Educação&Participação

Pesquisa sobre o movimento estudantil brasileiro.

Início

  • O que éO que é

    Pesquisa sobre o movimento estudantil brasileiro.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Computador com acesso à internet.

  • EspaçoEspaço

    Em qualquer espaço com acesso à internet.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de 1h30.

  • FinalidadeFinalidade

    Entender a importância do protagonismo dos estudantes na educação e nos rumos do país.

  • ExpectativaExpectativa

    Conhecer a trajetória do movimento estudantil brasileiro e as diferentes formas em que se organizou, do seu início até hoje.

Na prática

Como desenvolver?

1º encontro: Um zoom no movimento estudantil

Na roda inicial, diga que essa oficina terá três encontros para tratar de algo importante para eles nesse momento de suas vidas em que estão terminando o Fundamental I ou cursando o Ensino Médio e, muito provavelmente, pensando na continuidade dos estudos em uma universidade. Esclareça que a oficina tratará do movimento estudantil do ensino básico e da universidade.

Esse é um mundo novo para muitos estudantes. Por que é importante apresentar esse mundo a eles? Porque ele existe, tem legitimidade e institucionalidade. Assim, é preciso conhecê-lo, saber de sua história e suas lutas, bem como construir sua própria opinião e posicionamento em relação ao que ele propõe e até decidir sobre sua eventual participação em suas fileiras.

Pergunte o que sabem sobre o assunto, o que já ouviram falar, o que já leram e se conhecem alguém que participa ou participou de alguma história do movimento estudantil.

Provavelmente alguns farão referência aos grêmios estudantis e às ocupações de escolas de ensino médio e técnico pelos estudantes secundaristas em 2015 e 2016, pois foram ações que ocorreram em vários estados do País e tiveram forte repercussão nos meios de comunicação digitais.

Pergunte também sobre outras siglas, por exemplo, UBES (União Brasileira de Estudantes) e UNE (União Nacional de Estudantes). Alguém conhece alguma coisa sobre elas? O quê? Alguém conhece outras siglas que representam organizações estudantis? Quais? Já ouviram falar em UEE (União Estadual dos Estudantes)? Em UEES (União Estadual dos Estudantes Secundaristas)?

E se?
Se ninguém tiver nenhuma informação sobre essas organizações de estudantes, esclareça que é importante conhecê-las porque são organizações que representam os estudantes do País inteiro e têm uma história de participação na vida estudantil e política da nação.

Proponha que realizem, em um encontro próximo, uma roda de conversa com pessoas que estão e/ou estiveram envolvidas no movimento estudantil para entenderem melhor o que ele é, qual a sua história, quais eram e quais são as pautas atuais, como se organizava e como se organiza nos dias de hoje e quais suas estratégias de luta. Nada melhor do que uma boa conversa com quem já viveu ou vive a experiência.

Uma vez acordada a roda com o grupo, eles terão de buscar os nomes das pessoas com envolvimento nesses grupos. Será que se lembram de alguém? Num primeiro momento, relacione os nomes de pessoas que eventualmente conseguirem lembrar e de quais coletivos participam.

É bom notar que toda cidade tem pessoas que participam ou já participaram de algum movimento estudantil, mesmo não sendo filiados a essas organizações, estando, portanto, aptas a falar sobre ele. E, muito provavelmente, deve haver na cidade escolas com grêmios estudantis atuantes e, eventualmente, alguma faculdade ou universidade que possui alguma associação, agremiação ou representação institucional dos alunos.

Mãos à obra: em duplas ou em trios, eles deverão acessar as suas redes sociais e os sites das instituições públicas e privadas de ensino médio e superior da cidade para localizarem essas pessoas e convidá-las a participar da roda de conversa.

Depois de aproximadamente 20 minutos de realização das pesquisas, abra a roda para socializarem as informações obtidas, inclua os potenciais nomes de convidados na relação de nomes já iniciada e, juntos, estabeleçam critérios para a escolha de dois ou no máximo três deles, pois com mais que três a mesa-redonda torna-se inviável.

Como critérios, pode-se pensar em garantir a presença:

 

  • de líderes secundaristas e de líderes universitários;
  • de quem possa falar sobre a UNE, a UBES e sobre as ocupações recentes de escolas.

Essa é uma negociação a ser feita com a turma e também com os convidados. Não devem se esquecer de fazer também uma lista de suplentes, no caso da necessidade de substituição de algum deles.

