Educação&Participação

Discute as consequências dos atos praticados na internet.

Início

  • O que éO que é

    Reflexão sobre a relação entre a identidade civil e a identidade virtual.

  • PúblicoPúblico

    Crianças e adolescentes

  • MateriaisMateriais

    Certidão de nascimento ou carteira de identidade, um smartfone/computador por dupla, data-show.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de informática ou espaços públicos com acesso à internet.

  • DuraçãoDuração

    Aproximadamente 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Perceber as diferenças existentes entre as ações das pessoas físicas, na vida cotidiana, e as ações das pessoas, no mundo virtual; compreender o alcance das consequências dos atos praticados em uma e em outra situação.

  • ExpectativaExpectativa

    Usar a internet com segurança e responsabilidade; refletir sobre as práticas que circulam na web, protegendo-se dos riscos a que se está sujeito no mundo virtual e respeitando as outras identidades virtuais.

Na prática

Como desenvolver?

Combine com os adolescentes ou jovens um dia para trazerem seus documentos de identidade: certidão de nascimento, carteira de identidade.

Na roda, peça que leiam o que está escrito na certidão ou na carteira de identidade: o nome, a data e local de nascimento, a filiação, a data e o local de expedição do documento. A carteira de identidade traz também as impressões digitais da pessoa.

Discuta com eles o significado desses documentos: eles são a prova de que existimos; precisamos nos identificar a todo o momento, na nossa vida social: ao nos inscrevermos para frequentar um curso, para conseguir os serviços de um banco, para comprovar idade no cinema ou em viagens.

Os documentos de identidade nos identificam como cidadãos. Pergunte se alguém passou por uma situação em que precisou mostrar um documento de identidade e não o tinha consigo. O que aconteceu?

Considere então com eles que, atualmente, vivemos praticamente em dois mundos: o concreto, do dia a dia e o virtual. No mundo concreto, precisamos ter nossa identidade reconhecida socialmente. E no mundo virtual? Será que para circular nele, nós também precisamos ter uma identidade reconhecida? Ela é a mesma da vida real (RG)? O que nos identifica nesse mundo?

Deixe que discutam por algum tempo. Se alguém citar o e-mail como elemento dessa outra identidade (as redes sociais também podem ser exemplos), aproveite e explore o assunto, discutindo o que é e para que serve esse serviço na internet, quais as diferenças entre as formas virtuais de comunicação a distância e as cartas enviadas pelo correio e como se constitui a existência do sujeito no mudo digital, a partir de sua identificação por um e-mail, conta em rede social etc.

Pergunte se todos têm e-mail.

Considere ainda que a tecnologia mudou a forma como nos comunicamos.  No passado, a comunicação era verticalizada, partindo de alguns para muitos, como por exemplo, de um jornal, de uma emissora de TV ou de rádio para, respectivamente, um grupo de leitores, de telespectadores ou de ouvintes. A imprensa escrita ou falada era a produtora de informação e nós, os receptores; no máximo, podíamos ser críticos ou reprodutores dessa informação.
Hoje, a comunicação se constrói na participação. Além de termos mais fontes de informação, visto que é possível pesquisar qualquer assunto na internet e ter acesso a diversas fontes, também somos autores em potencial. Nós podemos expor nossas ideias e visões de mundo, via comentários ou postagens nas redes sociais e blogs. Qualquer um pode ser autor, por exemplo, de um verbete na Wikipedia, que será usado como fonte por outras pessoas. ( Wikipedia é uma enciclopédia multilíngue online, livre e colaborativa).

E se?

Se, eventualmente, houver algum adolescente ou jovem que não possua e-mail, exercite a criação de correio eletrônico com eles, por meio de provedores gratuitos. Convide os que já tem e-mail para ajudá-los nos procedimentos de criação e de uso, assim como de consulta à caixa pessoal de mensagens.

A comunidade virtual é um exemplo dessa nova forma de existir, baseada na autonomia, liberdade de criação e na valorização da experiência de cada um. Via comunidade virtual, podemos nos agregar àqueles que pensam como nós ou conhecer novos grupos de qualquer parte do mundo, conversar, expressar nossas experiências e, assim, construir conhecimentos, coletivamente.

Para tornar essas questões vivas, convide-os a se inscreverem, nesse momento, em um espaço virtual, auxiliados por você.

