Educação&Participação

Conhecimento e apropriação desse importante espaço de participação dos estudantes.

Início

  • O que éO que é

    Simulação de constituição de chapa para concorrer ao grêmio.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Internet, data show, folhas de papel pardo, lápis de cor e pincéis atômicos, revistas, baú de adereços, alguns instrumentos musicais como pandeiro, ganzá, lápis coloridos, pincéis atômicos, celulares com recurso para vídeo.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades e dependências da escola/organização.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30 cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Conhecer e ocupar esse importante espaço de participação dos estudantes.

  • ExpectativaExpectativa

    Compreender o significado e a função do grêmio estudantil, aprender os passos para montar o grêmio e conhecer as práticas e documentos usuais.

Na prática

Como desenvolver?

1º: Pensando a escola para os estudantes.

Receba os estudantes com a palavra GRÊMIO escrita em letras bem grandes na lousa ou em um cartaz. Anuncie que esse será o tema da oficina.

E se?

Se na escola há um grêmio, pergunte se sabem o que ele faz, se já participaram de suas atividades, que impressões têm dele. Consideram-no importante? Por quê?

Se a escola não conta com um, peça que digam o que entendem por grêmio e relacione suas falas num cartaz.

A fim de depurar o conceito, confirmando ou contrapondo o que verbalizaram, convide-os a ver um vídeo que trata do assunto, antes de discutirem mais.

Projete para eles o vídeo do Jornal Futura “A importância do Grêmio estudantil” – (3min32s). Acesse em:

Em seguida, abra para o debate: o que viram tem que ver com o que falaram no início da roda? O que o conteúdo do vídeo tem de aproximação com as ideias que foram expostas?

É importante perceberem que além de defender os direitos e interesses dos estudantes, o grêmio também desenvolve atividades de várias naturezas como culturais, literárias, esportivas e políticas no que toca à defesa da democracia no interior da escola e na sociedade.

Ele permite que os alunos discutam, criem, proponham e fortaleçam inúmeras possibilidades de ação no próprio ambiente escolar assim como na comunidade. O grêmio é um importante espaço de aprendizagem, cidadania, convivência, responsabilidade e luta por direitos.

Alguns exemplos de luta pelas causas do ensino: a ocupação das escolas de ensino médio pelos estudantes do estado de São Paulo em protesto à proposta governamental de reorganização das escolas em 2015 e a ocupação das escolas pelo Brasil afora em 2016, como protesto à Reforma do Ensino Médio sem que os estudantes tenham sido ouvidos.

Atenção, educador!

Para que você possa encaminhar bem as discussões e trabalhar o conceito de grêmio com clareza e sem equívocos, apresentamos o vídeo “Grêmio estudantil”, da Escola de Gestores da Educação Básica (curso do MEC), com Alexsandro do Nascimento Santos (doutor em Educação e Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo).
Na seção Para saber mais, você também encontrará outras fontes para consulta. É importante os estudantes compreenderem que grêmio estudantil é uma organização independente que representa o interesse dos estudantes. É o órgão máximo de representação dos estudantes na escola. Pode e deve fazer parceria com a gestão da escola em alguns projetos, mas, por definição e lei, é uma entidade autônoma, com direito à voz.

Que tal simularem uma parte do processo de constituição de um grêmio, a formação de chapas, por exemplo?

Faça a proposta para eles, pois esse exercício permitirá desenvolver uma ampla reflexão sobre a vida na escola/organização e, com isso, poderá ajudá-los a estabelecer uma pauta para buscar melhorias para a vida escolar.

E se?

Se existir um grêmio na instituição, eles poderão levar a pauta adiante, encaminhando as reivindicações para o grêmio. Mas, se não houver um grêmio, eles terão um ótimo motivo para formar um.

Explique que, no processo de constituição do grêmio, há a formação de chapas, ou seja, um conjunto de estudantes que tem ideias e propostas semelhantes organiza um programa de ação para a vigência de um ano de mandato e divulga as propostas do seu programa para os demais estudantes da escola, a fim de obter adesão e votos.

