Educação&Participação

Confecção de brinquedos para um espaço público da comunidade.

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  • O que éO que é

    Confecção de brinquedos para um espaço público da comunidade.

  • PúblicoPúblico

    Crianças.

  • MateriaisMateriais

    folhas de papel kraft, retalhos de pano, elástico, cola, baús para guardar adereços, sucata.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades, no pátio e em algum espaço público.

  • DuraçãoDuração

    Quatro encontros de 1h30 cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Valorizar a prática de ações visando ao bem comum.

  • ExpectativaExpectativa

    Desenvolver o protagonismo pessoal e de equipe em prol do bem comum; aprender a trabalhar em equipe, respeitando a maioria e negociando decisões; respeitar o espaço público como espaço de cidadania a que todos têm direito.

Na prática

 

Como desenvolver?

1º encontro: Conversas preliminares.

Crianças gostam de brincar e a brincadeira é fundamental para o seu desenvolvimento porque, além do prazer e da recreação, permite a elas se relacionarem com a realidade em que vivem para conhecê-la, compreendê-la e expressar os sentimentos e ideias que desenvolvem em relação a ela.

Do que sua turma gosta de brincar? Quais seus brinquedos e brincadeiras preferidas? Vamos investigar? Faça uma roda de conversa e comece um levantamento com elas.

 

E se?

Se aparecerem apenas jogos virtuais na fala delas, insista nos jogos coletivos, sem uso do computador.

 

Pergunte do que precisam para realizar as brincadeiras de que falaram: bola, peteca, boneca, joguinhos de montar, quebra-cabeças, roupas de bruxa, princesa, leão, caçador, robô? Que mais?

Onde será que brincam: Em casa? Na rua? Na casa de amigos? Aqui, na escola/OSC? E quando vão a algum lugar, como a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou o CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), acompanhando a família e precisam esperar para o atendimento? Tem como brincar para se distrair enquanto esperam?

E se lá tivesse um baú com brinquedos para brincar enquanto aguardam sua vez? Seria legal? Seria, né? E no parquinho da praça, onde só há brinquedos para crianças menores? E na banca dos jornais, da outra pracinha? E aqui na escola/OSC? Seria legal ter também alguns baús de brinquedos para serem usados, por exemplo, na entrada ou no recreio?

Se gostarem da ideia, proponha que lancem uma campanha na escola/OSC para montar alguns baús de brinquedos que eles mesmos confeccionarão, com as próprias mãos. Se outras turmas entrarem na proposta, elas poderão montar uma brinquedoteca comum para a escola e outra para uma instituição pública da comunidade, como a UBS. O que acham? Cada turma decidirá que brinquedos ficarão para a escola/OSC e quais serão doados e para que espaço público.

Você, educador/a deve falar antecipadamente com os gestores da escola/OSC e com seus colegas de trabalho, tanto para convidá-los a participar do projeto, como para contar com a autorização prévia da equipe gestora, para não frustrar os pequenos. Havendo adesão, o projeto a ser realizado será de todos.

Planejem o desenvolvimento do trabalho, juntos: o tempo de duração do projeto, as propostas dos brinquedos a serem confeccionados e as orientações a serem dadas para as crianças. Será importante também investigar qual o local mais adequado para instalar a brinquedoteca, que deverá abrigar os brinquedos, de forma organizada e com acesso fácil.

 

E se?

Se nem todos os educadores quiserem participar do projeto, organize-o com os que aderirem. Como o convite às outras turmas será feito pelos seus alunos, peça aos colegas que os recebam carinhosamente e, por ocasião da visita, ajudem-nos na sua missão.

 

Então, organize com sua turma algumas comissões: uma para falar com os gestores da instituição a fim de solicitar a autorização da campanha e outras para falar com as demais turmas da escola/OSC, cujos educadores aderiram à proposta.

Lembre-se de misturar crianças maiores com menores, assim como crianças mais tímidas com mais expansivas, de modo a equilibrar as comissões e garantir que as ações aconteçam. É importante que todas as crianças tenham algum nível de participação e ninguém fique de fora. Mesmo que algumas apenas acompanhem quem tem mais facilidade para se comunicar, já estarão participando.

