Educação&Participação

Atividade de reflexão sobre a relação trabalho e dinheiro.

Início

  • O que éO que é

    Atividade de reflexão sobre a relação trabalho e dinheiro.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de papel jornal ou papel pardo, pincéis atômicos, sprays coloridos, computador com acesso à internet, dicionários.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades, no território e na sala de informática.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de 1h30m (uma hora e trinta minutos).

  • FinalidadeFinalidade

    Desenvolver a compreensão de que o dinheiro é fruto do trabalho, para a maior parte da população do mundo e, por isso, deve ser bem cuidado, tanto na esfera pessoal quanto na social.

  • ExpectativaExpectativa

    Valorizar o trabalho como produtor de riqueza para a sociedade e de bem-estar pessoal e social; encarar o dinheiro como resultado do esforço pessoal e identificar as diferentes fontes de renda.

Na prática

Primeiro encontro: conversando sobre dinheiro

Receba os estudantes na roda inicial, com dicionários dispostos no centro dela. Comece a oficina, colocando as seguintes questões para os estudantes:

Já escutaram, de seus pais ou de outros adultos, as expressões idiomáticas “dinheiro não nasce em árvore” ou “dinheiro não é capim”?

Em que situações ouviram tais expressões?

Dê um tempo para que contem as histórias, se quiserem.

Provavelmente, irão se referir a situações em que eles próprios ou outras pessoas solicitaram a alguém a aquisição de algum objeto considerado por esse alguém caro ou desnecessário, naquele momento, ou, simplesmente, dispensável. Discutam, então, que mensagens tais sentenças querem transmitir.

Por que a pessoa a quem era feita a solicitação responderia com essas expressões?

Seria essa uma pessoa sovina ou será que teria outras razões para responder assim?

Quais seriam essas razões?

Vamos pensar?

Provavelmente, farão referências à proporção entre o que a pessoa recebe de salário e quanto e como pode gastar. Afinal, o trabalho para a maioria das pessoas é a única fonte de renda e exige esforços; às vezes, o salário é conseguido com muito suor e risco e nem sempre corresponde às necessidades básicas das pessoas. Sugira que consultem os dicionários dispostos na roda, ou na web (veja os sites de dois dicionários abaixo), se houver um laptop na sala ou se alguém dispuser de um telefone com internet, para buscar o significado da palavra: Salário.

Dicionário Michaelis

léxicodicionário de português online

Pergunte se sabem de onde vem a palavra salário.

Se já ouviram falar ou leram alguma coisa a respeito dessa palavra/ verbete?

Deixe que levantem suas hipóteses e explique a origem dela.

O dinheiro, como o conhecemos hoje, é resultado de uma longa evolução na história da humanidade. No início, não havia a moeda (dinheiro), praticava-se o escambo, ou seja, a simples troca de uma mercadoria por outra mercadoria, sem se pensar na equivalência de valor.

Com o tempo, algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas do que outras, assumindo a função de moeda (dinheiro), circulando como elemento trocado por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor. Eram as moedas–mercadorias.

O gado, principalmente o bovino, foi um dos itens mais utilizados para esse fim; apresentava a vantagem da locomoção própria, reprodução e prestação de serviços, embora corresse o risco de doenças e de morte.

O sal foi outra moeda–mercadoria. Era de difícil obtenção, principalmente, no interior dos continentes e era muito utilizado na conservação de alimentos.

É daí que tem origem a palavra salário, que se refere à remuneração paga ao empregado pelo empregador em troca de seu trabalho.

Explique que há também outras fontes de renda, porém, que elas não advêm do trabalho, mas do aluguel de terras, de equipamentos móveis e imóveis, assim como de aplicações financeiras (em bancos, em ações etc.).

Para entender melhor a relação entre trabalho e dinheiro e valorizar o dinheiro que é fruto do trabalho, proponha que façam um pequeno levantamento sobre a origem do dinheiro da família dos alunos.

Organize com eles um roteiro com perguntas, para entrevistar os adultos de cada família, como: profissões exercidas, horas trabalhadas por semana; existência de outra fonte de renda, além do trabalho; recebimento de benefícios sociais como bolsa-família; seguro desemprego (ver ficha no Anexo 1). Combine uma data para trazerem as fichas preenchidas. Oriente para que deixem claro às famílias de que se trata apenas de um estudo para a turma.