Além disso, apresentam também quem fará o que na chapa: coordenador geral ou presidente, vice-coordenador ou vice-presidente, coordenador ou diretor dos departamentos de cultura, esporte, política, comunicação, social, etc.

Para realizar a atividade eles formarão grupos. Cada grupo agirá como uma chapa candidata, concorrente ao grêmio da escola. Assim, deverá pensar em como a vida na escola poderia ser mais agradável e produtiva, tanto em relação aos estudos quanto às possibilidades de diversão e de momentos de cultura, arte e esporte. E, em relação a cada ideia, elaborará uma proposta e uma estratégia de viabilização dessa proposta. As propostas mais os meios de viabilização comporão o seu programa de atuação. Eles deverão também decidir, em conjunto, quem ficará responsável pelas ações, considerando as várias coordenações (ou diretorias) possíveis: coordenador geral, vice-coordenador, coordenador de esporte, teatro, saúde, etc.

Os programas produzidos pelos grupos serão divulgados para o conjunto dos estudantes da turma.

Como se trata apenas de uma simulação de constituição de chapas e se deseja que aprofundem a discussão das propostas, como exercício de democracia, no decorrer das exposições os estudantes irão selecionando as propostas mais interessantes para, ao final, compor só um programa da turma, com as melhores propostas de cada grupo. Por isso, “as chapas” precisam cuidar de suas propostas para que sejam consistentes, exequíveis e defensáveis perante os demais estudantes.

Durante a atividade, ajude-os, dando apoio, sugestões e questionando o que não é verossímil. O restante de tempo desse encontro será destinado à elaboração dos programas das “chapas”.

 

2º encontro: Experimentando a própria liderança.

Neste encontro, os grupos apresentarão seu programa de ação aos demais e, ao final, os estudantes escolherão as melhores propostas para compor um único programa da turma.

Para isso, eles deverão preparar a sua exposição. A fim de ajudá-los com algumas ideias e para que entrem no clima da atividade, projete para eles o vídeo “Grêmio Estudantil – parte 3”, da parceria Fundação Roberto Marinho, Canal Futura e rede Globo, indicado logo abaixo.

Esse vídeo traz algumas sugestões de divulgação diferenciada das propostas da chapa ganhadora da Escola SESC de Ensino Médio (RJ), assim como depoimentos de participantes do grêmio dessa escola e do grêmio da Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá, também do Rio de Janeiro. Acesse clicando aqui.

Após a projeção, abra para comentários: o que acharam das propostas que os grêmios defendem? E das formas de divulgação dessas propostas para os estudantes de toda a escola?

Chame a atenção para a seriedade com que os jovens assumem seu compromisso de fazer os encaminhamentos de propostas e reivindicações do coletivo à gestão da escola. E como o fazem de forma tranquila.

Outro fato interessante é que se preocupam em deixar claro seu programa de ação, para que os estudantes o compreendam e adiram a ele. Procuram também transmiti-lo de forma leve, criativa e envolvente.

Proponha então aos participantes que, em grupos, retomem seus planos de ação para definir e organizar a forma de sua divulgação aos colegas. Para isso, poderão usar qualquer linguagem: texto escrito ou oral, música, dança, teatro, cordel, etc. Ajude-os no que for preciso.  Para essa atividade, eles terão 30 minutos, aproximadamente.

Finalizada a tarefa, abra a roda para a apresentação. Cada grupo (simulando uma chapa candidata) comunicará seu programa de ação na linguagem que escolheu e definirá quem vai assumir o quê. Peça que alguém filme as produções em seu celular para que os participantes possam se ver depois.

Após a apresentação de cada grupo, peça à turma para fazer comentários sobre o conteúdo proposto e sobre a forma de apresentação: que mensagens o grupo passou? Ficaram claras para o público quais propostas foram feitas e como serão encaminhadas? Acharam viáveis?

Em seguida, os próprios participantes do grupo falarão o que desejavam expressar com sua apresentação para que todos possam perceber as lacunas das propostas, as falhas de comunicação e, desse modo, consigam aprender como poderiam fazer um programa e divulgação melhores. A intenção aqui também é reforçar o que foi receptivo e positivo na apresentação.

