Educação&Participação

Mapeamento das possibilidades e dos problemas da escola.

Início

  • O que éO que é

    Mapeamento das possibilidades e dos problemas da escola.

  • PúblicoPúblico

    Crianças, adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de papel pardo, lápis de cor ou pincéis atômicos coloridos, celulares para registro em vídeo, baú de adereços.folhas de papel pardo, lápis de cor ou pincéis atômicos coloridos, celulares para registro em vídeo, baú de adereços.

  • EspaçoEspaço

    Na escola/organização e na comunidade.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de 1h30.

  • FinalidadeFinalidade

    Aprender a identificar as potencialidades e os problemas de um determinado lugar ou de uma instituição.

  • ExpectativaExpectativa

    Usufruir o que a escola oferece de bom e planejar algumas intervenções para que ela possa ampliar suas possibilidades educacionais.

Na prática

 

Como desenvolver?

1º encontro: O processo de produção da cartografia.

Antes de iniciar a oficina, converse com os outros educadores da instituição e com os gestores sobre o projeto e comunique sua intenção com ele: desenvolver o protagonismo, a participação social e comunitária dos estudantes.

A comunicação com seus pares é importante para que se abram à proposta e eventualmente se sintam inspirados a fazer também um exercício de escuta em relação às crianças, adolescentes e jovens, aproveitando o momento para realizarem um balanço de seu trabalho e da instituição.
Cabe ressaltar que é importante mantê-los informados sobre o andamento do processo, mesmo que não se envolvam diretamente em ações, para que desenvolvam empatia com ele.
Inicie com a turma perguntando, na roda, se já viram ou brincaram de mapa do tesouro alguma vez. Peça para falarem sobre isso: como é, como se joga, como se pode encontrar o tesouro.

Muito bem, o jogo é mesmo a procura de um tesouro que pode ser qualquer coisa considerada valiosa pelo grupo: um videogame, uma revista, um celular ou mesmo um chocolate!
Mas, a procura do tesouro não é às cegas. É apresentado aos jogadores um desenho, uma cartografia, como um mapa do local onde farão os percursos para a procura. Esse lugar pode ser uma floresta, um quintal ou mesmo um aposento de uma casa, ou seja, qualquer lugar.

Para ajudar os jogadores, alguns sinais significativos para o grupo específico que está jogando são distribuídos pelos percursos, para que interpretem os caminhos que têm de ser seguidos.

Pois bem. A proposta da oficina é realizar uma cartografia da escola/organização. É representar o que eles veem que ela tem de bom (suas potências) ou de problemas (desafios) em seus espaços, os quais são percorridos por eles e nos quais vivem experiências todos os dias ou quase todos, ou mesmo, algumas vezes.

A intenção é mapear tudo o que, segundo a percepção deles, a instituição oferece de bom e de ruim nesses espaços, para terem um panorama da escola que eles têm. O tesouro será chegar à escola que eles desejam.

Mas, isso não acontecerá por mágica ou prêmio, como no jogo, e sim dependerá de ações do próprio grupo, decididas e planejadas em conjunto, com a ajuda de outros adultos que trabalham e circulam pela escola. O tesouro será construído por todos… Eles começam e depois chamam outros a participar. Topam?

Oriente que se organizem em grupos de cinco ou seis e distribua folhas de papel pardo para eles, além de lápis de cor e pincéis.

Os grupos desenharão o prédio da escola com o que lembram que ela tem: as salas de aula, o refeitório, os banheiros, a biblioteca, a quadra, a sala dos gestores, os portões…

Em seguida, em cada espaço desenhado, identificarão as coisas boas que lá existem ou acontecem e representarão essas coisas boas com desenhos ou palavras, na cor verde, por exemplo, e as coisas ruins com outra cor, suponhamos laranja.

 

E se?
Se não colocarem todos os espaços existentes na escola, não se preocupe. O importante, na cartografia, é como eles veem e representam a instituição e não o desenho ou o mapa físico de suas dependências. Não lembrar de alguns espaços também diz respeito aos lugares. Isso é particularmente importante se sua turma for de crianças.

