Educação&Participação

Reflexão sobre o preconceito racial contra os negros.

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  • O que éO que é

    Reflexão sobre o preconceito racial contra os negros.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens

  • MateriaisMateriais

    dicionários, data show, acesso à internet, música suave, revistas, folhas de papel pardo, pincéis atômicos.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de aula.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de 1h30 (uma hora e trinta minutos).

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender o preconceito racial como uma construção sócio- histórica que desqualifica e exclui pessoas.

  • ExpectativaExpectativa

    Conhecer as raízes da exclusão social, aprender a questionar os costumes sociais e a defender direitos e oportunidades iguais para todos; desenvolver atitudes de respeito e tolerância às diferenças raciais.

Na prática

Inicie a oficina, com uma dinâmica de acolhimento.

Proponha que circulem pelo espaço, ao som de uma música suave. Diga que prestem atenção às suas comandas, enquanto estiverem andando, e as executem quando você interromper a música. Ao reiniciá-la, eles continuarão a andar até a interrupção seguinte.

Primeira comanda:

  • quando a música parar, você ficará de frente para o colega mais próximo. Sorriam um para o outro, perguntem o nome do colega e como ele gosta de ser chamado. Ao se despedir, façam um gesto carinhoso um para o outro.

Continua a música.

Segunda comanda:

  • quando a música parar, você ficará de frente para o colega mais próximo. Cada um perguntará ao outro de que doce mais gosta e oferecerá, “simbolicamente” (faz de conta), o doce preferido ao outro.

Continua a música.

Terceira comanda:

  • quando a música parar, você ficará de frente para o colega mais próximo. Perguntem um ao outro o que mais gostaria de ganhar de presente e ofereçam um ao outro, “simbolicamente”, esse presente.

Continua a música.

Quarta comanda:

  • quando a música parar, cada um procurará os colegas com quem teve interlocução durante a atividade, para dar as mãos, formando uma roda. Como todos se cruzaram antes, acabarão por formar uma única e grande roda. Coloque uma ciranda para dançarem.

A seguir, convide-os a se sentarem, em roda, para conversar sobre a dinâmica realizada: gostaram?

Por quê?

Sentiram-se acolhidos?

Que sentimentos despertaram as gentilezas quando oferecidas e quando recebidas? São sentimentos positivos?

Já experimentaram essas sensações?

É sempre isso que acontece entre as pessoas, na vida cotidiana?

Alguém já viveu o oposto?

Pergunte se alguém já se sentiu discriminado numa roda de amigos, na vizinhança, numa festa ou evento.

Que hipóteses têm para explicar essa discriminação?

Será que por ser muito jovem, por ser negro, por ser gordinho, por ser mulher, por não ser da turma?

O que teria mobilizado a discriminação?

Abra a palavra para falarem sobre o assunto.

Indague se sabem que esse comportamento de afastamento e exclusão chama-se preconceito.

Sabem o significado de preconceito?

Já tiveram a curiosidade de procurar nos dicionários?

Oriente que, em duplas, peguem os dicionários disponíveis na sala e peça que alguém procure e leia para o grupo o significado da palavra preconceito, ou leia você mesmo, se eles tiverem dificuldade.

Segundo o dicionário Michaelis:

preconceito 
pre.con.cei.to

sm (pre+conceito1 Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2 Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. 3 Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem. 4 Social Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos. P. de classe: atitudes discriminatórias incondicionadas contra pessoas de outra classe social. P. racial: manifestação hostil ou desprezo contra indivíduos ou povos de outras raças. P. religioso: intolerância manifesta contra indivíduos ou grupos que seguem outras religiões

Preconceito, portanto, é uma atitude de intolerância com o diferente, intolerância essa que é histórica e socialmente construída, para marginalizar e oprimir um grupo social mais fragilizado num determinado contexto, como os negros, os indígenas, as mulheres e os obesos o são, em nossa sociedade. Com o passar do tempo, a atitude de marginalização se cristaliza, acaba se naturalizando, e as razões apontadas para a discriminação acabam parecendo “verdadeiras”, passando de geração a geração.

Conte para eles que há vários estudos que comprovam que as crianças crescem reproduzindo as atitudes e o discurso social dos adultos do meio em que vivem e, desta forma, acabam por desenvolver comportamentos preconceituosos, desde a mais tenra idade. Isso acontece lentamente, pela repetição constante de práticas preconceituosas, mesmo que veladas. E, quando os adultos se dão conta, o preconceito está instalado.