Escolha um site, um portal ou uma comunidade virtual que julgue interessante para eles, de acesso público e gratuito, mas que exija o preenchimento de formulário para a participação. Sugestões: Jovens Comunicadores Tela BR

Chame a atenção para as marcas desse gênero de texto que solicita dados pessoais como data de nascimento, naturalidade, nacionalidade, órgão expedidor da carteira de identidade etc. Oriente-os quanto ao uso de maiúsculas, siglas, datas e quanto ao significado dos termos como naturalidade e nacionalidade.

Eles terão de criar um nome de usuário e senha próprios para o cadastramento e posterior acesso a essa página. Chame a atenção sobre o fato de esses procedimentos constituírem mais uma faceta de sua identidade virtual na internet. Estimule-os a levantar as diferenças dessa identidade virtual com a identidade real (RG).

É importante falarem sobre os cuidados que se deve ter quanto à privacidade de seus dados, como o sigilo de senhas e demais providências para o uso seguro dos recursos da rede. Assim, oriente-os para que fiquem atentos às seguintes recomendações:

– não divulgar suas senhas pessoais, mesmo que para namorado ou amigo.

– não salvar suas senhas em computadores, principalmente os de uso coletivo; anotá-las em um caderno e guardá-las em lugar seguro.

– evitar publicar fotos e imagens com dados pessoais, principalmente imagens das quais possam se arrepender no futuro. A internet dá a possibilidade de qualquer pessoa ter acesso e armazenar essas imagens.

Para ampliar a compreensão da constituição da identidade virtual, discuta com eles as diferenças existentes entre a comunicação por e-mail e a comunicação instantânea como o bate-papo do Google, disponível no interior do Gmail, Skype, Facebook e Whats app.

Saliente que a diferença está na linguagem e nos recursos que se podem utilizar, conforme o destinatário e o objetivo da comunicação, porque é usual se utilizar o e-mail como instrumento de trabalho, além das conversas informais, assim como o  Skype , que permite a conversação, ao vivo, com imagens. Daí a importância de se estar atento à linguagem que deverá ser utilizada em cada situação. Já no caso do Facebook, a linguagem é mais informal, da mesma forma que no uso do Skype, com amigos.

Aproveite a ocasião e verifique quantos usam a comunicação instantânea pela web, se usam redes virtuais e que redes são essas. É muito provável que a maioria participe de redes, por isso promova o debate para saber o que pensam sobre elas.

Nesse momento, provoque uma reflexão sobre as implicações desses recursos, como a exposição de aspectos da identidade de cada um na rede mundial da internet. Eles têm noção do que isso significa? Discuta com eles o alcance da internet, a ligação direta com o mundo do mercado, nem sempre conhecido, nem sempre confiável e ao qual ficamos expostos, muitas vezes sem ter consciência.

Pergunte se conhecem algum caso de uso irresponsável dos dados de uma determinada pessoa na internet, de golpes nas contas bancárias e cartões de crédito, de montagens difamatórias de imagens de pessoas. Provavelmente terão ouvido ou lido casos assim, nos noticiários de TV, nos jornais ou na própria internet, mesmo que não tenham ocorrido com pessoas próximas.

O termo Cyberbullying  é usado nas situações em que se utilizam ferramentas da internet – como comunidades, redes sociais, whatsapp, aplicativos – para humilhar e ofender alguém de forma constante.

Em 2012, foi aprovada a Lei Carolina Dieckmann, Lei 12737, de 03 de dezembro de 2012, que caracteriza alguns crimes virtuais e penaliza práticas como invadir eletrônicos em geral (celulares, tablets, notebooks, entre outros) para obter ou modificar dados do dono original. Quem for preso sob tal acusação pode pegar de três meses a três anos de prisão, além de pagar multas. A lei leva o nome da atriz que lutou na justiça pela punição do(s) responsável(eis) por fotografá-la na intimidade, sem autorização, e divulgar tais fotos internet.

Pergunte se já ouviram falar em sexting (união das palavras em inglês sex (sexo) e texting (envio de mensagens), popularmente conhecido por Nudes (envio de fotografias e vídeos nus em redes sociais), uma combinação de textos e fotos sensuais (nus ou seminus) enviados por celular, e-mail, webcam, geralmente para paqueras, ficantes, namorados (as), maridos. E se sabem a que essa prática pode levar.

