensar, reduzir, reutilizar e reciclar). Em outras palavras, os grupos deverão inserir novos desenhos, textos e flechas para que o consumo e o descarte daquele produto sejam feitos de maneira responsável, gerando o menor impacto possível.

Hora de avaliar

Promova a discussão coletiva das propostas apresentadas para cada objeto. Pergunte se depois de terem feito essas atividades eles se dão conta dos impactos relacionados à demanda por produtos no mundo atual. E o mais importante, estimule-os para que eles próprios adotem as proposições ali contidas para consumir e descartar com responsabilidade.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Retome as hipóteses levantadas pelos participantes quanto ao que pode ocorrer com os objetos relacionados na oficina, depois que são descartados. Convide-os a conferir suas respostas em visita a um aterro sanitário. A visita ao aterro sanitário permite que as crianças e jovens percebam a importância de pensarmos seriamente sobre o consumo, a geração de resíduos e o seu descarte. Trata-se de uma complexa obra de engenharia, que envolve esforços humanos, tecnologia e grandes áreas com a finalidade de dar destino às toneladas de resíduos descartados diariamente por nós. O aterro nos mostra que estamos produzindo muito resíduo, e, portanto, nos faz pensar sobre o que norteia nosso consumo, em quê e como descartamos.  Essa visita dá a dimensão do quão é urgente mudarmos, coletivamente, nossos valores e nossas práticas.

 

Feira de Trocas

Vocês pode também organizar uma feira de trocas. Nas feiras de trocas, os integrantes trazem gibis, livros, posters, CDs e outros objetos em dia previamente marcado, com o objetivo de trocá-los entre si. Em cada troca, o que está em jogo é o interesse que um objeto pode provocar e não seu valor pecuniário (o quanto ele vale em dinheiro no mercado). A ideia por trás da feira de trocas é dar valor ao que cada um possui e indicar que existem formas alternativas de usufruir de coisas, numa lógica inversa à da descartabilidade e da valorização do novo pelo novo. Por isso, em vez de trocar “objetos que não servem mais para nada”, trocam-se objetos “que podem servir a outra pessoa”.

Vale lembrar que, por ser uma nova forma de obter novas coisas, de se desfazer de outras e de se relacionar com as ideias de “velho” e “novo”, é possível que as crianças e jovens – e até mesmo os adultos – demorem um pouco até se apropriar inteiramente dos princípios dessa proposta. Por isso, é importante estabelecer regras claras para as trocas, como, por exemplo, indicar que cada um faça sua proposta de troca a quem trouxe o objeto que lhe interessa, enquanto esse outro participante tem o direito de aceitar ou recusar a proposta feita (isto é, as negociações podem ser bem- sucedidas ou não).

Os pais dos participantes também precisam compreender e apoiar a iniciativa. Por isso, é importante envolvê-los antes de realizar uma feira de trocas, informando-os dos princípios e objetivos da atividade. É fundamental que os pais compreendam o espírito das feiras de trocas e tenham clareza de que, eventualmente, seus filhos poderão trocar um objeto de maior valor no mercado por outro de menor valor, movidos pelo interesse e curiosidade despertados por ele.

Para saber mais

Ciclo de vida de um produto: extração, produção, distribuição, consumo e descarte
 

Todas as etapas no ciclo de vida de um produto envolvem recursos da natureza, sendo alguns deles não renováveis. Temos utilizado esses recursos seguidamente, cada vez mais, criando um fluxo que os leva em direção ao descarte como resíduos. Mas não é somente na etapa final que esses resíduos são descartados: desde a extração, em todas as etapas, há produção de resíduos.

Assim, da extração ao descarte, forma-se um fluxo de materiais e recursos numa única direção, com geração de resíduos em todas as etapas. Coisa que, na natureza, não pode se sustentar por muito tempo. A maior parte dos materiais transforma-se em resíduos e não retorna à origem do ciclo em tempo hábil para se tornar matéria-prima para novos produtos, o que pode causar exaustão de recursos. Ou seja, usamos os recursos naturais em uma velocidade muito maior do que a capacidade da natureza de transformá-los em recursos novamente.