Para ilustrar essa questão, proponha que assistam a um vídeo que você projetará para eles e que mostra exatamente esse fenômeno, no que se refere ao preconceito em relação aos negros, na sociedade norte-americana.

Trata-se de uma reportagem da CNN (Cable News Network – canal a cabo americano, exclusivamente jornalístico), que apresenta um estudo sobre o comportamento preconceituoso de crianças, realizado por uma equipe de psicólogos da Universidade de Chicago, em 2013, nos Estados Unidos.

Esse estudo é similar a uma experiência realizada em 1940 (73 anos antes), por um casal de psicólogos americanos negros – Kenneth Bancroft Clark e Mamie Phipps Clark, com crianças brancas e negras e bonecas brancas e negras, para investigar a discriminação e a segregação racial nas escolas americanas.

A reportagem Teste das bonecas e as relações sociais está hospedada no site you tube, indicado abaixo.

Após a projeção, forme grupos para discutirem algumas questões sobre o vídeo:

Qual foi o comportamento mais frequente observado nas crianças?

-Todas as crianças deram respostas iguais?

– Quais respostas foram diferentes?

– A que atribuem essas respostas diferentes?

– A equipe de psicólogos contatou diferenças entre seu estudo e a do casal Clark? Houve algum avanço na atitude de não discriminação?

– E no Brasil? Acham que os resultados seriam diferentes?

– Se as crianças são influenciadas pelo discurso dos adultos, o que acham que seria importante para conquistarmos a igualdade entre todos?

Dê aproximadamente 20 minutos para a discussão nos grupos. Acompanhe o trabalho e ajude-os na escuta do outro.

Abra a seguir a roda para a socialização e o debate. Anote em um cartaz as principais conclusões a que chegaram, em relação a cada pergunta feita e afixe na parede.

Leia-as, ao final, para que reconheçam os variados posicionamentos.

E se?

Se houver algum debate mais acalorado, intervenha. Ressalte que o objetivo do debate e das reflexões é entender que a discriminação é uma atitude construída socialmente e, para que nos tornemos todos melhores seres humanos, precisamos entendê-la para evitar a reprodução.

Para finalizar, projete outro vídeo, apresentando o que pensa sobre o preconceito o menino Gustavo, um garoto negro, do quinto ano da escola do CEU (Centro Educacional Unificado) Curuçá, da Zona Leste da cidade de São Paulo.

Ele deu o seu depoimento, ao término do Projeto Leituraço, realizado nas escolas municipais, em junho de 2015, pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que propõe a leitura de contos africanos nas escolas da rede por um determinado período de tempo, para que as crianças e adolescentes da rede entrem em contato com cultura africana, descobrindo seus encantos e para valorizá-la. Sua fala surpreende pela consciência que revela a respeito da questão. Clique aqui para ver. 

Assim como Gustavo e algumas das crianças da reportagem da CNN, podemos perceber o quão é importante falarmos sobre a origem histórica e social dos preconceitos e valorizarmos as produções culturais das diferentes raças/etnias, como forma de desenvolvermos atitudes e comportamentos de solidariedade, de convivência amistosa e de justiça.

Após a projeção, peça que falem, no coletivo, o que podem aprender com a fala de Gustavo. Relacione essas aprendizagens em um cartaz e afixe na sala, como produção da turma.

 

Para ampliar

Hora de Avaliar:

Disponha várias revistas para o grupo e cole papel pardo na parede para montarem um painel coletivo. Em duplas, peça que avaliem a oficina, escolhendo uma imagem que represente o que significou para cada uma delas o assunto tratado na oficina. Abra para comentários e peça para darem um título ao painel.

 

E se?

Se não houver consenso em relação ao título, registrem os títulos mais solicitados, mesmo que sejam vários. Explore com eles essa diversidade de interpretações dentro do grupo e aponte como foi importante a compreensão e a tolerância com as diferenças e como essa atitude é fundamental para a convivência na sociedade.

O que mais poderá ser feito?

Uma oficina de criação literária para que os estudantes escrevam pequenos contos ou HQs, tendo como tema central o preconceito.

Uma pesquisa na internet selecionando outros episódios de racismo para serem trazidos para o debate no grupo.