Terminadas as apresentações de todos os grupos, é hora de selecionar as propostas de maior consenso para compor o programa único.

Combine com eles quantas propostas seriam adequadas para compor o programa e alguns critérios de seleção como: as propostas devem ser consenso dos grupos; devem atender ao maior número de alunos; devem ter viabilidade de execução e outros.

Será interessante, inicialmente, que eles identifiquem as propostas que se repetiram ou foram semelhantes nos vários grupos: quais foram? Em quantos programas de ação apareceram?

E se?

Se apareceram propostas semelhantes em vários grupos, isso significa que elas realmente representam necessidades ou desejos dos estudantes, indicando que devem entrar no programa da turma e ser levadas adiante.

Finalizado o processo da escolha das propostas, convide-os a comporem um painel com elas. Distribua folhas de papel pardo, lápis coloridos, pincéis atômicos.

Pronto, a turma produziu o programa de uma chapa concorrente, de forma simulada. E se fosse pra valer, quais seriam os próximos passos? Para tomarem conhecimento, comente com eles os passos que estão descritos na seção “Para saber mais”.

Se na escola existir um grêmio, o painel será, em seguida, encaminhado para ele. Mas, se não existir, que tal socializar a experiência vivida e o painel que produziram com as outras turmas, visitando as demais salas? Ao final, o painel poderá ser exposto em um local de passagem, nas dependências da escola, com uma chamada como:

 

VAMOS FORMAR UM GRÊMIO?

 


Agora é com você: o que mudaria no desenvolvimento da atividade?


 

Hora de Avaliar

Em grupos, deverão escolher uma imagem que represente a sua avaliação da oficina. Eles poderão escolher uma imagem impressa das revistas disponíveis ou representar essa imagem com os próprios corpos, utilizando-se dos adereços do baú.


Agora é com você: outras sugestões para avaliar.


 

O que mais pode ser feito?

Um convite a outros grêmios estudantis da região para discutirem assuntos de interesse comum dos estudantes. Poderão também organizar um contato presencial ou virtual com algum representante da UBES para aprofundar o debate sobre representação estudantil e conhecer outras experiências de grêmios estudantis.

O contato com grêmios de universidades (chamados de Centros Acadêmicos) também é muito importante para aproximar os estudantes desse universo do qual sonham fazer parte. Conviver com representantes da universidade ajuda a entender melhor o que é a universidade, o que ela oferece e como chegar até ela. Há várias universidades que oferecem cursos e atividades culturais, assim como cursinhos pré-vestibulares gratuitos para os alunos das escolas públicas. É bom que saibam e divulguem.


Agora é com você: o que mais faria?


 


Fontes de Referência

http://ubes.org.br/gremios/

http://ubes.org.br/gremios/#cartilha

Para ampliar

Um dos principais objetivos de um grêmio estudantil é propiciar a participação dos estudantes na vida de sua escola, desde o desenvolvimento de atividades culturais, esportivas e de lazer até a discussão e proposição de projetos e de normas e procedimentos diárias.

Além de desenvolver a integração dos estudantes da escola, o grêmio amplia também o protagonismo, a iniciativa, o respeito pelas opiniões divergentes, a capacidade de negociação e a busca do bem-estar coletivo. Enfim, é um exercício de democracia.

Os grêmios estudantis têm base legal nas seguintes Leis da legislação brasileira:

– 7.398 de novembro de 1985 – institui os grêmios estudantis;

– 8.069 de 13 de julho de 1990 – (Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA);

– 9.394 de 20 de dezembro de 1996 – (Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional – LDB).

O grêmio deve atuar em parceria com todos os que atuam na escola: equipe gestora e docente, funcionários e outros órgãos de representação da comunidade escolar existentes, como o Conselho de Escola, a Associação de Pais e Mestres, etc.

No entanto, é preciso ficar claro que o grêmio tem autonomia, ou seja, ele representa os interesses dos alunos e não da gestão da escola. Pode haver ou não (e é desejável que haja) uma identidade de propósitos entre ambos.

