Educação&Participação

Contação de história sobre uma lenda africana.

Início

  • O que éO que é

    Contação de história sobre uma lenda africana.

  • PúblicoPúblico

    Crianças

  • MateriaisMateriais

    livro O filho do vento, de Rogério Andrade Barbosa, editora DCL—2ª edição. São Paulo, 2013; • data show com acesso à internet; • almofadas (cada um pode trazer a sua); • outros livros infantis com personagens negros; • materiais para confeccionar pipa: papel de seda de várias cores (pelo menos duas), duas varetas de bambu com 50 cm de comprimento ou do e 3 mm de espessura, cola branca, tesoura sem ponta, barbante da espessura aproximada a de uma linha de carretel nº 10.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades ou na sala de informática

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de 1h30 (uma hora e trinta minutos).

  • FinalidadeFinalidade

    Conhecer um pouco da cultura africana; aproximar-se de outras formas de viver e compreender o mundo; entrar em contato com histórias que têm personagens negros, fugindo ao modelo do branco, europeu, estereotipado.

  • ExpectativaExpectativa

    Valorizar e respeitar a cultura africana e outras culturas; aprender com elas o que nos humaniza.

Na prática

Inicie uma conversa com as crianças sobre como está o tempo nesse dia:

frio? Calor? Chuva?

Tem vento? Ventania?

Ou o ar parece parado?

Deixe que falem, comentem…

Continue:

quando venta, o que o vento faz?

Imitem o barulho do vento…

 Já presenciaram um vento forte alguma vez? Na cidade, na zona rural, na praia? Como foi?

Hum, … que tal uma história sobre vento e ventania?

Convide-os a se acomodarem nas almofadas para ouvirem você ler a história para eles. Mostre a capa, fale quem é o autor, folheie as páginas para que observem atentamente as ilustrações e leia com bastante expressão, parando em alguns momentos, para que façam alguns comentários e imaginem o que virá em seguida…

E se?

Se preferir ou não encontrar o livro, poderá projetar, em vídeo, a contação dessa história, hospedada no site do you tube – Livros Animados, com Vanessa Pascale

A história é contada em dois blocos, com um intervalo pequeno. Você pode deixar correr o vídeo (há umas cenas de crianças imitando o vento, no intervalo) ou passar de um bloco para outro, direto. Nesse caso, o primeiro bloco termina aos 9m29s do vídeo e o segundo começa aos 11 m.

Ao fim do primeiro bloco, converse com eles sobre a história contada até então: estão gostando?

 Como são os personagens?

O que acham que vai acontecer no segundo bloco?

Ao término da história, abra a roda para comentários. Pergunte se gostaram da lenda, quais os aspectos mais chamaram sua atenção e se sabem por que chamamos essa história de lenda.

Fique atenta para que todos que quiserem tenham espaço para se expressar, impedindo monopolizações. Estimule a falar aqueles que nunca o fazem e cuide para que a fala de cada um seja respeitada, sem interrupções. Esperar a vez de falar, bem como acolher a opinião alheia, são atitudes que se aprendem.

Aprender a interagir e agir em sintonia com o outro, aprendendo a concordar e discordar sem romper a convivência… (Cenpec, Parâmetros das Ações Socioeducativas, 2007).

Explique que lenda é uma narrativa que se transmite oralmente, de geração a geração, para explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular.

Pergunte se conhecem outras lendas. Enumere algumas lendas brasileiras originárias dos índios, como, por exemplo, a da Iara (mãe d’água), do boto cor de rosa, do Uirapuru, do Curupira e algumas de origem africana, como o Negrinho do Pastoreio, o Chibamba e o Quibungo (ambos assustam as crianças que desobedecem e não querem dormir cedo).

Mostre os outros livros de lenda africana que você conseguiu disponibilizar, leia os títulos e distribua para que levem para casa para ler com a família.

A seguir, retome com eles o assunto da oficina do dia: uma lenda tipicamente africana, que explica o fenômeno dos ventos e dos vendavais.

Considere que se às vezes o vento é perigoso, outras vezes ele é muito bem-vindo. Em que situações isso acontece?

Deixe que falem…

Pergunte a eles que brincadeiras conhecem que precisam de vento para acontecer. Certamente alguém fará referência a empinar pipas/papagaios/pandorgas/quadrados/arraias. Sem vento, não dá não…

Convide-os, então, a construírem pipas para brincar no pátio, ou em outro espaço, desde que o terreno seja regular e não haja fios de eletricidade e nem passem animais, carros, bicicletas ou motos. Pergunte se gostariam. Combine: quem sabe, ensinar a quem não sabe. No quadro abaixo, há orientações também.

