Educação&Participação

Intervenção artística no bairro, envolvendo a comunidade local.

Início

  • O que éO que é

    Intervenção artística no espaço urbano.

  • PúblicoPúblico

    Crianças, adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Revistas, cartolina,, papel sulfite, lápis de cor, guache e pincéis, balões de gás coloridos, rolo de barbante, tiras de papel, celulares para fotos e vídeos.

  • EspaçoEspaço

    Em espaço da instituição e em espaço público: praça ou jardim.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de aproximadamente 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Produzir impacto na comunidade para chamar a atenção sobre a importância dos sonhos, das utopias, por meio da linguagem artística.

  • ExpectativaExpectativa

    Projetar acontecimentos bons para si , para o outro; projetar a possibilidade de um mundo melhor; apropriar-se de valores e recursos estéticos para expressão de sentimentos, ideias e propostas.

Na prática

1º encontro: Falando sobre sonhos

No primeiro encontro, converse com sua turma sobre sonhos, desde os deles, individuais, até sonhos mais amplos, coletivos, abrangendo a vida de muitos outros seres humanos.

Pergunte: o que sonham para si? O que de bom gostariam que acontecesse na sua vida? E na vida de sua família? E na de seus colegas? E na da cidade? E na do país? E na do mundo? É bom sonhar ou é perda de tempo? Por quê? Deixe que falem bastante sobre seus desejos e, depois, convide-os a expressarem esses desejos, por meio de desenhos, colagens, montagens. Distribua o material que trouxe pelo espaço da sala; cada um usará o que achar melhor para sua manifestação.

E se?

Se alguém não quiser se manifestar pela fala, não tem problema. Quem sabe ele(a) se manifestará na atividade de expressão? E, se mesmo assim, não quiser, deixe que apenas ajude você na organização da atividade; quando tiver mais segurança, com certeza participará.

De volta à roda, eles socializarão as suas produções, mostrando-as e falando sobre elas. Observe sobre o que falam os sonhos desse grupo. Existem sonhos em comum? Em relação ao processo, foi difícil expressar seus sonhos por meio de linguagem não verbal, ou seja, sem palavras?Que dificuldades sentiram?

Pergunte, então, o que acham que as outras pessoas, que não estão ali, sonham. Será que os adultos sonham? Será que sonham só para si ou será que sonham para todos, também? Que tal convidar os adultos da comunidade para um evento coletivo, uma oficina, em local próximo, em que todos possam expressar seus sonhos, como eles, de forma criativa? E, depois, juntos, darem um destino comum aos sonhos de todos?

Conte para eles que uma ONG, a” Corpo Cidadão”, de Belo Horizonte, finalista do Prêmio Itaú-Unicef de 2011, fez exatamente isso, uma “oficina dos sonhos” com a comunidade, na qual as pessoas escreveram quais eram os seus sonhos num papel, penduraram em balões de gás coloridos e enviaram-nos ao  infinito, todos ao mesmo tempo, para marcar a possibilidade de se sonhar juntos.

Diga que esse evento chama-se intervenção. Trata-se de uma manifestação artística de interação com o público, desenvolvida no meio urbano, em locais de passagem das pessoas, por meio de várias linguagens: dança, música, artes visuais, teatro, vídeo, cinema etc. que têm a intenção de causar uma quebra na vida cotidiana e chamar a atenção para outros valores e realizações importantes na vida das pessoas e que estão, muitas vezes, esquecidos ou adormecidos, como os sonhos.

Proponha que façam uma intervenção parecida, numa praça pública, por aproximadamente 1h, utilizando-se dos mesmos recursos que eles utilizaram no início da oficina: revistas, papel, tinta guache, lápis de cor, cola e tesoura e balões coloridos.

É só marcar a data, local e horário e convidar as outras turmas e profissionais da instituição e da comunidade, por meio de cartazes no bairro e convites orais. Será importante consultar o poder público local, a respeito do uso da praça, ao qual certamente ele não se oporá, mas, se não for possível o consentimento, façam dentro do pátio da instituição mesmo, com menor quantidade de pessoas, envolvendo apenas as famílias e os moradores do entorno.

Quanto aos materiais, eles podem se organizar para conseguir junto aos comerciantes do bairro e, mesmo, coletar revistas e balões, com a própria instituição e com as famílias. Devem combinar também a formação de grupos compostos, heterogeneamente, por crianças, adolescentes e jovens, para se distribuírem pela praça, com os materiais. Alguns adolescentes ou jovens ficarão encarregados de percorrer os grupos para afinar o horário da soltura coletiva dos balões. Alerte-os para não se esquecerem de levar as suas próprias produções, com os seus sonhos, e levarem máquinas fotográficas ou celulares para registrarem o evento com fotos e vídeos.