 

Deixe-os trabalhar por 45 minutos. Em seguida, peça que formem um painel com suas produções, afixando-as lado a lado, na parede.
Estimule-os a percorrer o painel e a observar bem as produções de todos os grupos, para identificar os pontos em comum entre elas, tanto os positivos como os negativos, pois serão esses pontos de convergência entre os grupos que darão início à ação.

A seguir, faça duas rodas, cada uma com metade da turma. Uma roda discutirá o que foi apontado pela cor verde (coisas boas), nas produções de todos os grupos e, a outra, o que foi apontado pela cor laranja (coisas ruins). Cada uma produzirá um cartaz relacionando os pontos comuns observados, os quais ficarão afixados como síntese, ao lado do painel, para a continuidade da oficina.

Finalizando o encontro, cada roda deverá escolher o ponto mais forte (potente) e o mais frágil (desafiador) da instituição para representar com uma cena teatral sem palavras, só com gestos. Tirem fotos para ampliar e também colocar no painel, ao lado dos cartazes.

E se?
E se sua turma for de crianças? Nesse caso, faça o painel coletivamente e apenas uma roda. Sente-se na roda com eles e uma a uma, vá mostrando as produções dos grupos e ajudando-os a identificar os pontos positivos e negativos, registrando você mesma (o), nos dois cartazes sugeridos.

Para finalizar, em vez de cena teatral, você poderá pedir que representem os pontos positivos (potências a serem otimizadas) e os negativos (desafios), por sabores (doce para o positivo e amargo ou azedo para o negativo).

2º encontro: A cartografia em movimento: análise dos percursos.

Neste encontro, eles farão a análise dos pontos bons e dos pontos ruins apontados pelos grupos, nos dois cartazes que sistematizaram no encontro anterior, utilizando a técnica do “remador”.

E se?

Se sua turma for de crianças, dependendo da idade e da capacidade leitora deles, a técnica do remador torna-se inadequada. Faça, então, uma conversa coletiva com eles, em que possam manifestar suas opiniões e sugestões.

Para começar a atividade, oriente que se organizem em três grupos. Distribua uma folha de papel pardo para cada um dos grupos. Cada folha terá uma pergunta, a saber:

Grupo 1

  • Como poderiam expandir mais a potência dos pontos bons?

(por exemplo, ampliar o horário da sala de leitura, porque é um ponto bom presente nos vários grupos, gostam de ir lá);

Grupo 2

  • Como poderiam melhorar os pontos considerados ruins?

(por exemplo, haver maior tolerância para os atrasos dos estudantes e eventual ausência de uniforme, pois isso os impedem, às vezes, de assistir as aulas);

Grupo 3

  • Quem seriam as pessoas ou os grupos com os quais acham que poderiam contar para ajudá-los a melhorar a escola?

(por exemplo, funcionários, educadores e gestores da instituição, famílias, Conselho, Grêmio, APM, representantes da comunidade, Diretoria de Ensino da região).

Dê um tempo de uns 20 minutos, aproximadamente, para os grupos discutirem e responderem a questão da folha que lhes coube.

Após esse tempo, a um sinal seu, os grupos “remarão” as folhas que estavam consigo, passando-as para outro grupo, no sentido horário. Ao receber a segunda folha, cada grupo lerá as respostas dadas pelos participantes do grupo anterior e apenas acrescentarão outras, se as tiverem. Não devem repetir o que já está relacionado.

Nessa rodada, você pode encurtar o tempo dos grupos para 10 minutos, porque eles gastarão menos tempo para responder as questões, uma vez que já encontrarão algumas respostas dos outros grupos na folha que chegar às suas mãos e apenas irão acrescentar ideias ou sugestões.

Remem as folhas mais uma vez, de forma que as três folhas passem por todos os grupos. No total, haverá duas “remadas”.

Terminada a tarefa, exponha as folhas na parede, no painel, e proponha uma leitura silenciosa de todas elas. Após a leitura, abra para comentários sobre cada uma e sugestões de aprimoramentos.

