Educação&Participação

O Projeto Rio Tapacurá: uma morte anunciada pela degradação humana foi desenvolvido com alunos do 3º ano do Ensino Médio da EE Amélia Coelho- Vitória de Santo Antão (PE), no contexto do curso a distância “Caminhos da Escrita”, da Olimpíada da Língua Portuguesa, em 2015, e apresentado no Seminário Internacional Escrevendo o Futuro - Praticas de escrita: da cultura local à sala de aula, do mesmo ano, em São Paulo. Teve cinco meses de duração (de maio a outubro de 2015).

Na prática

Autoria: Profª Heronita Maria Dantas de Melo.

EE Amélia Coelho- Vitória de Santo Antão – PE

O Projeto Rio Tapacurá: uma morte anunciada pela degradação humana foi desenvolvido com alunos do 3º ano do Ensino Médio da EE Amélia Coelho- Vitória de Santo Antão (PE), no contexto do curso a distância “Caminhos da Escrita”, da Olimpíada da Língua Portuguesa, em 2015, e apresentado no Seminário Internacional Escrevendo o Futuro – Praticas de escrita: da cultura local à sala de aula, do mesmo ano, em São Paulo. Teve cinco meses de duração (de maio a outubro de 2015).

A professora Heronita Maria Dantas de Melo, de Vitória de Santo Antão, Pernambuco, propôs a seus alunos desenvolver, coletivamente, um projeto sobre o lugar onde vivem, tema da Olimpíada, para trabalhar algumas práticas sociais de letramento. Sugeriu que olhassem para a situação do rio Tapacurá, que corta Vitória de Santo Antão, sua cidade, outrora limpo e bonito e hoje degradado, poluído, com as margens desrespeitadas por construções industriais, comerciais e residenciais, o que torna a cidade sujeita a enchentes intensas e frequentes.

A princípio, os alunos pareciam não se importar muito com o rio e como nunca haviam trabalhado com projetos, não viam relação entre a proposta feita pela professora e os estudos de Língua Portuguesa, mas, aos poucos, acabaram convencidos de que poderia ser algo bem interessante.

Para motivá-los, a professora propôs que o gênero principal do projeto fosse história em quadrinhos e que as produções finais dos grupos circulassem pelas outras classes da escola, com a participação de seus autores, e fossem doadas à biblioteca da escola.

Tinha como objetivo, além de trabalhar práticas de letramento em situações reais de comunicação, ampliar a visão de mundo dos adolescentes e jovens, por meio da reflexão e da participação cidadã.

Veja como foram os processos da escolha do projeto e da adesão dos alunos, contado pela profª Heronita.

 

Como afirmou a professora, aceita a proposta, iniciou-se um longo trajeto de trabalho, envolvendo vários gêneros textuais de suporte, como a entrevista e a carta aberta e alguns gêneros auxiliares – palestra, debate e representação cênica.

Acompanhe a retomada dos gêneros trabalhados, que faz a professora Heronita, no vídeo abaixo, com os alunos, abordando as marcas e a função social de cada um deles.

 

O que mais pode ser feito?

No caso do Projeto Rio Tapacurá, a professora Heronita resolveu envolver outras disciplinas que ajudassem a explicar a situação atual do rio e como os moradores da cidade veem a questão. Procurou os professores de História, Biologia, Geografia e Teatro (Programa Mais Educação) e propôs um trabalho interdisciplinar, que foi prontamente aceito pelos colegas, que se dispuseram a trabalhar os seguintes aspectos, em suas disciplinas:

  • História – profª Fátima Cristina Bezerra da Silva: pesquisar a história do rio, realizar uma entrevista com os moradores da região e produzir uma linha do tempo;
  • Biologia – profª Janaína Patrícia dos Santos: estudar o bioma da região (Mata Atlântica) e os ecossistemas (fauna e flora) que fizeram e fazem parte da história do rio.
  • Geografia: profs. Alcides Gomes da Silva e Suely Ferreira dos Reis: trabalhar o conceito de mata ciliar e sua importância na preservação do rio e contenção de enchentes.
  • Teatro: profª Thamiris Rafaele da Silva Mendes: expressar, com a linguagem do teatro, o problema existente, denunciando a situação e apontando alternativas de solução.

Os vídeos que seguem mostram como foi proposta a articulação entre as disciplinas, pelos professores responsáveis, e alguns trechos de oficinas desenvolvidas por eles.

Obs: Infelizmente, não pudemos contar com a oficina de História, porque a professora Cristina estava em licença médica na ocasião da filmagem do projeto.