1- Divida o papel ao meio. De uma das metades, faça um quadrado exato para o corpo da pipa. Com as sobras do papel, ou outro, faça tiras de 4 cm (largura) para as barbatanas, e cole-as.

2- Cole uma das varetas na diagonal do quadrado. Deixe três dedos de sobra na ponta da vareta que fica no meio das barbatanas. Será o lado inferior da pipa.

3- Enrole o barbante em uma das duas pontas de uma segunda vareta, envergando a vareta para que se curve até ficar com o mesmo comprimento da diagonal da pipa. Prenda na outa ponta e passe cola na vareta.

4- Grude o arco que a linha e a vareta formaram na folha de seda, do mesmo jeito que na foto acima.

5- Faça dois pequenos furos no papel no ponto onde as varetas se cruzam. Passe um barbante de modo que atravesse o papel pelo cruzamento das varetas. Depois, dê um nó na parte da frente, mas não corte o barbante…

6- Segurando o barbante, estique-o para o lado até chegar a quatro dedos de distância do fim da vareta envergada. Agora, estique para baixo até a ponta da outra vareta. Isto é só para fazer a medida, formando uma “barriga”.

7- Quando o barbante chegar à parte de baixo da vareta, amarre-o com cuidado e corte. Esse barbante preso chama-se cabresto.

8- Amarre a linha para empinar. Para descobrir o lugar certo, segure a pipa pelo cabresto. Amarre um pouco acima do meio dele.

Quando as pipas estiverem prontas, antes de saírem para o pátio, converse com eles sobre os cuidados que devem ser tomados quando quiserem brincar em casa. Se o local onde vão brincar é seguro, o terreno é regular e não há postes ou fios de eletricidade, nem trânsito. Toda vez que quiserem brincar de pipa deverão prestar bastante atenção nos seguintes pontos, orientados pelo Corpo de Bombeiros.

Para uma maior segurança da prática da brincadeira, o Corpo de Bombeiros dá algumas dicas:

  • Não solte pipas em dias de chuva, principalmente, se houver relâmpagos;
  • Evite brincar perto de antenas, fios telefônicos ou cabos elétricos. Procure locais abertos como praças e parques;
  • Não empine pipa em cima de lajes e telhados;
  • Jamais utilize linha metálica, como fio de cobre de bobinas ou cerol (mistura de cola com caco de vidro). Também não faça pipas com papel laminado. O risco de choque elétrico é grande;
  • Tente soltar pipa sem rabiola, como as arraias. Na maioria dos casos, a pipa prende no fio por causa da rabiola;
  • Se a pipa enroscar em fios, não tente tirá-la. É melhor fazer outra. Nunca use canos, vergalhões ou bambus;
  • Cuidado com ruas e lugares movimentados, principalmente quando andar para trás. Pode ter algum buraco ou pista;
  • Atenção especial com os motociclistas e ciclistas — a linha pode ser perigosa para eles. Fique atento para que a linha não entre na frente deles;
  • Recomendamos aos motociclistas: O Uso de “ANTENAS ANTILINHAS”.

Não colar cerol(mistura geralmente de cola com vidro em pó ou fios de metais) na linha para a linha ficar cortante e derrubar as demais pipas. Além de causar risco de cortes sérios, o cerol também é um condutor de energia e se a linha pega na rede elétrica, a pessoa que está empinando a pipa pode morrer eletrocutada. Com o pó metálico é ainda pior;

  • Para brincar tranquilo, sem o perigo de ferir alguém, só com barbante de algodão. Nem os fios de nylon (de pesca) são indicados, pois cortam tanto ou mais que o próprio cerol.

Em casos de emergência ligue 193. Bombeiro, o amigo certo nas horas incertas! Clique aqui para saber mais.

A seguir, saiam para o pátio para que brinquem e se divirtam com as pipas.

 

Para ampliar

O que mais poderá ser feito?

Um dia de contação de histórias africanas na comunidade, com a participação de contadores voluntários das próprias famílias; a constituição de um acervo de livros da literatura infantil, com personagens negros e de outras etnias, a partir de uma seleção de títulos, por meio de carta de solicitação a empresas e lojas comerciais do bairro.

Também pode ser feita uma articulação com os professores de História e Geografia para aprofundamento de alguns aspectos da escravidão no Brasil e da condição da população negra no país, hoje.

E, ainda, poderão ser estimulados a pesquisar outras lendas africanas em livrarias e na internet.

Fontes de Referência:

http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/07/movimento-negro-celebra-cinco-anos-de-conquistas-com-estatuto-da-igualdade-racial

http://www.seppir.gov.br/ 

http://docplayer.com.br/4359330-Historias-lendas-mitos-brasileiros-e-afro-brasileiros-na-educacao-infantil-um-caminho-literario-rumo-a-cultura-brasileira.html

http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/br/

Para saber mais

A escola, desde a educação infantil, tem, como uma de suas responsabilidades, criar condições para o desenvolvimento de atitudes de respeito à diversidade. Para isso, deve estimular cotidianamente essa atitude entre as crianças, por meio de situações de convivência e de solidariedade.

