Educação&Participação

Planejamento de uma poupança coletiva para realizar um passeio pela cidade.

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  • O que éO que é

    Planejamento de uma poupança coletiva para realizar um passeio pela cidade.

  • PúblicoPúblico

    Crianças e adolescentes.

  • MateriaisMateriais

    Folhas de papel sulfite, papel pardo ou cartolina, giz colorido, pincéis atômicos, uma caixa de plástico transparente ou de papel com tampa transparente.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Aprender a compartilhar sonhos e unir esforços para concretizá-los.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a elaborar metas, no coletivo, para a vida em comum e planejar ações, também no coletivo, para conseguir atingi-las.

Na prática

Primeiro encontro: Um projeto de passeio da turma

Aproveite a ocasião de uma data festiva, como o Dia das Crianças, o aniversário da instituição, a proximidade do Natal, para a realização desta oficina, pois haverá uma boa razão para pensarem em um projeto de lazer coletivo e os motivarem a organizar uma poupança coletiva.

Receba a turma ao som de uma música suave, e com folhas de papel sulfite, giz colorido e pincéis atômicos esparramados pela roda inicial.

Após a chegada e quando já estiverem sentados no chão, convide-os a pensar em seus desejos de diversão e lazer pela cidade (um parque, um jardim, um cinema, um show ou teatro infantil ou infantojuvenil, um circo, uma cachoeira etc.) e a desenhar ou escrever algo sobre eles, nas folhas a sua frente. Depois de um tempo, faça uma rodada para que falem sobre o que pensaram e mostrem os desenhos ou frases deles. Você deve fazer o seu desenho também.

Em seguida, lance o desafio para apenas pensarem, não verbalizarem:

Existiria alguma coisa dessas que pudesse envolver toda a turma?

O que acham que seria bem legal fazerem juntos pela cidade?

O que a maioria gostaria de fazer?

Para aquecer, peça que cochichem sobre o assunto, com os colegas do lado. Oriente, a seguir, para que formem grupos de quatro ou cinco componentes a fim de que exponham o que cochicharam e escolham uma das propostas feitas.

Selecionada a proposta, eles deverão discutir como poderão realizá-la, para levar a proposta para o coletivo, depois. Distribua folhas de papel pardo para registrarem qual é a proposta que o grupo elegeu e como os integrantes propõem desenvolvê-la.

Dê um tempo e abra a roda para que cada grupo exponha a proposta escolhida. Oriente-os para que observem as propostas que mais se aproximam. Provavelmente, aparecerão visitas a alguns lugares da cidade; assistir a um filme de sucesso, em cartaz; passar um dia fora da escola para fazer um piquenique num parque ou num jardim ou …

Ajude-os a avaliarem, coletivamente, a plausibilidade de cada proposta e a estimar as que são de mais baixo custo e as de custos mais altos. Eles deverão eleger uma, de preferência a que mobiliza a maior parte da turma e que seja viável de se realizar.

Pondere que alguns desejos que são mais fáceis de se realizarem e a exigência de esforços mais compatíveis com suas possibilidades deverá contar no momento da escolha. Essa é uma excelente oportunidade para que desenvolvam o senso crítico, aprendendo a pesar na balança as condições de contexto favoráveis e as desfavoráveis para a realização de alguma ação, além de aprenderem a se solidarizar com o grupo, a negociar com outras posições, em busca do consenso ou a aceitar as decisões majoritárias, postergando a realização de seu desejo para outra oportunidade.

Escolhida a proposta de lazer, oriente-os a pesquisarem na internet, nos jornais e com as famílias, os custos reais dela:

  • ingressos

(se for o caso) –  individual  ………….; total ………

 

  • transporte –  individual ………….; total ——-

 

  • lanche –  individual ………….; total………

(pão/salsicha/laranja ou banana).

Observação: Lembre-os de  atentarem  para possíveis descontos oferecidos para estudantes. No caso do transporte e da alimentação, talvez possam contar com alguma ajuda da instituição e da família.

Segundo encontro: Dimensionando os custos

Neste encontro, vão dimensionar os custos pelo levantamento que fizeram. Coloque na lousa a relação dos itens que vão custar dinheiro e os diferentes preços levantados para cada um. Tendo um panorama diversificado dos preços, poderão escolher o mais viável e definir, de fato, de quanto precisam para bancar os custos.

