Educação&Participação

Leitura de uma obra de arte (pintura).

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  • O que éO que é

    Exercício de leitura de obra de arte (pintura).

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Papel sulfite, lápis de cor, giz de cera, canetas hidrográficas, tinta guache, pincéis, potinhos com água, barbante para varal, um toca-discos e CDs, reproduções das pinturas: Mona Lisa, do italiano Leonardo da Vinci; O Grito, do alemão Edward Munch; Angústia, do mexicano David Alfaro Siqueiros; As meninas, de Pierre-Auguste Renoir e Moça com livro, do brasileiro Almeida Júnior.

  • EspaçoEspaço

    Espaços variados, onde possam circular à vontade.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de aproximadamente 90 minutos.

  • FinalidadeFinalidade

    Compreensão da obra de arte como linguagem que expressa sentimentos, ideias e pensamentos, produto de um determinado contexto cultural e produtora de novos significados e possibilidades.

  • ExpectativaExpectativa

    Desenvolver o senso estético; conhecer algumas obras clássicas de pintores de várias épocas e lugares; experimentar o fazer artístico.

Na prática

rostos

Como desenvolver?

Comece fazendo um aquecimento, propondo que circulem livremente por todo o espaço, espreguiçando-se de vez em quando, na ponta dos pés, e esticando o corpo e os braços por aproximadamente três minutos.

Diga-lhes, então, que você dará algumas comandas às quais eles deverão responder, assumindo uma fisionomia correspondente à solicitada.

Assim, a uma ordem “você está muito alegre”, todos deverão representar uma expressão de alegria no rosto; à ordem “agora você está com muita raiva”, todos responderão com fisionomia carregada e, assim por diante, quando você se referir à dor, à indignação, à ironia, à tristeza, ao medo, ao terror etc.

Depois de algum tempo, convide-os a relaxar, a sentarem-se na roda e conversem sobre como foi fazer o exercício: que emoções foram mais fáceis de representar e quais foram as mais difíceis.

Haveria alguma delas que eles gostariam de guardar para sempre com eles? Como isso poderia ser feito? Pode ser que alguém se refira à possibilidade de se representar essa emoção por meio da fotografia, do desenho, da pintura.

E se?

Se ninguém se aventurar a uma resposta, comente você essas possibilidades, referindo-se a algumas obras de arte que imortalizaram diferentes emoções e os autores dessas obras, como os indicados para o trabalho desta oficina.

Apresente a eles as reproduções de pinturas aqui sugeridas: Mona Lisa, O Grito, Angústia, As Meninas, Moça com livro.

Pergunte se já haviam visto algumas delas, se sabem os seus nomes e de seu autores Que emoções essas telas representam?  Que sentimentos imortalizaram? Acham que transmitem sensações e idéias semelhantes?

Observe que arte é linguagem e que, portanto, é como se eles estivessem na frente de alguns textos que podem ser lidos. Convide-os a escolher uma das reproduções para experimentarem a leitura. Diga-lhes que nesse tipo de leitura cada um interpreta a obra como a vê, sente e pensa sobre ela. Portanto, não existe certo ou errado.

Pergunte que sensações a obra desperta: de paz, de saudade, de alegria, de terror? Continue, convidando-os a analisar a pessoa representada, solicitando que explicitem quais indícios da pintura (forma, cor, disposição do corpo etc.) os levam às suposições que fazem. É um homem ou uma mulher? Um adolescente, uma criança ou um adulto? Que idade teria essa pessoa? Seria casada, viúva ou solteira? Qual seria sua profissão?

Onde está? O que estaria fazendo aí? Seria uma pessoa alegre, triste ou sonhadora? Que horas seriam? Será que faz calor ou frio? Que sons poderíamos associar a esse lugar onde ela está: barulho de moto, de vento, de música? Por quê? Em que época terá vivido essa pessoa?
Sugira que fechem os olhos e imaginem que a obra se amplia para cima, para baixo e para os lados. O que haveria nas laterais: muro, árvores? E em cima: céu, lua, estrelas, nuvens? E ao fundo? Se o grupo estiver envolvido, continue perguntando sobre outras circunstâncias como essas. Depois, diga-lhes que fizeram um exercício de interpretar o que a obra expressa (análise interpretativa da obra).

Agora, o convite é para explorarem os recursos utilizados pelo pintor como formas, linhas, cores, textura, perspectiva, relação figura-fundo, (analise formal da obra).

Indague: além da pessoa representada, há algo mais representado na figura? Há paisagem ao fundo? Que cores mais aparecem na pintura? O que acham: são cores quentes (vermelho, laranja e amarelo), frias (azul, verde e violeta) ou neutras (branco, preto e cinza)? São cores puras ou misturadas? Existem sombras, há espaços claros e escuros? Como são as linhas: retas ou curvas? A pessoa está bem no centro, à direita ou à esquerda? Que técnica acham que o pintor usou: lápis de cor, aquarela, pintura a óleo, giz de cera?