Um dos perigos do nudes é que o material pode ser divulgado facilmente e sair do controle, atingindo grande alcance. É aí que pode entrar o bullying, pois o material chegará rapidamente nas caixas de e-mail e celular de todos os colegas de escola ou de trabalho. Além disso, as imagens podem cair também nas mãos de outras pessoas, inescrupulosas, que podem tirar proveitos delas ou utilizá-las em sites pornográficos.

Projete para eles a animação abaixo “Sexting: no lo provoques”, da Pantallas Amigas (organização educacional que cuida da proteção de crianças e de adolescentes na internet).

Após a projeção, abra a discussão sobre o que pensam a respeito da questão, discutam as suas implicações éticas e consequências.

Para fechar a oficina, sistematize com eles as dicas oferecidas pelo Ministério Público Federal e a Safernet Brasil.

  • não expor detalhes da vida pessoal ou dados como endereços e telefones na rede;
  • evitar distribuir ou colocar fotos em sites de relacionamentos, blogs (páginas criadas pelo próprio usuário para postar suas ideias) ou enviá-los por e-mails (correios eletrônicos) ou mensagens de whatsapp (software utilizado para troca de mensagens de texto instantaneamente, além de vídeos, fotos e áudios através de uma conexão a internet);
  • tomar cuidado com o que escreve ou com as imagens que publica na rede;
  • não responder às agressões e bloquear os contatos de agressores no celular, sites de relacionamento ou e-mails.”

Finalize projetando o site e o vídeo da Safernet que comemora o Dia da Internet Segura (05 de fevereiro), mobilizando mais de 85 países no mundo, e anuncie o site que ela criou especificamente para orientar os adolescentes a navegarem com segurança e responsabilidade, favorecendo a participação juvenil e o engajamento cidadão.

Ofereça ainda o canal de orientação HelpLine Brasil, para internautas que estejam vivenciando alguma situação de perigo e risco na rede. O atendimento é feito por uma equipe de psicólogos e pode ser realizado via chat ou e-mail. O contato por chat está disponível nos dias úteis (segunda à sexta) das 13h às 19h. Já a orientação via e-mail pode ser solicitada ininterruptamente (24h por dia, todos os dias da semana) e a equipe responde às mensagens em até 2 dias úteis.

Hora de avaliar

Coloque na roda a discussão sobre as aprendizagens do dia: quais foram? Já sabiam tudo a respeito do que foi trabalhado ou houve descobertas? Que descobertas foram essas? Qual delas foi mais impactante? O que muda na sua vida virtual, depois disso?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Os jovens poderão fazer uma busca sobre informações  de sua própria pessoa, disponíveis na rede, e discutir as conclusões que podem tirar delas sobre sua identidade virtual. Qual é? Como está caracterizada na rede? Concorda com ela?

Eles podem também procurar informações sobre personalidades, autores ou cantores prediletos ou pessoas próximas.

Para saber mais

A inserção da internet na vida cotidiana das pessoas, atualmente, é tão grande que, às vezes, perde-se a dimensão das diferenças entre o mundo real e o virtual, entre o mundo público e o privado.

A exposição das pessoas no meio virtual, particularmente de adolescentes é um dos problemas que tem sido bastante discutido na mídia.

O diretor de prevenção da Safernet, psicólogo Rodrigo Nejm, chama a atenção para a necessidade de oferecer condições para que crianças e adolescentes possam navegar com segurança.

“Precisamos lembrar que a facilidade para usar a rede não significa, automaticamente, que este público esteja amadurecido e tem condições de auto avaliação crítica sobre os limites. Mediar a navegação e estabelecer limites não é proibir, mas pelo contrário, estimular o exercício responsável da liberdade e autonomia também na internet. Estes estímulos podem vir da escola, da família, das empresas de internet e das politicas públicas, sites educativos, de forma complementar e não exclusiva”.

Além disso, é importante refletir com os adolescentes como empresas de marketing estão coletando dados dos internautas e usando-os para influenciar eleições pelo mundo. Mas isso é uma outra conversa!

Fontes de Referência

–  Safernet Brasil

– Pantallas Amigas

Gostou?

Acesse também a oficina “Navegar é preciso”, deste banco.

Participe

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