Educação&Participação

A relação entre o global e o local e as consequências decorrentes para a vida das pessoas.

Início

  • O que éO que é

    Reflexão sobre a presença simultânea do global e do local, no território.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    - Figuras com referência a produtos culturais brasileiros e a produtos culturais globalizados

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades e no território.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30min cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender a relação entre o global e o local e as consequências decorrentes para a vida das pessoas.

  • ExpectativaExpectativa

    Assumir postura crítica emrelação à economia globalizada e à hegemonia cultural; valorizar a cultura local e a globalização da solidariedade entre os povos do planeta.

Na prática

global

1º encontro: O que é globalização?

 

Organize 20 pequenos cartazes de cartolina (1/4 de folha) com  10 figuras de produtos globalizados como hamburguer, pizza, jeans, computador, show de rock, carro, aparelho de TV, celular, tênis, caneta esferográfica e  10 produtos típicos brasileiros como a feijoada, a moqueca de peixe, o doce de leite, as rendas, a rede de dormir, o açaí,  o chimarrão, as festas juninas, o Bumba meu boi, o Carnaval.

Misture esses cartazetes e exponha na sala de atividades, antes da turma entrar. Conforme forem chegando, oriente que passem por eles, observem-nos e pensem a razão de eles estarem lá- qual será o assunto da oficina?

Forme a roda e inicie a conversa do dia com as hipóteses levantadas por eles. Pergunte o que veem de comum e de diferente entre as figuras, como poderiam agrupá-las, o que representam aqueles produtos estrangeiros tão conhecidos nossos e presentes no nosso dia a dia.

E se?

Se tiverem dificuldades em relacionar as imagens com o tema a ser abordado, ajude-os por meio de perguntas, estimule para que falem, discutam, até que se aproximem do tema em questão -a globalização de produtos industrializados e culturais- e exponham o que entendem sobre o assunto.

Analise com eles que vivemos em um mundo marcado pela globalização, em decorrência da expansão do capitalismo industrial e financeiro e das tecnologias de comunicação, através dos tempos.

Podemos dizer que a globalização teve início no período da colonização, quando grupos europeus dominaram boa parte do mundo e impuseram seus valores e costumes aos índios.

Outro grande marco da globalização foi a revolução industrial, no século XVIII. A partir dessa época, até a década de 80 do século XX, a expansão do capitalismo se deu com a instalação de fabricas em vários lugares do mundo, constituindo as famosas multinacionais. Talvez alguns jovens tenham parentes que foram trabalhadores em multinacionais no Brasil, como a Wolkswagen, a Ford, a Nestlé, entre outras. A partir de 80, inicia-se uma nova fase do capitalismo, diferente da anterior, mais agressiva, com nova divisão internacional do trabalho, conduzida por corporações internacionais que movimentam-se, instalam-se e desinstalam-se, no território global, na busca por vantagens competitivas (onde a mão de obra é mais barata) e por novos mercados locais (onde pode vender mais).

Essas são as empresas denominadas transnacionais, que atuam em vários lugares do mundo, ao mesmo tempo, fazendo, cada uma, uma parte do produto a ser vendido. Assim, um tênis pode ser produzido em um país pobre, ou em mais de um país, por trabalhadores de mão de obra barata, para um país rico que o financia e exporta para vários outros locais do mundo. Por esta razão, podemos encontrar semelhanças de hábitos em relação à vestimenta, à alimentação e gosto musical, por exemplo, entre pessoas que habitam distintos lugares do planeta e falam línguas diferentes. O termo globalização começou a ser usado em meados da década de 1980, com essa nova fase do capitalismo.

É importante considerar que, ao mesmo tempo em que ocorriam essas mudanças no mundo industrial e financeiro, ocorriam  também grandes avanços na tecnologia das telecomunicações, do transporte e, sobretudo, da informática, o que passou a transformar rapidamente a vida humana, em razão da aceleração dos processos sociais e da instantaneidade na circulação de informações e de decisões por todo o Mundo.