Uma das possibilidades de desenvolver o respeito às diferentes origens das crianças, é incluir, nas atividades de leitura da sala de aula, histórias vividas por representantes de variados grupos étnicos, desempenhando os mais diversos papéis.

Conhecer a cultura de diferentes povos, suas histórias atuais e de tempos antigos, ajuda as crianças a obterem diferentes respostas para as questões sobre o mundo que as cerca, sejam questões de ordem social ou natural.

Há diversas explicações sobre o mundo que nos rodeia. O papel da explicação científica é desmistificar os seus mistérios, já as lendas e mitos, que dão outro tipo de explicações, situam-se no campo da religião e da literatura, mas não são menos importantes.

A leitura de mitos tem a intenção de promover o conhecimento da produção cultural de um povo e valorizá-la. Ao estudarmos uma determinada cultura, nos aproximamos dela e, ao invés de discriminá-la, passamos a compreendê-la e respeitá-la.

O preconceito provém exatamente da falta de conhecimento e de respeito com uma dada cultura. A criança não nasce preconceituosa, ela aprende a ser preconceituosa com as atitudes dos adultos com os quais convive.

A discriminação racial e étnica é uma construção social, tem origem histórica baseada na dominação de um povo que se impõe a outro, que nega a cultura do dominado.

No Brasil, foram mais de trezentos anos de dominação do povo negro com a escravidão, do século XVI ao século XIX.

Os africanos eram considerados seres inferiores e selvagens, pelos colonizadores. Para garantir sua supremacia, os dominadores disseminavam ideias que os desqualificavam e que eram reproduzidas de geração para geração. Assim, os negros, desde essa época, vêm sofrendo o efeito da negação de sua cultura, pagando com a própria vida, muitas vezes, o preconceito irracional do branco.

É preciso considerar que o Brasil tem a maior população negra fora da África e a segunda maior do planeta, acima de outros países africanos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, 53% dos brasileiros se declararam pretos e pardos, ou seja, a maioria da população.

Os negros sempre lutaram pela sua liberdade e igualdade de direitos, desde a resistência nos quilombos, comunidades negras formadas por escravos fugitivos dos engenhos de açúcar, do Brasil colonial.  Dentre eles, destaca-se o conhecido Quilombo de Palmares, que durou cerca de 140 anos e chegou a abrigar mais de 20.000 pessoas.

A luta dos negros pela sua emancipação e igualdade com os brancos nunca parou.  A organização que conquistaram para lutar pelos seus direitos, na história do país, tem sido responsável por algumas importantes vitórias, como:

  • Criação do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra;
  • Estabelecimento, em 2003, do dia 20 de Novembro, como o Dia da Consciência Negra, (data em que em 1695 foi assassinado Zumbi, líder do Quilombo de Palmares);
  • Criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da igualdade Racial, em 2003 pelo governo federal;
  • Aprovação da Lei 10 639/2003, que deixa clara a exigência ”para o ensino fundamental e médio, do “[…] estudo da História da África e  dos  Africanos,  a  luta  dos  negros  no  Brasil,  a  cultura  negra brasileira  e  o  negro  na  formação  da  sociedade  nacional,  resgatando  a  contribuição  do  povo negro nas áreas social, econômica e política, pertinentes à História do Brasil, indicando que o assunto deve ser incluído como conteúdo das áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras;
  • Instituição do Estatuto da Igualdade Racial pela Lei nº 12.288/10;
  • Criação das cotas para ingresso no Ensino Superior, pela Lei 12.711 de 2012.,
  • Criação das cotas para negros no serviço público federal, pela Lei 12.999, de 2014.

Ao lado de outras lutas, os negros conseguiram transformar algumas condições da realidade, mas ainda há muito a fazer ainda para conquistarem, de fato, a igualdade de direitos entre negros e brancos.

 

Participe

Eu fiz assim…

Nesse espaço você pode postar suas impressões sobre o desenvolvimento das oficinas, dizendo-nos o que deu certo, o que precisou ser modificado, o que deu errado. Com isso, você nos ajuda a aperfeiçoar o banco, além de contribuir com sugestões para outros possíveis usuários.

Você pode participar de diferentes formas:

Envie um relato sobre a experiência em realizar esta oficina.

Escreva um texto relatando como foi o resultado, incluindo, se possível, imagens e vídeos, e mande para o e-mail oficina@educacaoeparticipacao.org.br.

Nossa equipe vai analisar e seu relato pode ser publicado nesta plataforma.