Fontes de Referência

http://www.sae.gov.br/imprensa/noticia/materias/banco-de-dados-mostra-situacao-da-populacao-negra-do-brasil/

 http://www.brasil.gov.br/educacao/2012/07/censo-2010-mostra-as-diferencas-entre-caracteristicas-gerais-da-populacao-brasileira

http://www.brasil.gov.br/@@busca?b_start:int=10&Subject:list=PNAD

Para saber mais

O resultado do Censo Demográfico de 2010 (o Censo é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de dez em dez anos), que levantou dados sobre as “Características Gerais da População, Religião e Pessoas com Deficiência”, mostra que a população negra é predominante no Brasil. Mas, mesmo assim,ainda sofre com a desigualdade racial.

Em comparação com o Censo realizado em 2000, o percentual de pardos cresceu de 38,5% para 43,1% (82 milhões de pessoas) em 2010.  A proporção de pretos também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões) no mesmo período. Esse resultado também aponta que a população que se autodeclara branca caiu de 53,7% para 47,7% (91 milhões de brasileiros).

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, 53% dos brasileiros se declararam pretos e pardos, ou seja, a maioria da população.

Adriana Beringuy, técnica do IBGE, afirma que esse percentual não tem relação com o aumento da taxa de natalidade entre os negros e pardos. O fator mais determinante, segundo ela, é a autodeclaração.  “Pode ser que também esteja aumentando a miscigenação entre as pessoas”, diz. “Mas o que observamos mesmo é a predominância da autodeclaração”.

Para Katia Regis, coordenadora da primeira licenciatura do Brasil em estudos africanos e afro-brasileiros, o crescimento da população que se autodeclara negra é o reflexo dos anos de luta do movimento negro e também do acesso à educação. “A população negra que tem mais acesso ao conhecimento efetivo da história africana e afro-brasileira passa a se ver mais positivamente como negra”, diz. Conhecendo sua história, os negros assumem o orgulho da sua cor.

A PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, realizada anualmente pelo IBGE), em 2014, apontou que houve crescimento no acesso de negros à universidade e à pós-graduação, mas a desigualdade em relação aos brancos ainda é grande.

No grupo de pessoas de 15 a 24 anos que frequentava o nível superior, 31,1% dos estudantes eram brancos, enquanto apenas 12,8% eram pretos e 13,4% pardos. O número de estudantes negros (soma de pretos e pardos) no mestrado e no doutorado mais que duplicou de 2001 a 2013, passando de 48,5 mil para 112 mil. Mas, ainda assim, apesar de representarem a maior parte da população brasileira, os estudantes negros representam apenas 28,9% do total de pós-graduandos.

Nessa perspectiva a política afirmativa de cotas é fundamental para tentar corrigir a distorção histórica. Para o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eloi Ferreira de Araújo, a política das cotas nas universidades brasileiras é um dos caminhos mais importantes para que esses números não se repitam no próximo Censo.

Ainda de acordo com os dados da PNAD, 13% dos negros com idade a partir de 15 anos ainda são analfabetos. Somando todas as raças, o total de pessoas que não sabem ler nem escrever no país chega a 10% da população. O maior percentual de analfabetismo entre a população negra está registrado no Nordeste, 21%. Depois vêm o Norte e o Sul, abaixo da média, cada um com 10%, seguidos da região Centro Oeste, 9% e do Sudeste, com 8%.

O último Censo traz também um dado já conhecido: brancos continuam recebendo salários mais altos e estudando mais que os negros (pretos e pardos, segundo classificação do IBGE).

Segundo o Banco de Dados sobre a população negra (produzido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos – SAE, da Presidência da República, em parceria com a Faculdade Zumbi dos Palmares, com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racional e a Fundação Getúlio Vargas), no Brasil, os negros representam apenas 20% dos brasileiros que ganham mais de dez salários mínimos.

Outro dado estarrecedor é revelado pela Anistia Internacional Brasil: Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticada por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.(https://anistia.org.br/campanhas/jovemnegrovivo/).

Gostou? Acesse também a oficina “Cor e Preconceito no Brasil”, deste banco.

Participe

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Total de 2 comentário(s)

  •    Ana Lucia Neris  em 
         Educação&Participação respondeu em 
  •    michelle  em 
         Educação&Participação respondeu em