Educação&Participação

Exercício de apurar o olhar para o território, identificando o que é oferecido para a população.

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  • O que éO que é

    Exercício de apurar o olhar para o território em que vivem, identificando o que existe de equipamentos sociais e culturais disponíveis (posto de saúde, biblioteca, centro esportivo, telecentro, centro cultural etc.); como é a circulação das pessoas e a oferta de acessibilidade, garantindo o direito de locomoção parara pessoas com deficiência.

  • PúblicoPúblico

    Crianças e adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de papel jornal, pincéis atômicos, blocos de anotações individuais (pedaços de folhas de sulfite divididas em quatro partes e grampeadas), máquinas fotográficas ou celulares que possuem o recurso de fotografar.

  • EspaçoEspaço

    Na sala ou pátio da organização/escola e nas ruas da comunidade.

  • DuraçãoDuração

    Três encontros de aproximadamente 90 minutos cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Conhecimento mais apurado sobre o que a comunidade oferece para a população no território: potencialidades e fragilidades.

  • ExpectativaExpectativa

    Desenvolver a sensibilidade, a observação e a atenção; desenvolver a cooperação e a habilidade de registrar por vários meios: fotos, cartazes, arquivos digitais.

Na prática

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1º encontro: O que conhecemos do lugar em que vivemos?

Sentados em círculo, peça às crianças e aos adolescentes participantes da oficina que falem sobre sua vida na comunidade: há quanto tempo moram aí? Que escolas frequentaram? Onde fica o posto de saúde? Há bibliotecas, centros desportivos, piscina pública municipal, centros educacionais? Se há, eles frequentam? Quando? Como descreveriam as pessoas que vivem nessa comunidade? Há alguns “personagens” típicos? De que lugares gostam mais? E dos quais gostam menos? Por quê?

Observe o que trazem de informação, qual a rotina deles no correr da semana e ao final da mesma, quais os espaços do bairro mais usados por eles, os que não são usados e por quê.

A seguir, divididos em grupos, peça que nomeiem todos os lugares públicos que conhecem, na região, organizando-os num cartaz, conforme a natureza do serviço prestado (posto de saúde, escola, biblioteca, organização não governamental), identificando o lugar onde se situam. Clique aqui para ver roteiro.

Após o levantamento, abra a roda para que socializem as informações e complementem os seus cartazes. Identifique os lugares que todos conhecem e aqueles sobre os quais menos fizeram referência.

Peça que comentem o panorama esboçado nos cartazes sobre o que o território oferece: o que conseguiram identificar que ele tem, o que não tem e o que precisava ter, na opinião deles.

Proponha, então, uma saída pelo bairro, uma saída diferente, para olhar mais de perto para ele, de outro jeito que não o de costume. Será um olhar de investigador que irá conferir as informações registradas, dar mais precisão àquelas sobre fatos não tão conhecidos e descobrir outras coisas para as quais não costumamos olhar. Assim, deverão prestar atenção também às pessoas que andam pelas ruas, como andam, como se comportam, o que fazem na rua àquela hora do dia.

Também deverão observar se há monumentos pelas ruas e praças, pinturas de painéis, grafites nos muros, pichações. Outra importante observação é verificar o que o bairro oferece de acessibilidade para deficientes: há guias rebaixadas, elevadores nos prédios públicos, faixas para cegos?

2º encontro: Circulação pelo território


Como o próprio nome diz, esta atividade implica a saída para circular pelo território. Implica, portanto, planejamento das ações e atitudes pertinentes ao tema e à situação.

Verifique se alguns deles podem trazer máquina fotográfica, usar o celular para tirar fotos – caso contrário, tente conseguir algumas máquinas fotográficas com o pessoal da organização/escola, por empréstimo. Combine com eles que se não houver máquina para todos, farão um rodízio no grupo, previamente combinado, de forma que todos possam fotografar.

E se?

Se vocês não conseguirem nenhum desses recursos tecnológicos, não faz mal; a atividade poderá ser feita com algumas adaptações. Eles poderão registrar o que virem, durante a saída,
por desenhos ou palavras, nos blocos individuais de anotações.

Se no grupo, a maioria for criança, será interessante convidar familiares para participarem também da expedição, ajudando na organização. Esse convite será redigido pelas próprias crianças, com sua ajuda. Se forem adolescentes e o grupo for grande, será importante ter pelo menos uma pessoa da instituição para acompanhar a saída. No caso de haver pessoas com deficiência na turma, será preciso discutir com eles a melhor forma de ajudá-las.