Assim, hoje, com a internet, podemos nos comunicar ao vivo com outros seres humanos, que estão do outro lado do planeta, em tempo real, com baixo custo, o que anteriormente, só era possível pela voz, por meio do telefone, e com alto custo.

Para concretizar um pouco mais esse processo, convide-os a assistir um vídeo, bastante acessível, que apresenta uma visão panorâmica do processo de globalização por imagens e frases, passando pelas questões econômicas, sociais, culturais e ambientais. Esse vídeo está disponível no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=eUKH8Db2kjk Globalização  (9 min.36s).

Após a projeção, promova um debate sobre o conteúdo apresentado, sobre os impactos positivos e negativos da globalização e desafie: Com todas essas mudanças que estão acontecendo no mundo, o que acontece com o que cada povo tem de seu, de sua cultura? Será que tudo vai ficar igual? Como estará o nosso território, a nossa cidade e regiões próximas, em relação a esse processo? Vamos investigar?

Proponha que durante quinze dias, eles observem a cidade com olhos de pesquisador, a respeito do assunto, tentando identificar o que permanece de tradição no lugar em que vivem. Vários itens podem ser considerados:alimentação, roupa, música, dança, artesanato etc. Para isso, eles irão observar as ruas, as vitrines das lojas, conversar com moradores mais antigos, visitar algumas instituições como museu, igreja, biblioteca, casa da cultura, enfim, todos os locais e pessoas que puderem dar pistas sobre a as tradições e produções locais. Lembre-os de registrar suas descobertas Combinem um prazo para a continuidade da oficina.

2º encontro – Por uma outra globalização.

Neste encontro, será feito o levantamento das informações trazidas pelos adolescentes e jovens e a discussão sobre as possibilidades de convivência e de interferência mútua entre o global e o local.

Organize-os em grupos para que socializem o que trouxeram e proponha as perguntas:

  • Que produtos culturais o grupo identificou como próprios da região?
  • Quais foram as fontes pesquisadas?

Dê um tempo de aproximadamente 20 minutos para que conversem entre si e abra a roda para a socialização com o coletivo. Cada grupo lerá as suas sínteses e você irá registrando o que for comum. Após a fala de todos, faça uma síntese geral, com a ajuda deles, a partir de um balanço do que ainda é preservado da cultura local, na sua cidade. O balanço deve vir acompanhado de uma reflexão sobre a importância dessa preservação e o que pode ser feito para isso.

Para finalizar, projete outro vídeo, disponível no site Youtube, que trata agora do inverso da questão, da esperança de um mundo melhor. O vídeo trata de “uma outra globalização”,  a favor da humanidade e do planeta,  proposta pelo  grande pensador brasileiro, o geógrafo Milton Santos (1926-2001), reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho.

http://www.youtube.com/watch?v=QKk3-BuYUZU (10min)

Finda a projeção, pergunte o que entenderam e retome as principais idéias veiculadas sobre a possibilidade de se usar a globalização a favor das pessoas e dos grupos culturais, sem anulá-los. Abra um debate sobre essas perspectivas.

Hora de avaliar

Após o debate, peça que avaliem a oficina: tinham conhecimento do problema tratado? Já haviam lido, ouvido, ou visto alguma reportagem, filme ou programa de TV sobre o assunto? O que foi novidade? O que aprenderam? Que aspectos gostariam de aprofundar sobre globalização? Foi difícil acompanhar o que os vídeos mostraram?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Com a ajuda dos educadores e dos professores de Geografia e História, os jovens podem organizar um final de semana com palestras, projeção de filmes e debates, abertos à comunidade. Há vários vídeos no Youtube, que tratam do tema com o professor Milton Santos, estudioso do assunto.

Para saber mais

A  globalização é um fenômeno que teve início na época dos descobrimentos, no século XV, quando países da Europa se lançaram em busca de novas terras  para expandir seus impérios, explorando e colonizando extensa parte do planeta, inclusive com a exterminação de nativos.