Converse com eles sobre a importância de levarem sua cartografia da instituição ao conhecimento dos gestores, para que possam pensar sobre o assunto, dialogar com eles e realizar alguns encaminhamentos na direção do que estão propondo. Alguns representantes do Conselho Escolar também deverão ser convidados, assim como alguns professores.

E se?

Se na instituição houver um grêmio, seria importante convidarem alguns representantes para a exposição a ser feita aos gestores. É interessante que o grêmio participe para ajudar a promover também outras cartografias, engajando-se nas mudanças pretendidas. Mas, se não houver um grêmio, um ou dois representantes de cada turma de estudantes da instituição poderão ser convidados.

Discuta com eles a organização do encontro: como expor o material do painel, de forma a ficar bem visível? Eles poderão, por exemplo, expor apenas as cartografias dos grupos em uma parede e os cartazes produzidos na técnica do remador. E a disposição das cadeiras? Elas poderiam ficar em círculo para todos se enxergarem e interagirem.

É hora também de decidir quem vai fazer o quê: quem vai receber os convidados, quem vai apresentar o processo, quem fará os agradecimentos e entregará o material para os gestores, quem registrará. Será interessante que cada ação seja realizada por uma dupla.

Agende um dia com os gestores e representantes dos estudantes, professores e pais, para a realização do encontro.

3º encontro: A cartografia em movimento – apresentação.

No dia, ajude-os a organizar a sala e os materiais. Ajude-os, também, no decorrer do dia, a se sentirem seguros e a se expressar com naturalidade, sem tensões. Os responsáveis pelos registros deverão estar com os celulares a postos.

A dupla responsável pela apresentação contará aos participantes o percurso que fizeram, desde o início da proposta da oficina até o seu final, explicando o que é a cartografia, por que foi feita e o que gostariam de fazer com ela. Mostrarão as cartografias produzidas pelos diferentes grupos e a síntese coletiva das potências e dos desafios.

Para finalizar, eles farão a apresentação das cenas que montaram no primeiro encontro, apontando o ponto mais potente e o mais desafiador que escolheram para representar suas percepções a respeito da escola/organização.

A seguir, passarão a palavra para a manifestação dos gestores e demais participantes e se responsabilizarão pela entrega do material produzido a eles.


Agora é com você: o que mudaria no desenvolvimento da atividade?


 

Hora de Avaliar

Após a apresentação, em grupos, eles avaliarão a oficina, considerando:

  • A proposta – realização de cartografia da escola – foi interessante, produtiva, promoveu aprendizagens? Quais?
  • O processo – a equipe trabalhou em harmonia? Houve consensos? Houve desentendimentos? Como resolveram?
  • O produto – ficaram satisfeitos com a cartografia produzida? E com os encaminhamentos feitos?

 

O que mais pode ser feito?

Uma cartografia ampliada, com a participação das outras turmas da instituição e demais colegiados, como o Conselho de Escola, a APM e representantes da comunidade.

A cartografia coletiva poderá fornecer indícios importantes para fortalecer e ampliar o que a instituição oferece de bom para todos, além de reunir os vários segmentos para enfrentar o desafio do que precisa ser transformado.

Fontes de Referência

  • A CIDADE VISTA POR CARTOGRAFIAS. Maria Júlia Azevedo Gouveia* (relato de prática). Cadernos Cenpec. Disponível em: http://cadernos.cenpec.org.br/cadernos/index.php/cadernos/article/viewFile/145/176.
  • AGUIAR, Lisiane M. As potencialidades do pensamento geográfico: a cartografia de Deleuze e Guattari como método de pesquisa processual. In: XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Caxias do Sul (RS): Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2-6 set. 2010. Disponível em: http://geografias.net.br/papers/12_LisianeAguiar.pdf. Acesso em: 26 ago. 2016.
  • BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Territórios educativos para a educação integral: a reinvenção pedagógica dos espaços e tempos da escola e da cidade. Brasília: MEC, 2010. (Série Mais Educação). Versão preliminar. Disponível em: http://bit.ly/1TsExwb. Acesso em: 25 ago. 2016.
  • INVESTIGAÇÃO CARTOGRÁFICA NA EDUCAÇÃO INTEGRAL. Disponível em: https://educacaoeparticipacao.org.br/tematica/cartografia/.
  • PARÂMETROS SOCIOEDUCATIVOS: proteção social para crianças, adolescentes e jovens – Igualdade como direito, diferença como riqueza. CENPEC; SMADS; São Paulo: Fundação Itaú Social, 2007.