Oriente que escrevam os nomes dos integrantes de cada comissão em um cartaz específico e exponham o conjunto dos cartazes na sala.

A primeira ação será da comissão que contatará os gestores; após a obtenção da autorização, as demais comissões poderão visitar as outras turmas para convidá-las a participar da campanha e solicitar que tragam material de sucata, a fim de construírem os brinquedos.

Mas, antes de tudo, faça um planejamento com elas e ensaiem as ações das comissões. Esse exercício ajudará a conversa que terão com as outras turmas, dando-lhes segurança para agir, falar, sugerir, orientar. Depois, sim, podem combinar o dia das visitas.

Começando o planejamento, peça que relacionem os brinquedos que poderiam montar: bonecos de palha, de pano? Bolas de meia? Quebra-cabeças com cartolina? Jogos da memória, com figuras coladas em cartolina ou madeirinhas? Petecas de penas de galinha? Caixas com roupas usadas para teatro? Hum… que mais? Relacione as sugestões num cartaz e afixe na sala.

Será que alguém já teria feito algum brinquedo antes? Poderia ensinar os outros? E que tal convidar mamães, papais, titias, titios ou avós para ensinar a fazer alguns? As crianças farão a consulta com os familiares e trarão as respostas numa data combinada. Quando o fizerem, relacione os nomes dos familiares ajudantes em outro cartaz.

Agora, a pergunta: a quem doar os brinquedos? À UBS? Ao CRAS? Ao parque infantil da praça? Deixe que levantem várias possibilidades, que argumentem e escolham. A condição fundamental é que seja um espaço público, para que qualquer criança que o frequente possa usufruir dos brinquedos.

Feita a escolha, é importante que uma comissão faça uma visita com você à instituição receptora, para fazer a proposta aos gestores dela e trazer a resposta à turma.

 

2º e 3º encontros: Oficinas de brinquedos em ebulição.

No segundo e terceiro encontros, as salas de atividades e o pátio se transformarão em oficinas de brinquedos artesanais. Será interessante que cada turma consulte os materiais arrecadados e escolha o que podem fazer com eles, considerando a relação inicial de brinquedos que fizeram no primeiro encontro. Podem ser confeccionados brinquedos repetidos, o que é bom porque várias crianças poderão brincar ao mesmo tempo com petecas, bolas, bonecas, etc.

Brinquedos prontos, cada turma fará, com a ajuda dos seus educadores, a divisão entre os que ficarão na brinquedoteca da escola e os que serão doados.

 

E se?

Se alguns familiares se voluntariaram para ensinar e ajudar as crianças a fazerem alguns brinquedos, converse e oriente para que não façam os brinquedos pelas crianças, apenas ensinem e acompanhem, cuidando assim para que elas exerçam sua criatividade e habilidade. A oficina deve ser pedagógica para as famílias também.

 

4º encontro: Eis a brinquedoteca!

É hora de organizar a brinquedoteca da escola, cujo local já deverá estar pronto para recepcioná-la.

Oriente as crianças a formarem cantinhos de brinquedos iguais: o cantinho das petecas, o das bolas, dos bonecos, etc. A organização das turmas para isso fica a cargo dos educadores.

Também é hora de organizar, da mesma forma, os brinquedos a serem doados, colocando juntos os iguais, numa mesma caixa ou saco plástico.

Como cada turma decidiu para que instituição doar, cada uma organizará, com a ajuda de seu educador, como fará a entrega e qual o dia melhor para ambas as instituições.

Após as entregas, que tal marcar um dia de celebração na escola/OSC, com direito a salgadinhos, docinhos e refrigerantes, com a presença de representantes dos diferentes espaços públicos para onde foram doados os brinquedos? Seria uma ótima oportunidade para as crianças vivenciarem o reconhecimento da comunidade a que pertencem, pelo seu empenho em contribuir com ela. Eles merecem!

Agora é com você: o que mudaria no desenvolvimento da atividade?