Ele atua de forma independente da Diretoria da escola, da APM ou do Conselho, ou seja, tem autonomia para elaborar, sugerir e organizar atividades para a escola. Mas, para realizá-las, precisa da autorização da gestão ou do conselho, em função do agendamento de datas e uso dos espaços. Por isso é importante apresentar e discutir as propostas com os diretores, além de obter apoio e parceria.

É seu direito participar da elaboração do calendário da escola e das atividades programadas.

Além disso, o grêmio deve agir de forma independente em relação aos partidos políticos, respeitando a pluralidade dos estudantes que representa. Cada um pode ter as suas preferências e engajar-se nos movimentos que quiser, sem, no entanto, assumir seu posicionamento em nome do Grêmio.

Os grêmios têm um importante papel na ampliação do repertório de participação social e política dos jovens e nas lutas dos estudantes pela melhoria do ensino e pelo acesso à universidade.

Há muitos grêmios de universidades que oferecem, por exemplo, cursinhos pré-vestibulares gratuitos para auxiliar os estudantes sem recursos econômicos. Além disso, oferecem também o acesso a atividades culturais gratuitas. Por isso, é importante que os grêmios de escolas de ensino fundamental e médio mantenham contato com outros grêmios, tanto de escolas secundárias como de universidades.

 

O que fazer para ajudar os jovens a construir um grêmio?

Para que seja constituído o grêmio na escola há a necessidade de se seguirem alguns passos:

1º Passo: Formação de uma Comissão Pró-Grêmio, formada por alunos interessados e/ou representantes de classe. Esse grupo deve elaborar um Estatuto a ser discutido e aprovado em uma Assembleia Geral dos estudantes da escola, a qual deverá ser registrada em ata.

2º Passo: Realização da Assembleia Geral.

Todos os alunos serão convidados pela Comissão Pró-Grêmio. Nela serão decididos o nome do grêmio, o período de campanhas das chapas, a data das eleições, a organização da Comissão Eleitoral (formada por dois representantes de cada chapa mais representantes de classe) e a aprovação do Estatuto do Grêmio.

É necessário que haja comparecimento de pelo menos 10% dos alunos na Assembleia para que ela tenha caráter representativo.

3º Passo: Organização das Chapas.

Os estudantes que quiserem se reúnem em chapas, organizam um programa de ação para a vigência de um ano de mandato e divulgam as propostas do seu programa para os demais estudantes da escola.

Além disso, apresentam também quem fará o que na chapa: coordenador geral ou presidente, vice-coordenador ou vice-presidente, coordenador ou diretor dos departamentos de cultura, esporte, política, comunicação, social, etc.

A Comissão Eleitoral tem a função de promover e preparar os debates entre as chapas, abertos a todos os estudantes da escola.

4º Passo: Organização da eleição pela Comissão Eleitoral.

A Comissão deve se responsabilizar pelas cédulas com os nomes das chapas, providenciar as urnas, zelar pelo voto secreto e realizar a contagem dos votos. Poderá convidar os coordenadores pedagógicos da escola para acompanharem também.

Após a apuração dos votos, a Comissão Pró-Grêmio redigirá uma ata para divulgar os resultados, com a assinatura de todos que participaram dela.

5º Passo: Posse da Diretoria.

A Comissão Pró-Grêmio precisa enviar uma cópia da Ata da Eleição e do Estatuto para a gestão da escola e dar posse à diretoria do grêmio.

A cada ano, o processo se reinicia, a partir do 3º passo.

Existem vários subsídios que ajudam os estudantes a organizar o Grêmio e os documentos necessários. Indicamos a orientação dada pela União Brasileira dos Secundaristas, a UBES, disponível nos sites abaixo.

http://ubes.org.br/gremios/

http://ubes.org.br/gremios/#cartilha

Indicamos também o Caderno Grêmio em Forma, do Instituto Sou da Paz, para criação e fortalecimento dos grêmios estudantis (2002). Disponível em http://www.soudapaz.org/upload/pdf/caderno_gremioemforma.pdf

 

Gostou? Acesse também a oficina deste banco “UBES, UNE, UEE, UEES… o que representam essas siglas?”.

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