E se?

Se houver dificuldade ou resistência das famílias para fornecerem os dados, eles não devem insistir, pois podem procurar mais informações na internet, em pesquisas sobre profissões realizadas por órgãos como IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ou IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo encontro: Conhecendo quanto tempo se trabalha, em geral

Na data marcada, organize a turma em grupos, com as fichas preenchidas e peça para compartilharem as informações coletadas item por item. Faça o registro em um cartaz (folha de papel pardo) sistematizando as informações trazidas pelo grupo:

  • Quantidade de horas que a maior parte das pessoas entrevistadas gasta trabalhando

Por dia: ——————

Por semana: ———–

  • Quantas famílias têm outra fonte de renda, além do trabalho?

——————————————————————————

  • Quais são essas fontes?

——————————————————————————

  • Quantas famílias recebem bolsa-família?

—————————————————————————–

A partir do cartaz, proponha que os grupos identifiquem e discutam de onde vem o sustento da maioria das famílias, observando quantas horas as pessoas precisam trabalhar por mês para receber o salário.

Após as discussões entre os grupos, peça para afixarem os cartazes na parede e abra a roda para que socializem as conclusões e as coloquem em discussão, desta vez, no coletivo. Enquanto eles falam, anote as principais ideias em outro cartaz, que será a síntese da pesquisa. Encerrada a explanação, confira com eles se o registro que você fez corresponde ao que verbalizaram ou se há necessidade de reformulações ou inclusões. Guarde esse registro das ideias do coletivo sobre a pesquisa.

E se?

Se houver opiniões divergentes no grupo, não há problema, o que se quer é promover a reflexão sobre o assunto. As diferentes opiniões serão registradas, pois é uma maneira de enriquecer o tema abordado.

3º encontro: Ganhar o sustento custa.

Na sala de informática, divida o grupo em duplas e os oriente para que naveguem nos sites abaixo, da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do IBGE, para  conhecer qual é a jornada de trabalho dos brasileiros.

Primeiro deverão acessar o arquivo Jornada de Trabalho, da OIT.

Oriente para que observem os dados relacionados no quadro abaixo e registrem:

Jornada de trabalho estabelecida Convenção da OIT em 1919. ……………………………………………….
Convenção Internacional do Trabalho – Organização das Nações Unidas (ONU).

……………………………………………….

Jornada estabelecida no Brasil pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) em 1943. ………………………………………………..
 Jornada de trabalho estabelecida pela Constituição Brasileira de 1998 ………………………………………………
Jornada de trabalho da população com mais de 16 anos apontada por levantamento da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) em 2008.

………………………………………………

Média de horas.

………………………………………………

Porcentagem de pessoas que trabalham mais que as 44 horas estipuladas por lei.

…………………………………………….

Porcentagem de pessoas que trabalham menos que as 44 horas estipuladas por lei.

……………………………………………

Em seguida, entrarão no site do IBGE para investigar as horas trabalhadas nas regiões metropolitanas do país em levantamento feito de 2002 a 2015 e vão preencher o quadro abaixo com apenas os dados do primeiro e do último mês pesquisado.

Regiões
              Metropolitanas                 

Março de 2002

Abril de 2015

     Recife (PE)

…………………….. ……………………..

     Salvador (BA)

…………………….. ……………………..

     Belo Horizonte (MG)

……………………..

……………………..

    Rio de Janeiro (RJ)

……………………..

……………………..

    São Paulo (SP)

……………………..

……………………..

    Porto Alegre (RS)

……………………..

……………………..

  TODAS REGIÕES

……………………..

……………………..

Após, aproximadamente, 45 minutos, abra a roda para a socialização dos dados.

Faça dois cartazes iguais aos quadros que as duplas preencheram com os dados levantados da OIT e do IBGE e coloque ao lado do cartaz que sistematizou os dados da pesquisa que eles fizeram com as famílias.

Peça que comparem, no coletivo, os dados levantados nos sites, com os da pesquisa realizada com a família.

Quais são os pontos comuns?

Quais são os pontos diferentes?

Que conclusões podem ser tiradas dessa comparação?