Ao longo do seu ciclo de vida, uma simples camiseta pode representar uma enorme quantidade de recursos naturais  utilizados, enquanto muitos resíduos líquidos, gasosos e sólidos são gerados e dispensados na natureza.

 

Sabemos que, após o descarte, alguns materiais podem se decompor rapidamente, transformando-se e integrando-se novamente ao ambiente natural. Outros demoram dezenas ou centenas de anos para serem decompostos. A transformação de um tecido de algodão pode demorar muito tempo, bem mais do que o tempo de vida da própria camiseta.

Do mesmo modo que analisamos o ciclo de vida de um objeto simples que todos nós possuímos – a camiseta – podemos pensar nos recursos mobilizados em várias atividades, bens e serviços que consumimos. Alimentos, atividades de lazer, hábitos podem ser repensados pela ótica do fluxo de materiais, trabalho humano e resíduos envolvidos, desde sua origem e além do seu consumo.

Considerar o ciclo de vida dos produtos e serviços nos permite vislumbrar a existência de impactos de ordem ambiental e social que extrapolam o objeto ou serviço que consumimos. Por isso, se queremos viver e educar para uma vida sustentável, é preciso discutir o consumo de forma crítica e abrangente, considerando todas as dimensões, que perpassam esse tema.

De que é feita uma calça jeans?

Veja um exemplo de levantamento de recursos materiais que compõem um objeto muito comum: a calça jeans

 

• Uma calça jeans é feita de tecido resistente chamado denim, cuja matéria prima é o algodão.

• O algodão é um produto agrícola cultivado em cerca de 80 países, entre eles o Brasil. Para seu cultivo são usados defensivos agrícolas, fertilizantes, água e energia. Sua colheita pode ser feita de forma manual ou mecânica, que envolve combustíveis.

• Após o algodão ser cultivado e colhido, suas fibras passam por vários tratamentos para transformar-se em tecido. Nos processos de lavagem, tingimento, clareamento e amaciamento necessários para obter os tons e a consistência dos tecidos são utilizadas substâncias como água, amaciantes e alvejantes. Muitos desses produtos são feitos de minerais e de substâncias como o cloro.

• Alguns jeans possuem fibras de poliéster na sua composição. O poliéster é um tipo de plástico. Os plásticos são derivados de petróleo.

• Depois disso, a calça é confeccionada, recebendo linhas de algodão e/ou poliéster, zíper (de plástico ou de metal), botões (geralmente de metal, cromados ou niquelados) e etiqueta de couro sintético, obtido a partir de plástico (petróleo).

• Depois de pronta, a calça passa por um processo de lavagem denominado stone wash, que dá a aparência de desgaste ao tecido. Mais água, energia e substâncias alvejantes.

• Transporte: as fibras são produzidas em um lugar, os botões, linhas, zíperes e etiquetas em outros, o corte e a costura são feitos em outro (frequentemente na Ásia), a lavagem em outro, e a venda ocorre em muitos países. O transporte utiliza combustível, geralmente de fonte fóssil (petróleo, gás, carvão).

Os quatro Rs 

Os quatro Rs (reduzir, reutilizar, reciclar e repensar) são medidas importantes que devem ser tomadas em relação ao consumo e aos resíduos.
REDUZIR 

Quando reduzimos o consumo de algo, diminuímos também a quantidade de coisas que “jogamos fora” – em outras palavras, os resíduos. Assim, diminuímos a necessidade de coletar e tratar os resíduos, bem como de áreas destinadas para a construção de aterros. Além disso, quanto menos resíduos, menos uso de energia e dinheiro. Não é só: ao reduzir o consumo, reduz-se a necessidade de produzir novas mercadorias, e, consequentemente, menos recursos naturais são necessários, menos energia é consumida, menos transporte e combustível são utilizados e, portanto, menos gases são emitidos. Reduzindo todos esses processos, diminuem os resíduos gerados por cada um deles.