E se?
Se em sua cidade não houver grêmios escolares de ensino médio ou de universidade, podem ser convidados estudantes de outra cidade próxima. Se não conseguirem, convidem alguns professores e/ou jornalistas para ampliar o debate.

Uma vez definidos os convidados potenciais, combinem uma data com certa folga para o evento para que possa ser bem planejado, pensando inclusive na necessidade eventual de substituição de alguém, o que implicará em mais tempo para novos contatos.

Definam também as pessoas encarregadas dos convites aos participantes e, se possível, combinem um lanche coletivo para o final da roda de conversa, como momento de interação e de descontração.

Argumente com eles sobre a importância de se prepararem para o evento, para bem aproveitá-lo, procurando aprofundar-se no assunto. Assim, será interessante, ainda nesse primeiro encontro, o acesso aos sites da UBES e da UNE, organizações de abrangência nacional, para obterem uma visão panorâmica, identificando as respectivas atuações e pautas de luta. Eles poderão fazer isso em duplas ou em trios. Seguem os links:

Percorra os agrupamentos para verificar se precisam de alguma ajuda e se têm dúvidas a esclarecer. Quando perceber que já têm uma noção do que são essas organizações e o que fazem, forme a roda para os comentários (aproximadamente 20 minutos depois).

Pergunte o que chamou a atenção deles sobre as organizações. Que destaques ou observações gostariam de fazer a respeito do que leram? Que esclarecimentos gostariam de ter a respeito delas? Como acham que poderão se aprofundar no assunto, se houver interesse?

Afine os entendimentos convergentes e faça uma relação das dúvidas que permaneceram, registrando-as em um cartaz conforme foram explicitadas. Deixe o cartaz afixado na sala, para o dia da roda de conversa.

Esclareça que eles apenas entraram em contato com duas organizações estudantis mais conhecidas, com uma história mais longa, de abrangência nacional, mas que há várias outras organizações de estudantes atuando no interior das escolas, faculdades e universidades. Pergunte se conhecem algumas.

Há os Grêmios Estudantis (congregam alunos de escolas de ensino fundamental, médio ou de curso superior), os Centros Acadêmicos – CAs (congregam alunos de um curso universitário), os Diretórios Acadêmicos – DAs (congregam alunos de vários cursos universitários), os Diretórios Centrais de Estudantes – DCEs (congregam alunos de uma universidade inteira). Questione os estudantes sobre a existência e o funcionamento do grêmio em sua escola!

Há também os agrupamentos por estado, tanto de estudantes secundaristas – a União Estadual dos Estudantes (UEES) – como dos estudantes universitários – a União Estadual dos Estudantes (UEE). E há, ainda, organizações sem siglas e sem estatutos, como as assumidas pelos estudantes que realizaram a ocupação de escolas, na década de 2010.

 

2º encontro: Os movimentos estudantis de ontem e de hoje.

No segundo encontro, para concretizar um pouco mais a ação do movimento estudantil organizado no País e perceber as mudanças ocorridas no decorrer de sua história, projete para eles dois pequenos vídeos.

O primeiro, produzido pela UNE, na comemoração de seus 75 anos (13min15s), faz uma rápida síntese de sua história, desde seu início (1937) até a década de 2000.

O segundo (5min), produzido pela TV Estadão, trata das ocupações de escolas de ensino médio em 2015 pelos estudantes secundaristas do estado de São Paulo, em protesto à medida de reorganização das escolas, no estado.

Peça para que fiquem atentos às semelhanças e diferenças existentes na mobilização dos estudantes nos dois vídeos.

1º vídeo: UNE 75 anos

 

2º vídeo: Ocupações recriam movimento estudantil

Para você, educador, conhecer essas mudanças um pouco mais e ajudar os adolescentes e jovens a aprofundar o debate após os vídeos, indicamos a leitura dos textos abaixo. Há outros na seção Fontes de Referência.

  • Entrevista do professor Pablo Ortellado, do curso de Gestão de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Nela, ele analisa o movimento das ocupações de escolas por estudantes secundaristas:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias?id=555196:a-ocupacao-de- escolas-e-o-filho-mais-legitimo-de-junho-de-2013-entrevista-especial-com-pablo-ortellado&catid=159

 

  • Reportagem “Novo Protagonismo Estudantil”, de Ana Carolina Neira, Andréia Lago e Kalinka Iaquinto (Eder Content), no site do UOL Educação, abaixo.

https://www.uol/educacao/especiais/o-novo-protagonismo-estudantil.htm.