 

 

 

 

Hora de Avaliar:

Após meses de trabalho, alunos e professores envolvidos declaram-se muito satisfeitos com os resultados do projeto, como se pode verificar por suas próprias palavras, nos vídeos “A Voz dos Alunos” e “A voz dos Professores”.

 

 

Para ampliar

Para saber mais: 

O projeto de trabalho é uma das formas de organização de conteúdos curriculares a serem desenvolvidos com os alunos, no processo de ensino e aprendizagem.

Um projeto de trabalho implica uma questão a ser respondida ou um problema a ser resolvido, que se desdobra em questões/problemas menores, e cujas respostas exigem a realização de pesquisas bibliográficas e de campo. Para isso, são utilizadas várias estratégias como entrevistas, palestras, debates, depoimentos, estudos do meio que, ao final, deverão gerar um produto que traduza os principais aspectos da questão trabalhada. No projeto de trabalho, professores e alunos se transformam em pesquisadores.

Essa proposta de organização curricular foi desenvolvida por Fernando Hernández, doutor em Psicologia e professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona.

Segundo Hernández, o trabalho por projetos “não deve ser visto como uma opção puramente metodológica, mas como uma maneira de se repensar a função da escola”. Não há um método a seguir, ao se adotar o projeto de trabalho, mas uma série de condições a respeitar. A primeira é a escolha do assunto, que deve ser significativo para os alunos, além de cientifica e socialmente relevante.

“Em primeiro lugar, é necessário que se tenha um problema para iniciar uma pesquisa. Pode ser sobre uma inquietação ou sobre uma posição a respeito do mundo. A partir daí, é importante trabalhar as maneiras de olhar o mundo, que são diversas. Mas não interessa só localizá-las e sim entender o significado delas. O resultado é que se constrói uma situação de aprendizagem, em que os próprios estudantes começam a participar do processo de criação, pois buscam resposta às suas dúvidas. Isso é o projeto de trabalho”…

O projeto avança à medida que as perguntas são respondidas. Todo o trabalho deve estar alicerçado nos conteúdos definidos pela escola e pode (ou não) ser interdisciplinar. Ser ou não interdisciplinar é uma escolha e a definição de que disciplinas envolver, em se optando pela interdisciplinaridade, deve vir em decorrência dos problemas a resolver e não anterior a eles.

É fundamental que o professor tenha clareza da sua intencionalidade pedagógica para saber intervir no processo de aprendizagem do aluno, garantindo que os conceitos utilizados, intuitivamente ou não, no desenvolvimento do projeto, sejam compreendidos, sistematizados e formalizados pelo aluno. Todo projeto precisa estar relacionado com os conteúdos, para não perder o foco. Além disso, é fundamental estabelecer limites e metas para a conclusão do trabalho. Cabe ao educador saber aonde quer chegar, estabelecer um objetivo e exigir que as metas sejam cumpridas.

O trabalho com projetos, embora constitua um novo desafio para o professor, pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na integração entre conteúdos das várias áreas do conhecimento, bem como entre diversas mídias (computador, televisão, livros), disponíveis no contexto da escola. Segundo Maria Elisabette Prado, o conhecimento específico – disciplinar – oferece ao aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as particularidades de um determinado conteúdo, e o conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a possibilidade de estabelecer relações significativas entre conhecimentos. Ambos se realimentam e um não existe sem o outro.

Momentos de um projeto de trabalho: Escolha da questão; Desdobramento em questões ou problemas mais específicos; Planejamento do Trabalho; Trabalho de Campo/Pesquisa ou Investigação e Produção;  Preparação do Produto Final; Apresentação dos Resultados, Avaliação.

Fontes de Referência:

  • Projeto Rio Tapacurá: uma morte anunciada pela degradação humana, desenvolvido e apresentado pela professora Heronita, no Seminário Internacional Escrevendo o Futuro – Praticas de escrita: da cultura local à sala de aula, em junho de 2015.

 

  • Livros:

HERNÁNDEZ, F. & VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho: o   conhecimento é um caleidoscópio. Porto Alegre: Art Med, 1998

  • Sites:

http://novaescola.abril.com.br/ed/154_ago02/html/repcapa_qdo_hernandez.htm (entrevista com Hernandez).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_e_trabalho_de_projeto

 

Gostou?

 Acesse também o Projeto Socioambiental e o Projeto Marujada, da EM MARIA DA CONCEIÇÃO ATAÍDE, escola do campo de Coronel Fabriciano- MG, neste banco.

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Total de 1 comentário(s)

  •    LINDINALVA QUEIROZ  em 
         Educação&Participação respondeu em