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A problematização de situações vividas pelas mulheres e aceitas como naturais, mas que não passam de mero preconceito ou violência física ou simbólica.

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  • O que éO que é

    A problematização de situações vividas pelas mulheres e aceitas como naturais, mas que não passam de mero preconceito ou violência física ou simbólica.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens

  • MateriaisMateriais

    folhas de papel craft, pincéis, filipetas com frases indicadas na atividade um saco de pano para as filipetas, data show com acesso à internet, cartaz com a letra do rap Não me cale, nem me culpe# me respeitaae, da campanha contra a violência a mulher, das jovens da organização social CAMTRA – Casa da Mulher Trabalhadora–RJ, aparelho de som e o rap Só um tapinha, do bonde do Tigrão, que você encontra hospedado no site Letras de Músicas. www.letras.mus.br/bonde-do-tigrao/so-um-tapinha/,

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de 1h30(uma hora e trinta minutos)

  • FinalidadeFinalidade

    Aprender a questionar os costumes que violentam, oprimem e humilham os seres humanos

  • ExpectativaExpectativa

    A compreensão de que muitos comportamentos em relação à mulher, aceitos como naturais tanto por homens como por mulheres, são formas de opressão; desenvolver atitudes de solidariedade e de ajuda para as pessoas que enfrentam situações de violência física ou simbólica; responsabilizar-se por algumas intervenções possíveis que evitem a violência.

Na prática

Receba os adolescentes na roda, com o rap Só um tapinha , no aparelho de som, tocando algumas vezes. Observe a reação deles.

Terminada a audição, pergunte:

O que acham da letra desse rap? Estão de acordo?

Um tapinha só, não dói?

Deixe que falem o que pensam, por alguns minutos.

 Questione:

O que consideram um ato de violência?

Já ouviram falar em violência simbólica?

Têm ideia do que seja?

Anote na lousa ou em um cartaz as respostas que derem.

E se?

Se alguns ou a maioria manifestarem que não há nada a se questionar na música, que não, ela não expressa violência, não insista. Diga que colocará novamente a música para que apenas escutem atentamente a letra e reflitam sobre a visão de mulher que ela transmite. Não inicie o debate, neste momento. Este momento é apenas para desestabilizar as opiniões, a fim de que se abram a novas possibilidades de pensamento, em relação ao tema.

Anuncie que iniciarão um jogo.

Você colocará na roda um saco de pano, com pequenas filipetas, nas quais estão escritas algumas frases sobre alguns comportamentos usuais, em relação às mulheres, em nossa sociedade, que entrarão em discussão no grupo:

Normalidade ou violência?

Você fechará os olhos, jogará o saco e quem pegar, retirará uma filipeta, cuja frase lerá em voz alta e comentará a sua opinião a respeito, justificando-a.

Abre-se, então, uma discussão de dez minutos, na roda, sobre o assunto, mediada por você. Passados os dez minutos, a pessoa que está com o saco fecha os olhos e joga o saco na roda. A pessoa que pegar, retira uma filipeta e lê a frase em voz alta, comentando o que pensa, justificando sua opinião. Abre-se novamente o debate por dez minutos e assim por diante, até terminarem as frases.

Observação: as filipetas das frases lidas devem ser retiradas do saco, não entrando em outra rodada.


Frases:

  1. Quando Simone passa na esquina de sua rua, é chamada pelos homens de “gostosa”.
  2. Diana não pede ao namorado para usar camisinha, pois tem medo de que ele pense que ela tem outro.
  3. Marilene desistiu de continuar frequentando a escola porque engravidou.
  4. O pessoal da escola chama Clara de piranha porque ela anda com camisinha na bolsa.
  5. Os meninos mexem com as meninas que usam shorts

curtinhos, porque elas fazem isso para intencionalmente provocá-los.

  1. Na escola, dizem que Mariana é vulgar porque anda sozinha à noite e tem muitos amigos do sexo masculino.
  2. Os estupros acontecem porque as mulheres dão motivo

Conforme os estudantes forem expressando as opiniões, após a leitura de cada frase, questione os argumentos apresentados por eles, de forma que possam colocar em dúvida suas certezas, com perguntas como as seguem:

A liberdade do homem é diferente da liberdade da mulher?