Ressalte que essas observações são importantes porque a pintura representa sentimentos e pensamentos por meio de formas e cores.

Obs.: As cores azul, vermelho e amarelo são as cores primárias. Da mistura delas se originam as cores secundárias. O verde vem da mistura do azul com o amarelo; o laranja, do vermelho e amarelo; o violeta, do vermelho e azul.

Contextualize a obra analisada, falando um pouco sobre o autor e seu tempo (acesse os sites indicados).

Fale também sobre as outras obras apresentadas e seus autores, contando algum episódio interessante sobre eles.

Diga-lhes, por exemplo, que até hoje o sorriso de Mona Lisa (pintada em 1503) intriga os pesquisadores de arte, assim como quem teria sido o modelo do pintor.

Há os que afirmam ser a esposa de Francesco del Giocondo, um comerciante  de Florença, contemporâneo do pintor, chamada Lisa Gherardini e há quem afirme que se trata de um autorretrato do próprio Leonardo da Vinci.

Depois de contadas as curiosidades a respeito dos pintores, proponha que pensem sobre os vários sorrisos que deram e receberam na vida; os gritos que receberam e os que ficaram presos na garganta; as alegrias que iluminam os seus dias; as angústias e tristezas vividas num dia ou noutro e que parecem nunca acabar.

O que disso tudo gostariam de imortalizar? Afinal, agora, eles serão os pintores e terão essa oportunidade!

Distribua o material e coloque uma música suave de fundo. E lembre-os: qualquer representação vale!

Hora de avaliar

Prontos os trabalhos, pendurem-nos em varais montados com barbante e apreciem as pinturas. Observem quais as expressões que mais aparecem nas produções, como foram utilizadas as cores, as formas, se as obras são mais figurativas ou abstratas. Peça para cada um falar um pouco das suas escolhas: do tema, das cores usadas, do material empregado.

Peça para falarem também do processo e da emoção sentida ao ter a obra finalizada: ela representa o que queriam representar? Elogie o empenho de todos, oriente-os a assinar o trabalho e datar. Promova uma salva de palmas para os artistas.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Os adolescentes poderão explorar outra linguagem que apesar de distinta da pintura, busca representar as mesmas emoções humanas e expressar formas de ver e pensar o mundo: a fotografia.

Trata-se da fotografia artística ou de autor, como é chamada, e por ser concebida a partir do universo pessoal do autor, tem caráter mais subjetivo.

Atualmente a fotografia artística ocupa um lugar próprio e reconhecido na história da arte contemporânea, como se pode observar em relação aos trabalhos de alguns fotógrafos famosos, como Henri Cartier-BressonSebastião Salgado, Pierre Verger.

Para saber mais
A arte nos propicia viver uma realidade ficcional que expressa, interpreta, propõe soluções novas para as questões inerentes à condição humana e aos conflitos sociais.

No processo de criação nos percebemos sujeitos capazes de provocar mudanças e rupturas na nossa trajetória de vida e na ordem estabelecida.

Por meio da arte é possível re-significar a forma de se olhar e de viver a vida. Ela provoca a pensar com outros parâmetros, não tão conhecidos e mesmo inusitados, obrigando-nos a romper com estereótipos, de referências cristalizadas, das formas banalizadas pelo cotidiano e experimentar novas possibilidades. Para tal, faz uso de diferentes linguagens que congregam signos que podem ser visuais, auditivos, gestuais, dentre outros.

As artes visuais, foco de trabalho desta oficina, recorrem a cores, linhas, formas, volumes, luzes, sombras, perspectiva etc. para representar o amor, a dor, a saudade, o medo, a indignação, a crítica a práticas sociais de uma época e à injustiça social.

O modo de se relacionar com a vida e com a arte é único e pessoal; desta forma, a cor amarela pode representar alegria para uma pessoa e, para outra, frustração. Cada um é dono de sua visão, interpretação e representação do mundo. Na arte, não há certo ou errado.

O fazer artístico mobiliza a percepção, a imaginação, a fantasia, o pensamento, permitindo tanto a representação crítica do mundo vigente, com seus usos e costumes, quanto tornar presente o mundo sonhado, que não é, mas está por vir.

Fonte de referência

ARTES Visuais e Cênicas [Maria Therezinha T. Guerra]. São Paulo: Cenpec; Febem-SP; SEE-SP, 2002. (Educação e Cidadania, 6).

Gostou?

Acesse também a oficina “Rostos e máscaras“, deste banco.

Obs: os links apresentados foram visitados no dia 07 de setembro de 2015, às 18h.

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