Hora de Avaliar

Finalizado o projeto da brinquedoteca, faça uma avaliação da oficina com eles. O que significou para cada um produzir brinquedos com as próprias mãos? E o que significou doar os brinquedos para outras crianças brincarem? Que sentimentos vivenciaram? Acham que aprenderam alguma coisa com toda essa atividade? O quê?

Agora é com você: outras sugestões para avaliar.

 


O que mais pode ser feito?

Uma grande oficina de confecção de brinquedos em espaço público, envolvendo crianças e famílias da comunidade, culminando numa feira de trocas do que for produzido.

Agora é com você: o que mais faria?


Fontes de Referência

 COLEÇÃO PROINFANTIL – Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil.

Disponível em http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000012746.pdf

 

Texto sobre a importância da brincadeira, de alunas do curso de pós-graduação oferecido pela UFRRJ em parceria com a Prefeitura Municipal de Mesquita.

Disponível em http://www.ufrrj.br/graduacao/prodocencia/publicacoes/desafios-cotidianos/arquivos/integra/integra_MATOS%20e%20MIRANDA.pdf 

Para ampliar

Entre os valores considerados prioritários no desenvolvimento de crianças e adolescentes em uma sociedade democrática estão: a cidadania, a convivência com o diferente, o respeito à pluralidade, a solidariedade e o bem comum.

Para as crianças, adolescentes e jovens se apropriarem desses valores é importante que vivenciem situações concretas capazes de implicar a prática dos mesmos.

A partir de experiências como a elaboração e a realização conjunta de projetos comunitários, as crianças podem construir maneiras mais elaboradas de perceber a realidade, de interagir com outras crianças e outros grupos sociais, assim como de avaliar diferentes possibilidades de ação e de tomar decisões fundamentadas na solidariedade.

As interações que as crianças estabelecem entre si em todo o processo do projeto comunitário, desde sua configuração, favorecem a manifestação de saberes já adquiridos em sua vida e a construção de novos conhecimentos, compartilhados com os demais participantes do grupo.

Na relação com os colegas, as crianças aprendem que participar de um grupo envolve assumir algumas posições, como concordar com os demais participantes ou contrapor-se a eles, mostrar-se dependente ou independente, líder ou seguidor. Tais relações interpessoais são situações de crescimento pessoal.

No entanto, as relações que as crianças estabelecem entre si não são sempre harmoniosas, mas envolvem também rivalidade e conflitos. Dessa forma, disputas e oposições são situações frequentes nessas situações, mas precisamos considerar que elas são também situações de aprendizagem. É lidando com tais situações que irão se apropriar da condição de suportar frustrações, superar ressentimentos e reconhecer que nem sempre ganharão.

Ao participar de um grupo, as crianças aprendem a trabalhar seus impulsos, a internalizar regras, adaptando seu comportamento a um sistema de controle e sanções. Aprendem também a ser sensíveis ao ponto de vista do outro, a cooperar e a desenvolver uma variedade de formas de comunicação para expressar ideias, sentimentos e conflitos.

Como as escolhas do grupo são resultado da discussão de considerações e propostas diversas dos participantes, as crianças assimilam as ideias das outras, fazem-se ouvir, negociam soluções.

A interação com as instituições da comunidade onde vivem também é muito importante porque ajuda a ampliar o leque de relacionamentos com outros grupos sociais, propiciando conhecer outras formas de procedimento, outras regras, outras formas de pensar e agir que favorecem a observação, a reflexão e, consequentemente, a ampliação da sua visão de mundo.

Construir uma brinquedoteca para outras crianças da comunidade é uma atitude de cidadania também, pois no alcance de suas possibilidades estão agindo para transformar minimamente seu espaço, ajudando a conscientizar, com seu gesto, outros cidadãos para os quais essas questões e valores passam despercebidos. Abrir os olhos e os ouvidos para o que está acontecendo com o outro e com o ambiente à nossa volta é condição de humanização e de cidadania.

Gostou? Veja também as oficinas deste banco: “Vamos florir a margem do rio?”.Jogos e brincadeiras na praça: a gente aprende, a gente ensina”, “Brincadeiras que vão e que vêm”.

Participe

Eu fiz assim…

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