Educação&Participação

Uma intervenção estética nas ruas da comunidade.

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  • O que éO que é

    Uma intervenção estética nas ruas da comunidade.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Baú com roupas e adereços para teatro e dança, CDs para gravar músicas escolhidas pelo grupo, alguns instrumentos como pandeiro e chocalho, tintas de spray, máquinas fotográficas ou celulares com esse recurso.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades e nas ruas da comunidade.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de aproximadamente 1h30 cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Compreender a arte como produção estética que surpreende, desestabiliza, emociona e quebra a rotina da vida diária.

  • ExpectativaExpectativa

    Reconhecer e usar o fazer artístico como forma de intervenção na realidade próxima; organizar-se em grupo para desenvolver um projeto conjunto, propondo e negociando encaminhamentos.

Na prática

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1º encontro: Contato com intervenções artísticas urbanas em várias linguagens.

Ao iniciar os trabalhos do dia, proponha que o assunto da roda de conversa seja sobre intervenções artísticas nas ruas da cidade onde moram: o que existe de intervenção estética pelas ruas, praças e jardins?

Alguns deles já devem ter tido a experiência de ver muros grafitados pelas ruas ou músicos tocando algum instrumento nas esquinas.

Pergunte quantos já tiveram essa vivência. Lembre-os de eventuais grupos de pessoas cantando músicas natalinas em coral, próximo ao final de ano, em ruas importantes da cidade ou na proximidade de igrejas, ao lado de presépios. Quem teria visto? E quanto a estátuas vivas, que se apresentam nas ruas e praças centrais de grandes cidades, será que alguém teve a oportunidade de ver? E se não viu presencialmente, já viu na televisão ou na internet? Dê tempo para se manifestarem e contarem suas experiências.

Convide-os então a assistir pequenos vídeos que apresentam algumas intervenções urbanas realizadas com artes visuais, música, teatro e dança. Após a projeção de cada um, discuta com eles o tema em questão, acolhendo as suas opiniões e apreciações.

No vídeo de Artes Visuais (6 min), eles poderão apreciar várias manifestações de pintura, escultura e instalação integradas ao ambiente urbano de grandes cidades do mundo como Paris, Londres, Barcelona, Berlim, Toronto e São Paulo, consideradas cidades-museu. Nelas, os artistas têm feito intervenções, utilizando a cidade como tela para expor sua arte. As manifestações que são objeto do vídeo foram consideradas as melhores de 2011.

No de Música (15min), entrarão em contato com a aventura de artistas que buscam, nas ruas, uma chance de expor sua arte; a história de Charles da gaita, menino brasileiro prodígio dos anos 80, que não conseguiu aproveitar as oportunidades que apareceram, por conta do consumo de drogas, é o fio condutor das outras histórias.

O vídeo de Teatro (6min16s) mostra um animado grupo de jovens, da ONG Psicólogos do Trânsito que, duas vezes por semana, se apresenta na esquina da Avenida Henrique Schaumman com a Theodoro Sampaio, na cidade de São Paulo, a fim de desarmar o mau humor e o stress dos motoristas que por ali passam, com frases divertidas e oferta de abraços e sorrisos.

Finalmente, os dois vídeos de dança apresentam bonitas coreografias de jovens da “Companhia de Dança Kahal” (5min28s), que participaram do 16º Passo de Arte, Indaiatuba, São Paulo, Brasil, em 2008, e o grupo “Os anjos do Hip Hop” (5min13s), que se apresentou no Festival de Dança de Joinville de 2011.

Depois de terem comentado cada um dos vídeos, pergunte se gostariam de realizar algumas intervenções estéticas como essas, no território. Discutam a ideia. Que tal planejarem um dia só para isso? Pode ser bem interessante para eles experimentar o fazer artístico nas vias públicas e ver a como as pessoas reagem.

Para desenvolver a proposta a contento, precisam de uma boa organização. O primeiro passo é compor os grupos, por interesse: artes visuais, música, teatro, dança.

E se?
Se não houver possibilidade de algum jovem ou educador tocar instrumentos como violão e pandeiro, na intervenção de música, não há problema. O grupo pode cantar, acompanhado de música gravada em CD.

2º encontro: Preparando as intervenções

Nesse encontro, eles irão fazer um passeio pelos arredores da ONG/ escola, com você, para identificar os pontos mais apropriados para as intervenções, de acordo com a linguagem escolhida e ter ideias como, por exemplo, pintar um rio azul sobre o asfalto, recolher o lixo e fazer uma escultura com ele etc. É bom lembrar de tirar fotos dos lugares ou gravar cenas para facilitar a criação posterior dos grupos.

Cabe lembrar que, no caso da intervenção ser uma pintura ou um grafite, em muros ou nas ruas, é importante tanto conversar com o proprietário dos imóveis para solicitar autorização prévia (no caso dos muros), como verificar se é necessária a autorização da prefeitura (ruas).

Na volta à instituição, cada grupo discutirá o tema da sua intervenção e como ela será desenvolvida, que roupas e adereços serão mais pertinentes, cuidando para incluir todos. É importante combinar que não utilizem movimentos que podem ser perigosos e preparem uma intervenção, cuja duração fique entre 5 e 10 min.

A seguir, cada grupo apresentará sua proposta para o coletivo, que fará uma apreciação e poderá dar contribuições. Nesse momento, é importante que todos cuidem do conteúdo e da forma da intervenção planejada por todos.