REUTILIZAR 

Outra maneira de mudar o consumo é incentivar a reutilização dos produtos. Recuperar aparelhos elétricos e eletrônicos e doar objetos que não são mais usados, como roupas e brinquedos, prolonga o seu tempo de vida útil. A reutilização, por um lado, evita a produção de novas mercadorias e, por outro, evita o descarte dos produtos.

RECICLAR 

A redução do consumo e a reutilização dos materiais devem ser priorizadas quando pensamos em prevenção de resíduos. Mas, quando não puderem ser realizadas, a reciclagem passa a ser a melhor alternativa para diminuir os impactos do consumo. Ela evita que materiais sejam destinados aos lixões ou aterros; além disso, devolve parte dos materiais que foram utilizados na fabricação de um produto ao ciclo de vida. Assim, reduz a necessidade de extrair recursos naturais para produzir novos objetos e, por isso, economiza os custos e a energia relativos ao processamento dessa matéria-prima. Por causa da reciclagem, menos gases de efeito estufa são emitidos.

REPENSAR

Essas medidas, se tomadas isoladamente e de maneira restrita, não terão a capacidade de semear as transformações que desejamos. Elas poderão até ter o efeito contrário: levar as pessoas a acreditar que estão atuando no máximo das suas possibilidades. Isso as fará se descomprometer com o que é essencial: lutar por uma sociedade justa, solidária, menos consumista, que não seja geradora de tantos resíduos e impactos ambientais negativos – isto é, que viva em bases mais sustentáveis.

O que são clubes de trocas?

Os clubes de trocas são lugares em que as pes­soas podem realizar trocas de produtos, serviços e conhecimen­tos. As trocas acontecem, geralmente, através de uma moeda social. Cada clube cria sua própria moeda social, que só é válida dentro de um determinado clube. A moeda social funciona como um parâmetro para mediar as trocas. Por exemplo, é possível negociar aulas de violão entre um participante do clube e outro integrante usando a moeda social. O valor recebido pelo professor de violão será utilizado somente no próprio clube, pois a moeda não circula fora dele. Dessa maneira, novas trocas são estimuladas, valorizando os vínculos entre as pessoas, seus conhecimentos, serviços e produtos.

Para o sucesso e continuidade dos clubes e as feiras de trocas, é ne­cessário e fundamental o envolvimento dos participantes de forma ética e moral, dividindo solidariamente tarefas or­ganizacionais, como divulgação, informação de datas e lo­cais dos eventos, atualizações de cadastros, articulações externas e desenvolvimento de nichos. Por isso, é interessante que os clubes de trocas possuam uma carta de princípios para nortear as atividades e participa­ção dos seus integrantes nas feiras. Também é importante haver um clima de confiança e solidariedade para o clube funcionar bem; afinal, não se trata de um mercado.

Fonte de referência

As atividades aqui descritas integram o Programa de Oficinas Pedagógicas do Instituto Estre de Responsabilidade Socioambiental. Para conhecer melhor o programa acesse o site: www.institutoestre.org.br

Gostou?
Então acesse também as oficinas de saúde e meio ambiente. Clique aqui. 

 

Participe

Eu fiz assim…

 

Nesse espaço você pode postar suas impressões sobre o desenvolvimento das oficinas, dizendo-nos o que deu certo, o que precisou ser modificado, o que deu errado. Com isso, você nos ajuda a aperfeiçoar o banco, além de contribuir com sugestões para outros possíveis usuários.
Você pode participar de diferentes formas:

Envie um relato sobre a experiência em realizar esta oficina
Escreva um texto relatando como foi o resultado, incluindo, se possível, imagens e vídeos, e mande para o e-mail  oficina@educacaoeparticipacao.org.br. Nossa equipe vai analisar e seu relato pode ser publicado neste site.