Na verdade, o rumo do movimento estudantil reflete o curso da história do País, identificando-se com ela. Mas, em todos os diferentes momentos da história, percebe-se que é perene a luta dos estudantes pelos valores da solidariedade, da democracia e da justiça, valores esses que perpassam a conquista do conhecimento nas instituições de ensino e são intrínsecos a um projeto democrático de sociedade.

Depois de assistirem aos vídeos, abra uma discussão sobre o que observaram de semelhanças e diferenças entre as formas de manifestação dos estudantes, através dos tempos. Reúna as observações que fizerem, organizando-as em dois cartazes: um com as semelhanças e outro com as diferenças.

Podemos destacar que o que há de comum entre os dois vídeos é a preocupação, nos diferentes momentos do movimento estudantil, com a melhoria da educação, com o próprio futuro dos jovens, com a cidadania e a democracia. Os jovens querem participar das decisões sobre o que lhes diz respeito, desejam ser ouvidos.

Em que diferem? Diferem na forma de organização e nas especificidades das pautas. Vamos explicar melhor.

Os movimentos de algumas décadas atrás eram totalmente institucionalizados. Os estudantes obedeciam às palavras de ordem da sua organização: a UNE, a UBES, etc. Havia uma hierarquia das organizações, desde o nível nacional até as de nível local. As organizações tinham sede física própria para reunir os estudantes. As pautas defendidas pelas organizações relacionavam-se às grandes causas políticas nacionais.

Hoje em dia, essa forma de organização dos estudantes ainda existe, com presença ativa da UNE, da UBES, mas ela coexiste com outras formas de organização. Mesmo a UNE e a UBES sofreram modificações, influenciadas pela realidade contemporânea.

Pode-se observar que as novas formas de organização dos estudantes são mais espontâneas (não institucionalizadas), as relações entre os pares são mais horizontais (pouco ou nada hierarquizadas) e mais imediatas, facilitadas pela tecnologia que permite ações simultâneas e rápidas. As pautas que defendem refletem mais os anseios dos jovens com questões próximas, que envolvem o seu cotidiano (transporte, alimentação, vagas em universidades públicas) e outras causas, além das de natureza política, como a ambiental, a igualdade racial, étnica e de gênero.

A seguir, convide-os a acessarem em duplas no site abaixo, da Empresa Brasileira de Comunicação, o depoimento do presidente do grêmio do Colégio Caetano de Campos, Lucas Penteado Kóka, que ocupou a escola em São Paulo, em 2015, para conhecerem um pouco mais o que está acontecendo com os estudantes hoje: o que pensam, o que desejam, pelo que lutam.

http://www.ebc.com.br/cidadania/2016/05/ocupacoes-nas-escolas-entenda-o-movimento-estudantes-secundaristas

Depois de 20 minutos, aproximadamente, abra a roda para os comentários sobre a entrevista: suas impressões, seus pensamentos e sentimentos, concordâncias e discordâncias, em relação às declarações do Lucas.

Estimule-os a relacionar a fala do Lucas à discussão pós-vídeos: ela confirma as observações feitas em relação à forma de organização que os estudantes vêm adotando atualmente? Considerando as duas formas de organização dos jovens hoje: a mais estruturada (que tem entidades representativas dos estudantes e são mais verticais, ou seja, mais hierarquizadas, como a UNE e a UBES) e a mais espontânea e horizontal, (como se viu recentemente nas ocupações de escolas), qual delas pensam que seja a mais eficiente e que mais expressa os desejos dos jovens? Por quê?

Fechando a discussão da roda, retome o cartaz das dúvidas afixado na sala e convide-os a confirmar as questões lá relacionadas e incluir alguma questão que gostariam de esclarecer ou debater mais. Será interessante também divulgar alguns sites indicados nas Fontes de Referência para quem quiser pesquisar mais.

E se?
Se houver acirramento de discordâncias, tanto em relação ao que está exposto na entrevista, como entre os posicionamentos dos próprios estudantes da turma, pare a atividade e considere que cada um tem o direito de se posicionar como quiser. O conteúdo que está sendo tratado e discutido é para que conheçam e compreendam o fenômeno que está acontecendo no mundo estudantil do nosso país e não para que pensem igual aos protagonistas das ações. Tem também o objetivo de aprenderem a debater ideias, argumentando e respeitando a opinião dos outros.

 

3º encontro: A roda de conversa sobre o movimento estudantil.

No dia marcado para a roda de conversa, os jovens organizarão a sala para receber os convidados e deixarão à vista o cartaz com as dúvidas. Depois de recepcioná-los e agradecer a sua presença, alguém deve pedir a eles que observem o cartaz das dúvidas, pois poderão tentar respondê-las, no decorrer de suas falas.