2º encontro: Na praça dos sonhos.

No dia marcado, conforme o combinado, eles devem se distribuir em pequenos grupos, com os materiais, para facilitar a realização da oficina com o público. Devem explicar o objetivo dela para as pessoas presentes; quem quiser participar, escolherá o que deseja fazer: desenhar, recortar e colar, escrever. Em seguida, escolherá também um balão colorido para amarrar o seu sonho. As crianças, os adolescentes e os jovens que estão coordenando a oficina, também amarrarão os seus sonhos (já manifestados e expressos no primeiro encontro, na instituição), em balões.

A um horário combinado, depois de aproximadamente 1h de oficina, todos se juntarão para, em contagem regressiva, soltarem juntos os balões para o céu.

Seria interessante se este momento fosse registrado em vídeo ou fotografia, assim como pegar alguns depoimentos dos participantes sobre a sensação ao soltarem os balões com seus sonhos.

Hora de avaliar

Terminada a intervenção, eles deverão se juntar num lugar, anteriormente combinado, da praça, para uma avaliação. Sentados em círculo, conversarão sobre a intervenção: como vivenciaram a oficina? Como foi a aproximação das pessoas? Elas participaram bem? Eles ajudaram as pessoas a se envolverem? Tiveram alguma dificuldade? Quais? Que sentimentos, o fato de assumirem a coordenação da oficina, despertou neles? Que sentimentos sentiram, ao ver os balões subindo, colorindo o céu?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Uma pesquisa com familiares e vizinhos, sobre os seus sonhos. São os mesmos de quando eram crianças ou jovens? O que mudou? Os sonhos mudam com a idade? Os resultados da pesquisa poderão ser matéria-prima para a produção de um grande painel, feito pelas crianças, adolescentes e jovens sobre os sonhos da sua gente. O painel poderá ficar exposto na instituição e ser rodiziado, periodicamente, por um certo tempo, para outros espaços da comunidade.

Para saber mais

Intervenção urbana é uma manifestação artística realizada em espaços públicos, geralmente áreas centrais das cidades, que envolve uma performance e tem como objetivo ressignificar esses espaços e chamar a atenção das pessoas para outros valores estéticos, quebrando o ritmo dos afazeres cotidianos. Podem também ser realizadas no interior de estações de trem, de metrô ou de edifícios.   

 Consiste em uma interação com um objeto artístico previamente existente, como um monumento ou com determinado espaço público, por meio de grafites, cartazes, cenas de teatro, dança, música ou outros recursos plásticos, de forma a alterar o significado ou as expectativas das pessoas em relação a esse monumento ou a esse espaço.

A intervenção é sempre inusitada e tem um caráter crítico, em relação à  vida dos grandes centros urbanos. Um poema afixado numa parada de ônibus, por exemplo, faz com que as pessoas sintam um estranhamento e, com isso, parem para lê-lo.

As intervenções podem ter também, como objetivo, defender causas coletivas, de natureza social e ambiental e promover a apropriação, pela população, daquele determinado espaço.

As linguagens e técnicas empregadas nesses trabalhos são bastante heterogêneas. Intervenções podem ser ações efêmeras, eventos participativos, trabalhos que convidam à interação com o público; inserções na paisagem; ocupações de edifícios ou áreas livres, envolvendo oficinas e debates.

Alguns grupos artísticos, que desenvolvem trabalhos dessa natureza, contrapõem-se à arte dos museus, pois afirmam que os mesmos trancafiam a arte, restringindo-a a um certo tipo de fruição e a uma determinada classe social.

Nesse campo das intervenções artísticas urbanas, destacam-se no Brasil, alguns artistas como Flávio de Carvalho (1899- 1973), Hélio Oiticica (1937- 1980); Lygia Clak(1920-1988), Cildo Meireles (1948) e os grupo “3nós3”,  “Viajou sem passaporte” e “Manga Rosa”, entre outros. O movimento ganhou força, a partir do final da década de 90, devido à crescente formação de grupos artísticos que se organizaram em coletivos, nas grandes cidades.

Fontes de Referência

 ( miriampederneiras@gmail.com) Telefone: (31) 3264-4497.

– Enciclopédia Itaú Cultural. Artes visuais. Disponível aqui

Gostou?

Então acesse a oficina “Um dia de intervenção artística na comunidade”, deste banco.

 

 

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