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Debate sobre a condição da pessoa idosa no nosso país.

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  • O que éO que é

    Debate sobre a condição da pessoa idosa no nosso país.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens

  • MateriaisMateriais

    data show, acesso à internet, folhas de papel craft, pincéis atômicos, filipetas, caixa com as frases indicadas na oficina e Estatuto do Idoso.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades e no território.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30 (uma hora e trinta minutos) cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Trazer para a discussão do grupo o tratamento dispensado aos idosos, na sociedade e na família.

  • ExpectativaExpectativa

    Olhar para os idosos com respeito e prestar-lhes ajuda, quando necessário, com ações, informações ou denúncias de preconceitos e maus tratos.

Na prática

Como desenvolver?

imegem-texto03-1Primeiro encontro: Trazendo a questão à tona.

Comece perguntando ao grupo quem tem avós vivos, se alguém tem bisavós, que idade eles têm, o que eles fazem.

Algum deles ainda trabalha?

Em quê?

Moram em sua própria casa ou com filhos ou parentes?

Como são: falantes, alegres, tristes, calados?

Quando eles veem alguém assim como seus avós nos ônibus, nas ruas, nas lojas e supermercados, lembram-se deles?

Como percebem que as pessoas tratam os mais velhos nessas situações?

Com paciência?

Bom humor?

Ouça as observações que farão a partir de suas experiências.

Para aquecer o debate, proponha que, em grupos, discutam algumas questões próprias da condição de longevidade das pessoas, na sociedade de hoje: a relação com o trabalho, a saúde, a alimentação, o lazer, a sexualidade.

Organize grupos de quatro a cinco adolescentes e peça que sorteiem uma frase, dentre outras, que estão em uma caixa, para discutirem alguns temas polêmicos relacionados aos idosos.

Para polemizar a questão, primeiramente, eles se colocarão a favor ou contra a afirmação da frase e depois discutirão.

Eles terão 20 minutos para a tarefa.

Abaixo, há algumas sugestões de frases. É possível colocar outras. O importante é que as perguntas levem à reflexão e ao debate, mesmo que sem conclusões.

As pessoas mais velhas devem parar de trabalhar porque não acompanham o desenvolvimento do mundo atual. 

 Os idosos devem ir para uma casa de repouso, para a sua tranquilidade e a de sua família. 

Uma pessoa idosa deve morar com parentes próximos, e não sozinho. 

Pessoas idosas não sentem mais vontade de namorar. 

O idoso prefere só pessoas da idade dele para conversar e se divertir. 

O aprendizado de coisas novas se torna muito difícil na velhice. 

Os jovens aprendem mais facilmente com pessoas de sua idade do que com pessoas que passaram dos 60 anos.

Esgotado o tempo combinado, abra a roda. Cada grupo apresentará ao coletivo a questão discutida e as considerações e reflexões produzidas a respeito, pelos seus integrantes.

Após a fala de cada grupo, abra para comentários e posicionamentos dos demais.

E se?

Se houver acirramento de posicionamentos, intervenha para que ouçam as diferentes posições e as respeitem, embora tenham todo o direito de discordar delas. Mais que isso, convide-os a pensar sobre as diferentes posições e a buscar formar a própria, com argumentos em que acreditem.

É interessante observar que o tratamento preconceituoso dispensado aos idosos, em nossa sociedade ocidental é uma questão cultural; nas sociedades indígenas e orientais, o idoso é muito respeitado. Como a produtividade é um valor forte em nossa sociedade, as pessoas idosas, que pararam de produzir, são desvalorizadas.

A seguir, proponha que assistam a um pequeno vídeo que aborda a questão do idoso no mundo de hoje. É um vídeo do Portal da Terceira Idade, da TV Escola, uma campanha do MEC – Série Direitos Humanos, contra a violência aos idosos.

Pare na primeira tela e chame a atenção deles para a figura que veem nela. Alguns dirão que se trata do perfil de uma jovem e outros dirão que se trata do perfil de uma velha. Ambas as respostas estão corretas, pois a tela trabalha com a percepção do contraste figura-fundo e é uma forma de aproximar o telespectador da questão a ser abordada no filme. Oriente para que prestem atenção aos preconceitos e à violência (física ou simbólica) ao idoso, que o vídeo trata.

Terminada a projeção, retome a orientação dada e pergunte: quais preconceitos visualizaram no vídeo (o esquecimento, o não reconhecimento da capacidade produtiva do idoso), que tipos de violência puderam reconhecer (a invisibilidade, a impaciência, a rejeição), o que pensam disso?