Em seguida, escolherão os locais da comunidade que serão pontos de apresentação para cada grupo (podem ser mais de um para cada linguagem, mas não muito longe um do outro). Assim, todos terão um “roteirão” comum do que acontecerá no dia da intervenção, sabendo o que estará acontecendo com cada grupo, onde e por quanto tempo.

Uma vez aprovadas as propostas e com o roteiro na mão, darão início aos ensaios. Depois de algum tempo, peça a cada grupo que se apresente para os outros assistirem e, eventualmente, darem ainda suas contribuições. Isso trará mais consistência às intervenções e confiança a todos.

Atenção: não se esqueçam de propor a alguns educadores da instituição ou a jovens de outras turmas que fotografem ou filmem as intervenções nas ruas.

3º encontro: Os artistas vão aonde o povo está.

Dia da saída. Todos, caracterizados, tomam conta das ruas do entorno e se dirigem para os pontos escolhidos, a fim de se apresentarem, por aproximadamente 50 min, revezando os pontos de apresentação nas proximidades, conforme o planejado. Os educadores responsáveis pelo registro das intervenções estarão a postos para flagrar as reações das pessoas, tanto pedestres como motoristas, donos e funcionários das casas comerciais e de serviços.

De volta à instituição, os repórteres fotográficos exporão suas fotos e filmes para que os adolescentes e jovens possam “curtir” o outro lado do evento, o dos espectadores. As fotos poderão compor um amplo painel a ser afixado na instituição, com as assinaturas de todos os participantes e data.

Hora de avaliar

Em roda, cada um falará de como viveu e sentiu a experiência: o que mais o (a) emocionou, o que facilitou e o que dificultou o desempenho, o que faria de novo e o que não faria.

Para ampliar

 

O que mais pode ser feito?

Poderá ser organizada uma festa na comunidade, na qual esses grupos se apresentem para familiares, amigos e outras instituições parceiras e, a partir daí, aglutinem outros adolescentes e jovens interessados em manifestações artísticas, para dar início a oficinas constantes de arte. Para isso precisarão contar com o apoio de adultos e profissionais com mais experiência acumulada nas diferentes linguagens artísticas.

A experiência desta oficina, se realizada na escola de tempo ampliado ou na ONG, constitui uma excelente oportunidade de se buscar a integração curricular com os conteúdos trabalhados na sala de aula, bem como de se articular os profissionais envolvidos nas oficinas e nas aulas regulares.
Se houver um ponto de cultura na região, será interessante contatá-lo para desenvolverem um trabalho articulado e integrado no território.

Para saber mais

A arte urbana é uma forma de expressão artística que se faz no espaço público e que tem a cidade e a vida na cidade como objeto de reflexão.

É uma produção simbólica da cidade, que expressa as relações sociais conflitantes que nela existem, questionando os valores estabelecidos.

As diferentes manifestações artísticas realizadas no espaço público como a intervenção, o evento, a instalação, o espetáculo, exercem impacto na rotina dos sujeitos na cidade, criando algo novo, num processo de interação entre eles.

Não se trata de ilustrar os lugares da cidade com valores culturais já definidos, mas de representar as transformações que vão ocorrendo na vida urbana.

Dessa forma, a arte urbana contribui para a compreensão mesma dessas alterações porque os significados que assume são produzidos na sua relação com o público, no modo como ela é apropriada pelo coletivo.

“A arte urbana é uma prática social. Suas obras permitem a apreensão de relações e modos diferenciais de apropriação do espaço urbano, envolvendo em seus propósitos estéticos o trato com significados sociais que as rodeiam, seus modos de tematização cultural e política” (Vera M.Pallamin – FAUUSP).

Cabe ressaltar o caráter engajado da arte pública, que visa alterar a paisagem rotineira das cidades, interferindo na fisionomia urbana e provocando a reflexão e a crítica do cidadão comum.

As obras da arte urbana articulam diferentes linguagens – dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc. –, desafiando as classificações habituais sobre tais linguagens, e colocam em discussão a própria definição de arte.

Interpelam criticamente o mercado e o sistema de validação da arte, denunciando seu caráter elitista.

Fontes de Referência:

Oficina “Loja do Nada” do Projeto Nessa rua tem um rio, do Instituto Undió. Regional de Belo Horizonte, ONG finalista do Prêmio Itaú-Unicef de 2011. Contato: Júlia Christina Ribeiro de Oliveira. Tel (31) 33444254/ (31)32140363 – undio@institutoundio.org– www.nessaruatemumrio.wordpress.com

Pallamin, Vera M. – Arte Urbana; São Paulo: Região Central (1945 – 1998): obras de caráter temporário e permanente / Vera Maria Pallamin – São Paulo, Fapesp, 2000. Disponível em http://www.usp.br/fau/fau/ensino/docentes/deptecnologia/v_pallamin/arte_urbana_livro.pdf

Enciclópedia Itaú Cultural – verbete: Arte Pública.

Gostou?

Então veja as oficinas : “Grafitismo: a arte está nas ruas” e “Construindo esculturas com lixo”.

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 28 de agosto e 2015, às 17h4omin.

 

Participe

Eu fiz assim…

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Total de 2 comentário(s)

  •    Cirlene Barrozo da Rocha Costa  em 
         Educação&Participação respondeu em 
  •    LUCIA ROCHA  em 
         Educação&Participação respondeu em