Para propiciar o clima de debate e dar um tempo para os convidados se adaptarem ao momento, convide a todos para assistirem ao vídeo “Discurso da estudante Ana Júlia, líder do movimento estudantil que ocupa as escolas do Paraná/PR”.

Esse discurso foi feito na Assembleia Legislativa do Paraná, por ocasião das ocupações das escolas, em 2016, em protesto contra a reformulação do ensino médio no País, cuja proposta não foi discutida com estudantes e professores. A intenção não é discutir o vídeo, mas alimentar as falas dos convidados e o debate.

Combinem com os convidados o tempo de duração da roda – o tempo que cada um poderá dispor para a fala e o tempo para o debate final. O ideal é cada um dos convidados ter de 10 a 15 minutos de fala e a abertura para o público, para o debate, de 20 a 30 minutos. Alguém deve ficar responsável por controlar o tempo para que todos tenham direito à voz. Será interessante filmar as falas como registro e como material para novas análises e debates.

Para finalizar, discuta com eles sobre os argumentos que acharam mais convincentes, dos dois grupos, para cada uma das posições e registre em dois cartazes: um com os argumentos do “CONCORDO” e outro com os argumentos do “DISCORDO”. Afixem os cartazes na parede.

Dando continuidade, eles, assim como você, deverão pesquisar na internet, em sites oficiais de preferência, as seguintes informações para trazer no encontro seguinte:

 


Agora é com você: que modificações faria no desenvolvimento?


Hora de avaliar

Solicite que os estudantes permaneçam na sala após a saída dos convidados e faça uma avaliação sobre a oficina, dando a palavra a quem quiser falar, livremente. Podem fazer referência ao assunto da oficina, à organização da roda de conversa e à fala dos convidados.


Agora é com você: outras sugestões para avaliar.


O que mais pode ser feito?

Novas pesquisas sobre as organizações nos seus respectivos sites. Outras leituras a respeito do movimento estudantil brasileiro. Projeção de curtas que tratem do assunto (ver Fontes de Referência).


Agora é com você: o que mais sugere?


 

Fontes de Referência

Para ampliar

Para saber mais

O ensino superior no Brasil foi criado em 1808, com a chegada da família real portuguesa ao País, mas durante muito tempo ficou restrito a uma minoria da população, pois contávamos com pouquíssimas instituições de ensino.

Somente no século XX, com o crescimento da industrialização e das cidades é que aumentou a quantidade de escolas de ensino superior, crescendo, em consequência, a quantidade de estudantes universitários. Esse fato novo propiciou o surgimento do movimento estudantil, que teve suas origens com a criação da Federação dos Estudantes Brasileiros, em 1901, e a criação do primeiro Grêmio Estudantil do País, em São Paulo, no ano seguinte. Em 1910, foi realizado em São Paulo o I Congresso Nacional de Estudantes.

O rápido aumento do número de escolas, nas primeiras décadas do século XX, foi acompanhado de uma rápida organização coletiva dos jovens, que desde o início de sua atuação mobilizaram-se pelas principais questões políticas do País.

Em 1937, foi fundada a União Nacional dos Estudantes (UNE), que ajudou a impulsionar esse processo. Embora tenha sido criada para representar os estudantes universitários, a UNE sempre esteve aberta e acolheu os estudantes secundaristas, que participaram da construção da entidade.

Os jovens organizados atuaram diretamente na resistência à ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e no combate ao nazifascismo que ganhava corpo no Brasil, à medida que avançava na Alemanha, com Adolf Hitler, e na Itália, com Benito Mussolini, provocando a 2ª Guerra Mundial.

Em 1942, estudantes universitários e secundaristas ocuparam a sede do Clube Germânia, na Praia do Flamengo no Rio de Janeiro, tradicional reduto de militantes nazifascistas, pressionando o presidente Vargas, que acabou concedendo o prédio ocupado para ser sede da UNE.

Já em 1948, no governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, os secundaristas lideraram a campanha “O Petróleo É Nosso”, que defendia a nacionalização desse rico recurso natural de nossa terra. Essa grande mobilização nacional levou à criação da Petrobras.