Questione, então, como poderiam, juntos, conseguir os recursos necessários para realizar o projeto de lazer coletivo, de forma a nenhum contribuir mais ou menos que o outro. Eles podem sugerir a venda por preços baixos de doces e bolos feitos em casa, para a turma ou para a instituição, por algum tempo; rifar algum objeto de que a família possa dispor; trazer moedas que receberam de troco.

Ótimo!

Todas essas estratégias podem ajudar a construir uma poupança coletiva, que deverá ser guardada em alguma caixa acessível, para que possam observar o valor aumentando.

Mas, quem tomará conta do dinheiro?

Deverá ficar sob a responsabilidade do educador, mas proponha a organização de uma comissão para acompanhar as entradas do dinheiro. Registrem as entradas de cada quantia arrecadada num caderninho ou num arquivo do computador, acessível a todos. A prestação de contas à turma, pela comissão, sob sua supervisão, poderá ser feita semanalmente.

Para animar a turma, é interessante organizar um cartaz, com papel pardo ou cartolina, com cortes para colocar tarjetas móveis, em que se registram: o projeto de lazer da turma, o valor que precisam arrecadar para realizá-lo, o que conseguiram na semana e o total até a data (ver sugestão no anexo 1), para que  visualizem a quanto já chegaram e o quanto ainda falta.

E se?

Se perceber desconfiança em alguém, esclareça sempre e tire as dúvidas. Proponha um rodízio da comissão para dar chance a todos de acompanharem de perto.

Quando observarem que o que arrecadaram é suficiente para realizar o que se propuseram, organize um momento para avaliarem todo o processo vivido.

Hora de Avaliar:

É importante que eles manifestem seus sentimentos em relação a terem alcançado o que se propuseram com a turma toda:

Foi bom ter um projeto em comum e trabalhar junto por ele?

Em algum momento, sentiram-se desconfortáveis por terem de esperar para alcançar a meta estipulada ou aceitar uma proposta que não fosse a sua?

Como foi lidar com as diferenças?

O que aprenderam com a atividade?

Registre num cartaz as aprendizagens relacionadas por eles e afixe na parede da sala para voltar a elas em ocasiões que julgar oportunas.

Para ampliar

O que mais poderá ser feito?

Depois dessa experiência, as crianças e os adolescentes poderão retomar outras propostas de lazer relacionadas no início da atividade, reavaliar a sua posição na escala crescente de dificuldades que organizaram, na ocasião, e eleger uma delas como o próximo empreendimento da turma.

Essa é uma oportunidade para pesquisarem os sites de financiamento coletivo disponíveis na web, os quais ajudam a levar adiante projetos sociais e culturais que não aconteceriam sem eles, por não contarem com quem os financie. É o caso do Catarse, plataforma brasileira, que tem mais de 130 mil usuários e já arrecadou quase R$ 7 milhões em financiamento coletivo nos dois  primeiros anos de existência.

Há também o Kickante , o Startando e o Começaki, dentre vários outros. 

Fontes de Referência

– Domingos, Reinaldo. Terapia Financeira – “Realize seus sonhos com educação financeira”  – São Paulo: DSOP Educação Financeira, 2011.

Para saber mais

Elaborar projetos coletivos com crianças e adolescentes para conseguirem poupar e realizar sonhos juntos, como uma tarde de convivência fora da escola, uma visita a um parque ou a aquisição de livros de poesias ou de histórias, contribui para a sua formação.

Aprendem a fazer escolhas entre o que é significativo e o que é supérfluo, a saber esperar para realizar algo de fato importante para a sua vida e as dos que os cercam e a colocar o dinheiro no seu lugar – atender às necessidades humanas.

Contribui ainda para desenvolver vínculos afetivos e solidários, entre eles, para refletir sobre os valores que norteiam nossa vida e a planejar ações em que se compartilham esforços, responsabilidades e conquistas.

Gostou?

Acesse também a oficina “Conviver ou consumir?”, deste banco.

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  •    Maria Elizabete de Pádua  em