A seguir, proponha que façam uma pequena pesquisa junto a familiares e vizinhos, com mais de 60 anos, para ouvir o que eles têm a dizer a respeito da vida em sociedade, na idade em que estão.

Organize com os adolescentes algumas perguntas que desejam ver respondidas, a partir das discussões feitas até então, como:

img-interna021 – A idade traz algo de gratificante? O quê?

2 – Traz aborrecimentos? Quais?

3 – Alguma vez já se sentiu discriminado? Em qual situação?

4 – Com quem mora? Por quê?

5 – Trabalha? Estuda? Onde?

6 – Tem namorado (a) ou companheiro(a)?

7 – Gosta de aprender coisas novas?

8 – Quais são os seus divertimentos preferidos?

9 – O que o incomoda na forma como o idoso é tratado?

10 – O que gostaria de ter feito quando era jovem e não foi possível?

11 – Outras observações que os jovens queiram registrar.

Observação: Em uma outra atividade, posterior a essa, o professor poderá deixá-los mais livres para conversar com os idosos, sem roteiro pré-determinado, para que explorem assuntos que tenham mais interesse em investigar.

Combine que cada um entrevistará uma pessoa e marque uma data para trazerem as respostas. Se as pessoas entrevistadas autorizarem, eles poderão trazer uma foto para compor um painel com suas falas.


Segundo encontro: Dando voz aos idosos

img-interna-72Neste encontro, o objetivo é entrar em contato com as respostas dos entrevistados e sistematizá-las, para conhecer um pouco da vivência dos idosos da comunidade. Dê-lhes 50 minutos para lerem e sistematizarem as respostas.

Forme grupos e oriente-os com os seguintes procedimentos:

– cada um do grupo lerá a resposta dada pelo entrevistado à primeira pergunta;

– todos buscarão identificar, juntos, se há algo de comum entre elas e o que há de diferente;

Exemplo de algo comum na primeira questão: a maioria dos entrevistados disse que o que a idade traz de gratificante é a experiência.

Exemplo de algo diferente: um entrevistado, diferentemente dos demais, pode ter dito que é a liberdade de fazer o que quer, porque os filhos não dependem mais dele.

O grupo prosseguirá a atividade, procedendo da mesma forma, em relação à segunda pergunta, à terceira, e assim por diante.

Para facilitar o registro, organize uma tabela como a que está abaixo e distribua uma por grupo.

 

QUESTÕES                                                                      RESPOSTAS MAIS FREQUENTES                         RESPOSTAS DIFERENTES


1 – O que a idade traz de gratificante?


2 – O que traz de aborrecimentos?


3 – Alguma vez já se sentiu discriminado?
Em qual situação?


4 – Com quem mora?


5 -Trabalha? Estuda? Onde?


6 – Tem namorado(a), ou companheiro(a)?


7 – Gosta de aprender coisas novas?


8 – Quais são os seus divertimentos preferidos?


9 – O que o incomoda na forma como o idoso é tratado?


10 – O que gostaria de ter feito quando era jovem, e não foi possível?


11 – Outras observações

Para que tenham uma visão do que trata o documento, projete e leia para eles os sete primeiros artigos do Estatuto do Idoso, que integram as Disposições Preliminares do Título I.

Para finalizar, informe aos adolescentes que os canais de denúncia de maus tratos a idosos são as Delegacias de Idosos da cidade em que moram, as Delegacias de Polícia e o Ministério Público. Podem também ligar no número 100, disponível 24 horas por dia, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, no qual obterão informações e orientações a respeito. 


Hora de Avaliar:

Em grupos, peça que avaliem a oficina, escrevendo em filipetas se ela foi positiva ou negativa e o porquê. Cada grupo fixará sua filipeta em um cartaz para todos lerem.

Peça também que o grupo avalie a participação de cada um:

Houve monopolização da palavra? 

Quem não participou e gostaria de falar? 

As opiniões divergentes foram respeitadas?

Para ampliar

O que mais poderá ser feito?

imegem-texto02-1Um encontro intergeracional com pessoas idosas da comunidade, para conversar sobre a condição do idoso.  A própria turma poderá organizar o evento, com a ajuda de professores ou educadores sociais, elaborando as questões a serem debatidas e cuidando dos convites, do local e da divulgação do evento na instituição.

Também poderão pesquisar a existência de instituições que cuidam de idosos na comunidade e as atividades oferecidas à terceira idade. 

Fontes de referência:

Livros:

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000.

BOSI, Ecléa. Memória e sociedade, lembranças de velhos. São Paulo: T. A. Queiroz, 1987.

LIBERALESSO, Anita. Idosos no Brasil – Vivências, desafios e Expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo e SESC, 2007.