Para ampliar

Migração no mundo de hoje

O conceito de cartografia, em Geografia, está intrinsicamente ligado ao de mapa. Todavia, no século vinte, ele foi sendo apropriado por outras áreas do conhecimento como Psicologia, Ciências Sociais, Filosofia, Comunicação e outras, assumindo novos contornos e significados.

Foi proposta como método de pesquisa ou de investigação, pela primeira vez, pelo filósofo Gilles Deleuze e pelo psicanalista Felix Guattari.

A cartografia é um processo de construção do conhecimento expresso por um conjunto de informações objetivas e subjetivas.

Ela remete a um território espacial, mas incorpora a dimensão subjetiva dos sujeitos, captando o seu espaço existencial povoado por sonhos, desejos, percepções, sensações.
Por essa razão, a investigação cartográfica nem sempre produz um mapeamento, uma representação gráfica. O mais importante é o próprio processo de investigar.

Busca desvelar lugares e acontecimentos que atravessam a vida das pessoas e as afetam, com diferentes graus de intensidade, produzindo mudanças no modo de ver e de viver, gerando aprendizagens e sensações diversas como conforto, medo, frustração, encorajamento, potência.

Propõe diálogo e combinação entre as experiências, interesses, desejos e saberes de crianças, adolescentes e jovens e as suas possibilidades de criar, inventar e intervir em seus territórios. Tem, por finalidade, reconhecer os territórios como lugares de residência, circulação, aprendizagem, diversão, consumo e convívio, mapeando as potencialidades do local, de seus habitantes, de seus interesses.

Ao fazer a cartografia de suas vivências no espaço do território, o jovem percebe a vida no seu entorno: os lugares, as pessoas, os grupos, identificando as fraquezas, as potências e as possibilidades de transformação.

O que se pretende é reverter situações em que as fraquezas geram imobilidade, ressaltando as potencialidades existentes, que podem ser reforçadas nos processos de aprendizagem e nas trajetórias criadoras oferecidas aos adolescentes e jovens.

A cartografia investiga a vida onde ela está acontecendo, nos lugares por onde circulamos, nas pessoas e nos grupos com os quais nos relacionamos nos nossos territórios, nos percursos que fazemos neles.

Por meio dela podemos conhecer o universo das crianças e adolescentes: seus interesses, sentimentos, relacionamentos, identificando o que pode ser vitalizador para aumentar ou diminuir a potência das aprendizagens e de mudanças significativas nesse universo.

A proposta é revitalizar locais estratégicos mais precários, estimular a conscientização da preservação de tais espaços e promover melhorias estéticas nos lugares de circulação, buscando o bem-estar e a valorização da comunidade.

É preciso ter claro que a cartografia não é a representação fiel da escola/organização, nem do seu entorno. Trata-se apenas da representação desse espaço, do ponto de vista dos estudantes.

“Ela pretende disparar o diálogo entre o “eu” e o “outro” num exercício de alteridade. Permite explicitar as trajetórias de vida que acumulam experiências, articulam ações e decisões individuais e coletivas e o reconhecimento de encontros. Encontros acontecem quando alguém se depara com algo, alguém ou algum lugar.” (Gouveia, Maria Júlia Azevedo). Eles podem despertar vários sentimentos e iniciativas. Uma delas é a vontade de agir, de construir novas realidades.

Participe

Gostou?

Veja também as oficinas deste banco: “Descobrindo a nossa cidade” e “Uma expedição pelo território”.

Faça um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total de 0 comentário(s)