Combine também procedimentos importantes como cuidar dos próprios colegas, durante o trajeto, para que ninguém se disperse ou corra riscos; respeitar os transeuntes; lanchar na hora combinada; preservar os locais por onde passarem. É interessante, no caso dos adolescentes, combinar um ponto de encontro, bem visível ou conhecido, como a porta da igreja ou a banca de jornais, caso alguém se perca, apesar dos cuidados. No caso dos pequenos, o uso do crachá com o nome da criança, da organização/escola e o número do telefone pode ajudar.
Tracem juntos o percurso que farão, usando as principais vias de circulação do território, pensando no que já levantaram como conhecidas e nos espaços menos citados, mais desconhecidos, que gostariam de conhecer. Dependendo da situação, vocês podem solicitar a parceria de outras secretarias de governo como a da cultura, no caso de uma visita monitorada a um museu ou biblioteca da região ou a do meio ambiente, no caso de visitação a um parque.
Oriente-os para flagrar, durante a expedição, cenas interessantes, inusitadas, engraçadas. Eles vão andar pelo bairro como se não o conhecessem. Ao passar pelas instituições ou praças deverão parar, olhar, fotografar e registrar os nomes delas e das ruas ou avenidas onde se situam, bem como de monumentos, pinturas, grafites. Para isso será importante terem consigo o seu bloco de anotações.

Também deverão atentar para as pessoas que estão transitando (têm pressa, olham para eles, o que elas estão fazendo?) e para os tipos de transporte que circulam (de onde vêm os ônibus que passam? Para onde vão?).

3º encontro: Organizando o material coletado

O próximo passo é organizar o material coletado durante a expedição.
Cada grupo discute, primeiramente entre si, o que considera importante levar ao coletivo, dentre as fotos e as informações registradas nos blocos de anotações, dando uma ordem ao material e à apresentação a ser feita.
Socializam, então, na roda. Inicialmente falam sobre suas impressões e sentimentos em relação à saída, à circulação pelo território, sobre suas visões a respeito do que viram e, depois, socializam as fotos e as informações, agrupando-as, a partir do que elas expressam no que definiriam como:
– as riquezas do território (coisas de que gostam, acham bonitas, sentem orgulho, os deixam felizes);
– os problemas do território (situações com as quais estão insatisfeitos na comunidade. Nesse caso, cabe a indagação: é possível mudá-las? Provoque-os a pensar o que poderiam fazer para transformar as situações apontadas);
– os sonhos de transformação.
Essa conversa deve ser registrada em cartazes que comporão um painel, ao qual darão um nome e que será afixado na sala para que possam recorrer a ele constantemente.
Hora de avaliar
A atividade : o que aprenderam?  (apareceram fatos novos em relação ao seu conhecimento da comunidade? O que não sabiam e ficaram sabendo?) Foi interessante? Por quê?
Os combinados: foram cumpridos ou descumpridos?
Uma decisão para tomar, nesse momento, é sobre como vão organizar o material coletado, para que sirva como banco de informações sobre o território, disponível para todos, o qual será alimentado e ampliado com novas informações  a partir de outras investigações. Clique aqui para ver algumas sugestões.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Transformar fatos, fotos e impressões sobre a comunidade numa primeira página de jornal; representar as riquezas, os problemas e os sonhos, por meio das diferentes linguagens da arte; programar saídas para outros locais da cidade, aproveitando parcerias com órgãos de outras secretarias. Além disso, você pode discutir com seus colegas da organização/escola como otimizar essas possibilidades. Certamente aparecerão ideias bem criativas.

Saiba mais

Geralmente acreditamos conhecer o espaço que habitamos e não nos preocupamos em investigar o que ele oferece de fato.

No caso da educação de crianças e adolescentes, o conhecimento do território e das possibilidades educacionais nele existentes é condição fundamental para se promoverem atividades que têm como perspectivas o desenvolvimento e a ampliação do seu repertório cultural.

Se considerarmos que a Constituição Brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional responsabilizam toda a sociedade pela educação de suas crianças e adolescentes, nada mais pertinente do que juntar esforços entre instituições do mesmo território para oferecer-lhes o que há de melhor para sua educação. E, para isso, há a necessidade de se conhecer o que existe no território, bem como procurar o acesso a outros equipamentos não disponíveis, em outros territórios da cidade.

O acesso aos bens culturais da sociedade (literatura , arte, esporte etc.), a interação com diferentes práticas sociais e com discursos próprios dos diferentes grupos sociais são elementos preciosos para ampliar o nível de letramento de crianças e adolescentes, condição fundamental para o seu sucesso escolar e pessoal.

Gostou?

Veja também:

– O Direito de Aprender – Educação Integral e Comunitária (Vídeo em português e inglês /WMV – 77 MB). Esse vídeo foi desenvolvido com base na publicação “Bairro-Escola passo a passo“, uma realização da Associação Cidade Escola Aprendiz, em parceria com UNICEF, Ministério da Educação, Todos pela Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Cipó – Comunicação Interativa e Fundação Educar DPaschoal.
 Cadernos Cenpec 1 – Educação e Cidade,2006

 Cadernos Cenpec 2 – Educação Integral, 2006

 Cadernos Cenpec 4 – Juventudes Urbanas, 2008

 Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 de 13/07/1990.

Fonte de Referência

SÃO PAULO (Estado). Educação e Cidadania: Justiça e Cidadania (Elaborado por ISAAC, Alexandre& MACHADO, Ronilde Rocha). São Paulo: CENPEC/FEBEM-SP/SEE-SP, 2002. 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 31 de agosto de 2015, às 13h20min.

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