No século XVIII  teve grande impulso, com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra e  disseminada para as regiões mais ricas do planeta, desencadeando um novo modo de produção, por meio das fábricas que produziam produtos manufaturados. Esse fato transformou a vida das pessoas e as relações de trabalho O capitalismo floresce a todo vapor, em busca de mercado para os seus produtos.

No decorrer do século XX, a contínua necessidade do capitalismo, de expandir seus mercados, levou as nações mais ricas a transportar suas corporações para  outros países, marcando o crescimento da ideologia econômica do liberalismo.

Com o fim da economia socialista existente em alguns países do mundo (União Soviética, Alemanha Oriental, dentre outros) que serviam como contrapeso ao capitalismo (Guerra Fria) , estabeleceu-se a hegemonia do capital, que encontrou nas inovações ocorridas nos meios de comunicação, nas décadas do final do século XX, uma base material importante para uma nova expansão. Os investimentos industriais e financeiros passaram a ser feitos a distância, em diversas partes do mundo, ao mesmo tempo, a custo baixo, o que acelerou o processo de globalização, transformando mais uma vez sua dinâmica.

Na dimensão econômica, os fluxos globais de capital, tanto industriais como financeiros, não fixam mais a maior parte da mão-de-obra no seu local de origem, provocando a migração dos trabalhadores, com o deslocamento das indústrias de um local para outro, de acordo com o valor da mão de obra.

Na dimensão política, organismos multilaterais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), BM (Banco Mundial), ONU (Organização das Nações Unidas) e blocos econômicos passaram a exercer influência sobre os governos nacionais, resultando em políticas de privatização/ liberalização/ desregulamentação e descentralização das políticas públicas, recursos e responsabilidades dos governos nacionais aos governos locais.

Na dimensão cultural ocorreu a difusão de uma cultura global, facilitada pelas redes de comunicação, notadamente a televisão e depois a internet. Mas, como a sociedade é viva, ao mesmo tempo em que ocorria o processo de homogeneização cultural, afloravam, na contramão, as diversidades culturais como forma de resistência, acirrando-se a intolerância e a xenofobia.

Vários movimentos sociais de denúncia e de oposição à globalização e de apelo à solidariedade e à convivência entre os diferentes povos e culturas foram se formando e se fortalecendo em várias partes do mundo, alimentadas, inclusive, mais recentemente, pela tecnologia.

O Fórum Social Mundial, constituído no Brasil, na década de 90 do século XX, foi um desses importantes movimentos. Na edição de 2001, uma de suas atividades, chamada Mosaico da Cidadania, reuniu 529 pedras trazidas de várias partes do mundo, simbolizando o encontro de diferentes culturas, pensamentos e línguas.

É preciso considerar, como o geógrafo Milton Santos, que “cada lugar é, ao mesmo tempo, objeto de uma razão global e de uma razão local, convivendo dialeticamente” (Santos, 1996:273). Para ele, a importância de estudar os lugares reside na possibilidade de captar seus elementos centrais, suas virtudes locais, de modo a compreender suas possibilidades de interação com as ações mais globais. É no lugar que a cultura  ganha sua dimensão simbólica e material, combinando matrizes globais, nacionais, regionais e locais. Ele propõe uma outra globalização, que inverte a lógica do capital, priorizando a humanização e a democratização do mundo, a partir dos avanços produzidos pela tecnologia, sem massacrar a diversidade cultural e promovendo a convivência entre o universal e o local, a favor de todos e não apenas de alguns.

Fontes de Referência

SANTOS, Mílton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 10ª Ed., Rio de Janeiro: Record, 2003.

 

Sites:

Educação

 

Seminário

 

Gostou?

Acesse também a oficina “Uma expedição pelo território”, deste banco.

 

 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados  às 17h de 16 de junho de 2015.

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