Existem liberdades diferentes?

 Por quê?

A quem pertencem os corpos?

Existe alguém com direito de desrespeitar, agredir ou invadir o corpo do outro?

Quem deu esse direito?

A responsabilidade de engravidar é apenas da mulher?

Terminnado o jogo das frases, pergunte se sabem que há leis na Constituição brasileira que garantem a integridade das pessoas e, particularmente, no caso, da mulher (Lei Maria da Penha). Convide-os a conhecê-las.

Projete para eles o texto do artigo 5º, inciso I da Constituição Brasileira, que trata da igualdade entre os sexos. Não é necessário ler o artigo todo. O importante é que eles saibam que a lei existe e onde podem encontrá-la quando quiserem ou precisarem saber mais.

Em seguida, projete o texto do Título I da lei Maria da Penha, para ler com eles. O texto trata da coibição da violência contra a mulher. A lei foi decretada pelo Congresso Nacional, em agosto de 2006.

Recebeu esse nome, em homenagem à cearense Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica, que sofreu agressões e duas tentativas de homicídio, por parte do marido, ficando tetraplégica.

Hoje, ela, vítima emblemática da violência doméstica, aos 70 anos (nasceu em 1945) e com três filhas, é líder de movimentos em defesa dos direitos das mulheres.

Volte, então, para os cartazes com as respostas dadas por eles sobre violência e sistematize os conceitos, perguntando como definiriam, agora, um ato de violência.

Aproveite as hipóteses levantadas por eles, aproximando-as do conceito veiculado pela Organização Mundial da Saúde, desde 2002: violência é o uso intencional de força física ou do poder contra si mesmo, outra pessoa ou uma comunidade.

Amplie, dizendo que a violência pode ser direta ou indireta e pode assumir uma natureza simbólica ou psicológica.

A violência física é uma violência direta, que causa danos corporais, lesões e até a morte. Exemplos: tapas, empurrões, chutes, mordidas, tentativas de asfixia, afogamento, uso de armas. Cabe ressaltar que a violência sexual (estupro) também é violência física e é uma das formas de violência muito praticada contra a mulher, em nosso país.

A violência indireta pode ser simbólica ou psicológica. A violência simbólica é um conceito social elaborado pelo sociólogo francês Pierre Bordieu e ocorre quando não há coação física, mas causa danos às pessoas.

Ela é fundamentada em crenças preconceituosas, que são continuamente repetidas na sociedade, pela educação e pela mídia, induzindo pessoas de determinados grupos sociais a se posicionarem no espaço social, seguindo critérios e padrões do discurso dominante, reconhecido pela sociedade, em geral, como legítimo e que, por isso, aparenta naturalidade.

A violência simbólica é o meio de exercício do poder dos mais fortes sobre os mais fracos. Ela se expressa como uma forma “legítima” de relação entre dominantes e dominados. Isso ocorre porque o grupo oprimido absorve, de maneira involuntária, o discurso do outro, dominador. Por exemplo, quantas vezes ouvimos pessoas humildes dizerem que seu filho “não tem mesmo cabeça para estudos”, “é fraco das ideias”? Por que será que afirmam isso?

A classe média diz isso de seus filhos?

E, quantas vezes ouvimos de pessoas que se julgam superiores “sabe com quem está falando?” ou “escute aqui: cada macaco no seu galho, ok?”.

Pode ocorrer na forma de agressão verbal nas relações de trabalho e na relação entre professores e alunos; em atitudes sutis de discriminação de gênero e raça; na imposição de padrões culturais, de linguagem e sotaque, por exemplo.

A violência psicológica, geralmente, ocorre de forma “indireta”, como humilhações, ameaças, palavrões, privação de liberdade, entre outras, independentemente, de grupos culturalmente fragilizados. A agressão não ocorre no corpo, mas a violência gera transtornos de natureza psicológica, constrangendo a vítima a adotar comportamentos contra sua vontade ou tirando-lhe a liberdade. Neste caso, a pessoa agredida pode se sentir culpada pelos transtornos que lhe ocorrem, o que dificulta a posterior responsabilização dos autores dessa violência, como em casos de bullying.