GOLDENBERG, Mirian. A bela velhice. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.

Sites:

Rede de proteção e solidariedade formada por profissionais egressos do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Envelhecimento (NEPE).

Cartilha do idoso.

Associação Cultural Cidadão Brasil.

Guia de Direitos.

Estatuto do Idoso.


Para saber mais

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra a tendência de envelhecimento do nosso país. Nesse estudo, foram ouvidas 362.555 pessoas em 1.100 municípios.

Constatou-se que, em 12 anos, a proporção de crianças de até 9 anos caiu de 18,7% do total de habitantes, em 2001, para 13,9% em 2013.  Ainda na comparação entre 2001 e 2013, também caiu a proporção de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos de idade: desceu de 15,9% para 13,4% do total dos brasileiros.

No entanto, o número de pessoas no Brasil acima de 60 anos (definição de “idosos” dentro da pesquisa) continua crescendo: de 12,6% da população, em 2012, passou para 13% em 2014.

Já são 26 milhões de idosos no país. E aumentou a população dos que têm mais de 40 anos: essa faixa registrou na pesquisa 75,7 milhões de pessoas contra as 62,3 milhões de crianças e adolescentes (faixa de até 19 anos).  A região com mais idosos no Brasil é a região Sul, com 14,4% do total. O Norte é a região que tem menos: 8,8% de idosos.

A pesquisa indica ainda que, em um ano, cresceu o número de idosos acima de 60 anos que está inserido no mercado de trabalho, o que representa 900 milhões de pessoas. Essa é a taxa mais alta entre todas as faixas de idade. A participação dos idosos foi de 7,5% em 2013 para 8,2% em 2014.

Por certo, vivemos uma revolução da longevidade, consequência do aumento da expectativa de vida dos brasileiros e um galopante processo de envelhecimento populacional. Este fato nos coloca frente a um grande desafio econômico, social e cultural, pois vivemos em uma sociedade com muita desigualdade e pobreza, o que acarreta condições precárias de existência na velhice, para os mais necessitados.

Além disso, nossa sociedade globalizada é a sociedade do consumo, por excelência, e do culto ao corpo. Supervaloriza a juventude e cultiva o preconceito com relação à pessoa idosa; a velhice é encarada como decadência, doença e peso social.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 2025, o Brasil ocupará o sexto lugar, em número de pessoas idosas, no ranking mundial. Se até bem pouco tempo nosso país era considerado um país jovem, dentro de apenas três décadas será um país envelhecido, em função dos baixos índices de fecundidade da população, do avanço da medicina, adoção de hábitos mais saudáveis e mesmo das medidas legais, que geram melhores condições de sobrevivência, como o atendimento prioritário e a proteção contra violência, discriminação, crueldade, ação e omissão.

O processo de envelhecimento não é um problema em si mesmo, antes, ao contrário, deve ser visto como uma conquista para a humanidade, pois isso significa que acrescentamos mais tempo de vida à nossa existência.

Segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, a velhice não é um problema para quem tem projetos de vida ou investiu em outros capitais, como os que trabalham com a criatividade, como professores e escritores. Para muitos, esse momento da vida é a chance de se libertar das obrigações da vida adulta e dar início a projetos e atividades criativas.

A velhice, como as outras fases da vida, não é igual para todos. Dependerá da história de vida de cada pessoa, de suas condições de saúde, socioeconômicas e culturais. Assim, em algumas situações, a fragilidade física ou mental de alguns idosos pode expô-los a diversas formas de privação, humilhação e violência, seja em casa, nas ruas, nos serviços públicos como transporte, hospitais e nas instituições de longa permanência.

O que se tem constatado é que a maior parte das violações a idosos mais desprotegidos acontece dentro da própria casa das  vítimas, cometida por filhos, netos ou outros familiares. Essas violações acontecem principalmente com os idosos mais dependentes de cuidados, os indefesos, que não têm mobilidade, não só para sair de casa, mas também para reclamar ou denunciar. As violações mais comuns são a negligência, a violência física ou psicológica e o abuso financeiro e econômico, também chamado de violência patrimonial.

Para mudar essa situação de preconceito e maus tratos a que os idosos estão sujeitos, em nossa sociedade, é necessário um trabalho de conscientização, que deve contar com a participação de todos os cidadãos, inclusive da própria pessoa idosa, que tem o direito de exigir uma vida digna, em condições de respeito e igualdade.

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Total de 4 comentário(s)

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  •    KATIA MARIA ALVES  em 
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  •    MARIA DE FÁTIMA MONTEIRO  em 
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