O 1º Congresso Nacional dos Estudantes Secundaristas foi realizado em 25 de julho de em 1948, na Casa dos Estudantes, no Rio de Janeiro, fundando-se, nessa ocasião, a União Nacional dos Estudantes Secundaristas — UNES, com representantes de praticamente todos os estados do País, compondo a sua primeira diretoria.  Um ano depois, o nome foi trocado para UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

A primeira grande luta da UBES, após a sua fundação, foi contra o aumento das taxas escolares, em 1950, que provocou uma greve geral no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Em 1956, no seu 8º Congresso, foi eleita uma mulher, Helga Hoffman, como a primeira presidente da UBES, fato inédito e de vanguarda para a época. No mesmo ano, os secundaristas pararam o Rio de Janeiro, então capital federal, com a célebre Revolta dos Bondes, na luta contra o aumento da tarifa e por mais acesso e qualidade no transporte público.

Durante os anos 50 (nos governos de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart) a UNE e outras grandes instituições brasileiras formaram a Frente de Mobilização Popular. A UNE defendia mudanças sociais profundas, entre elas, a reforma universitária, no contexto das reformas de base propostas pelo governo de Jango, como a reforma agrária.

O período do governo Goulart, nos primeiros anos da década de 60, foi extremamente turbulento em razão da oposição dos militares e de parte da população brasileira à agenda de reformas do presidente, as quais eram apoiadas pelos movimentos populares organizados, pelos intelectuais e estudantes. Em reação, houve o golpe militar de 1964.

O golpe militar repercutiu no movimento estudantil, pois uma das primeiras ações do governo foi invadir, metralhar e incendiar a sede da UNE. O governo retirou, em termos legais, a representatividade da UNE por meio da Lei Suplicy de Lacerda e a entidade passou a atuar na ilegalidade.

Apesar da repressão, a UNE resistiu e continuou a sua atuação, opondo-se à ditadura e lutando pela democracia ao lado de intelectuais, artistas, estudantes secundaristas e população contrária ao golpe, como na passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro, pedindo democracia, liberdade e justiça.

No entanto, a repressão se acirrava cada vez mais. Houve o assassinato do estudante secundarista, Édson Luís, no restaurante Calabouço (bandejão dos estudantes), em virtude de um protesto pelo preço da refeição e a invasão do Congresso da UNE em Ibiúna (SP), com a prisão de cerca de mil estudantes.

No fim do mesmo ano, foi proclamado o Ato Institucional número 5 (AI-5), que inaugurou um longo período de violência no País, com a perseguição indiscriminada de pessoas consideradas suspeitas, apreensão de livros, revistas e jornais também considerados suspeitos, censura de produções artísticas (músicas, peças teatrais) e tortura e assassinato de opositores ao regime. Somente na década de 80 é que a abertura política se iniciou, produzindo, gradativamente, a redemocratização do País.

Com o fim da ditadura militar, o movimento estudantil voltou às ruas para defender suas bandeiras históricas e a consolidação da democracia. Em 1984, a UNE participou ativamente da Campanha das “Diretas Já”, com manifestações e intervenções importantes nos principais comícios populares daquele período.

Em 1985, a entidade voltou para a legalidade com a aprovação, pelo Congresso Nacional, de um projeto de autoria do deputado e ex-presidente da UNE, Aldo Arantes

Neste início do século 21, o movimento estudantil diversificou sua atuação em direção às principais demandas da juventude brasileira. A UNE tem mobilizado os estudantes para outras causas, além das grandes questões políticas e culturais, como a realização de eventos que valorizam áreas como ciência, tecnologia e esporte, assim como para participar da luta de estudantes que pertencem às minorias, como negros, mulheres, gays, lésbicas e outros grupos.

Podemos verificar que a trajetória do movimento estudantil no Brasil remonta aos grandes momentos históricos e aos grandes debates sobre a educação e a universidade.

Nos dias atuais, o movimento estudantil continua sendo uma possibilidade de protagonismo da juventude e de sua inserção e atuação política. No entanto, hoje, há outros canais e formas de exercitar esse protagonismo, em diferentes campos, nos quais os jovens por meio de diferentes movimentos culturais podem discutir e contribuir com a construção de políticas públicas destinadas a atender suas demandas.

Segundo Melucci (1997: 12-13), hoje, os movimentos juvenis “[…] tomam a forma de uma rede de diferentes grupos, dispersos, fragmentados, imersos na vida diária. Eles são um laboratório, no qual novos modelos culturais, formas de relacionamento, pontos de vista alternativos são testados e colocados em prática. Essas redes emergem somente de modo esporádico em resposta a problemas específicos.”

Gostou? Veja também as oficinas deste banco: “Estatuto da Juventude: conhecer é preciso” e “Participando do Conselho da Juventude da cidade”.

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