É importante ressaltar que a violência simbólica e a violência psicológica são praticadas de formas sutis e permeiam nosso cotidiano, de forma implícita.

Finalize a oficina, apresentando agora para eles outro rap, que vai na direção oposta daquele que abriu a oficina. Trata-se do rap do Núcleo de Mulheres Jovens da Camtra (Casa da Mulher Trabalhadora-RJ), Não me cale, nem me culpe# me respeitaae que denuncia a violência contra a mulher.

Afixe na parede o cartaz com a letra do rap e convide-os a cantar juntos.

 

Para ampliar

Hora de Avaliar:

Distribua uma filipeta em branco para cada um e peça que  escrevam as impressões sobre a atividade que desenvolveram. Quem quiser, pode ler o que escreveu, para o grupo.    

O que mais poderá ser feito?

Uma semana de debates sobre a condição da mulher no país. Para isso, pode-se pedir a ajuda de professores/as de História e de Filosofia, por exemplo, e de organizações da sociedade civil que cuidam do tema. Será interessante abrir o debate para a comunidade.

 

Fontes de Referência

Casa da Mulher Trabalhadora– Rio de Janeiro

http://www.camtra.org.br/

Lei Nº 11.340, de 7de agosto de 2006.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm

Compromisso e Atitude-Lei Maria da Penha

http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-nacionais-sobre-violencia-contra-a-mulher/

Para saber mais: 

Segundo a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República (SPM-PR), em atendimentos realizados de janeiro a outubro de 2015, verificou-se que 38,72% das mulheres, em situações registradas de violência, sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal.

Dos casos atendidos, 85,85% corresponderam a situações de violência doméstica e familiar e em 67,36% dos relatos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo: companheiros, cônjuges, namorados ou amantes, ex- companheiros, ex-conjuges, ex-namorados ou ex- amantes das vítimas.

Já em aproximadamente 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido. Em relação ao momento em que a violência começou dentro do relacionamento, os atendimentos revelaram que os episódios de violência acontecem desde o início da relação (13,68%) ou de um até cinco anos (30,45%).

Nos dez primeiros meses de 2015, do total de 63.090 denúncias de violência contra a mulher, 31.432 corresponderam a denúncias de violência física (49,82%), 19.182 de violência psicológica (30,40%), 4.627 de violência moral (7,33%), 1.382 de violência patrimonial (2,19%), 3.064 de violência sexual (4,86%), 3.071 de cárcere privado (1,76%) e 332 envolvendo tráfico (0,53%).

Os atendimentos registrados pelo Ligue 180 revelaram que 77,83% das vítimas possuem filhos (as) e que 80,42% desses (as) filhos(as) presenciaram ou sofreram a violência.

O Mapa da Violência de 2015 estima, com base em dados de 2013 do Ministério da Saúde, que a violência doméstica e familiar são a principal forma de violência letal praticada contra as mulheres no Brasil.

O Mapa ainda revela que o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, a quantidade anual de homicídios de mulheres brancas diminuiu 9,8%, caindo de 1.747, em 2003, para 1.576, em 2013.

Já a Pesquisa Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha (Ipea, março/2015) apontou que a Lei nº 11.340/2004 fez diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídios contra mulheres praticados dentro das residências das vítimas, o que “implica dizer que a LMP foi responsável por evitar milhares de casos de violência doméstica no país”.

Cabe ressaltar que ainda assim, os episódios de violência contra a mulher são subnotificados, ou seja, são notificados em número abaixo do que realmente acontecem, porque as mulheres nem sempre denunciam, por vergonha ou intimidação.

No dia 25 de novembro comemora-se o Dia Latino- Americano e Caribenho de Luta Contra a Violência à Mulher e Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher.

Gostou?

Acesse também a oficina “Buylling? Sou contra”, deste banco.

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