Oriente a discussão. É importante que compreendam que a maior parte das pessoas, ao redor do mundo, obtém o sustento trabalhando e para isso trabalham. Por isso é que qualquer atividade profissional tem de ser valorizada e o dinheiro para o seu sustento é fruto dela.

O número de horas trabalhadas por dia e por semana, nas cidades da sociedade moderna democrática é controlado por lei, fruto de muita luta dos trabalhadores. Pois, no início da industrialização, quando as cidades se desenvolveram, com a vinda dos trabalhadores do campo para o trabalho em fábricas, não havia sequer descanso semanal e até crianças trabalhavam.  Mesmo, atualmente, com o respaldo da lei limitando o número de horas de trabalho, como prevê recomendação da OIT e nas leis trabalhistas do Brasil ( CLT), observa-se, ainda, como viram nas tabelas oficiais, gente que trabalha além do limite permitido.

Registrem as conclusões, como síntese da oficina.

Hora de Avaliar

Como avaliação, peça que as duplas elaborem uma frase que expresse o que ficou de mais significativo da oficina do dia e escrevam em tiras de papel, dispondo-as no meio da roda. Convide todos a circular pela roda, para apreciar as frases das outras duplas.

O que mais pode ser feito?

Os estudantes poderão organizar, com os educadores, uma tarde de discussão sobre a jornada de trabalho em outros países, para aprofundar o assunto, convidando professores da escola/ONG, com experiência e estudo sobre o assunto e/ou especialistas (da universidade local, de alguma ONG, que desenvolve projetos sociais ou de sindicatos). Essa atividade poderá ser aberta à participação da comunidade.

Fonte de Referência

Banco Central do Brasil – História do dinheiro

OIT Brasil

IBGE – Média das horas efetivamente trabalhadas por semana, pelas pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência

Para ampliar

A renda das pessoas, ou seja, o dinheiro com que contam para seu sustento (alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer), pode ter diferentes origens: do trabalho, do aluguel de bens e equipamentos móveis e imóveis, rurais ou urbanos, ou da aplicação financeira de dinheiro excedente (nos bancos, nas ações das bolsas de valores, por exemplo).

Há também fontes ilícitas, criminosas, como a sonegação de impostos que enriquecem a alguns poucos, em detrimento dos benefícios que os impostos trariam à população em geral, com o investimento nas políticas públicas.

O tráfico de drogas, de pessoas, de órgãos e de influência são outras fontes de renda ilícita que denigrem a dignidade e o direito de todos.

A grande maioria das pessoas, no mundo, vive, felizmente, do rendimento de seu trabalho, dedicando a ele muitas horas diárias, colocando em risco, muitas vezes, a própria saúde.

Ganhar o sustento custa esforço. Por isso, o rendimento que o trabalho produz tem de ser utilizado com cuidado, devidamente planejado, com definição de prioridades, tanto na esfera pessoal, na familiar, quanto na social.

Dessa forma, questões como o que é imprescindível para a sobrevivência, o que não é imprescindível, o que pode esperar para ser adquirido depois ou o que não pode esperar, têm de ser discutidas pelas famílias, constantemente, para que se garanta a permanência do que é básico e fundamental para todos e se possa ter acesso, gradativamente e com segurança, a outros bens desejados.

Envolver todos na relação de prioridades, inclusive crianças e adolescentes, contribui para educá-los no uso consciente do dinheiro, que “não nasce em árvore” e nem “é capim”.

Além da preocupação com a estabilidade financeira das famílias, garantindo a manutenção do acesso aos bens sociais básicos, há também a questão social e a ecológica que precisam ser pensadas. No primeiro caso, cuidar do dinheiro público, participando de decisões coletivas e acompanhando os gastos das administrações municipal, estadual e federal é responsabilidade de todos. Da mesma forma, é responsabilidade de todos o cuidado com o planeta, cujos recursos não são inesgotáveis e cuja exploração para o consumo já tem produzido consequências desastrosas que influenciam no clima, na água e na vegetação da Terra.

Gostou?

Acesse também a oficina Vamos reconstruir nossa relação com o planeta?, deste Banco.

Participe

Eu fiz assim…

Você já realizou esta oficina?
Nos comentários abaixo, conte para nós: o que deu certo? O que precisou ser modificado? O que foi ampliado? Ajude a plataforma a aprimorar o Banco de Oficinas!

Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total de 0 comentário(s)