Educação&Participação

Experiência de conviver e partilhar soluções em rede

Início

  • O que éO que é

    Experiência de conviver e partilhar soluções em rede.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Rolo de barbante, folhas de papel pardo, pincéis atômicos de cores variadas, lápis de cor, computador com acesso à internet, data show, celulares com recurso para vídeo.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades e no território

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30 min.

  • FinalidadeFinalidade

    Construir uma rede cultural na comunidade.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a organizar redes para beneficiar a comunidade; desenvolver atitudes de compartilhamento com pessoas que não pertencem ao convívio diário.

Na prática

1º encontro: O que temos de oferta cultural por aqui?

Em roda, eles farão um levantamento dos equipamentos e eventos culturais que são oferecidos na comunidade: biblioteca, cinema, circo, espaço para eventos musicais ou teatrais, saraus de poesia? Onde? Quando estão disponíveis? Com que frequência ou periodicidade é possível usufruir deles? Enquanto falam, registre num cartaz. Ajude-os a identificar o que existe, pois quase sempre há algum grupo de pessoas ou instituições que promovem eventos nas comunidades.

Organize, então, uma conversa sobre a oferta desses eventos e os desejos deles. Que avaliação eles fazem do que é oferecido: gostam? Gostariam que fosse ofertado mais vezes? Os eventos correspondem ao que desejam? Gostariam de ter também outras possibilidades de fruição cultural? O quê? Liste essas possibilidades e coloque ao lado do outro cartaz.

Proponha um desafio para eles: analisar o levantamento feito e escolher uma das indicações, mais simples, que poderia ser fruto de uma intervenção deles próprios, num projeto coletivo, com a ajuda de outras pessoas. O que eles avaliam que teriam poder de desencadear, por conta própria, e concretizar, com a ajuda de outros equipamentos sociais e de pessoas da própria comunidade?

Dê um tempo para pensarem, trocarem opiniões. Apenas faça a mediação com perguntas que ajudem a tornar o pensamento deles mais claro até escolherem uma delas, de comum acordo. Uma vez escolhida a indicação, convide-os a jogar um jogo – o jogo do barbante.

Explique que ele consiste na construção de uma rede com um rolo de barbante, tecida pelos participantes, dispostos em roda, que jogam o rolo de um para outro, até que todos o tenham recebido. Ao mesmo tempo em que vão passando o barbante, vão construindo também uma narrativa do grupo, que encaminha os passos para dar vida a uma ideia, no caso, o projeto escolhido de implementação de um evento cultural no lugar em que vivem. A intenção é desenhar, com a imaginação de cada um e do grupo, as condições de existência do produto cultural que indicaram.

Você, educador, começa o jogo, iniciando a narrativa e jogando o rolo de barbante para um adolescente qualquer da roda. Este terá que continuar a história que você começou e jogar o barbante para outro, aleatoriamente, que continuará a história mais um pouco, e assim por diante. Será interessante pedir a alguém que não é do grupo que filme a atividade, para que eles possam se ver tecendo a rede e a narrativa, no processo e, depois, ver ambas finalizadas.

E se?
Oriente os participantes que se alguém se embasbacar em dar continuidade à história, quando o barbante cair nas mãos, levem na brincadeira e ajudem-no a construir essa continuidade.

Exemplo de uma situação hipotética:

Você: Era uma vez um grupo de jovens que queria formar…

(você vai dizer o que eles indicaram como projeto da turma: uma banda para apresentar músicas, rap/ um espaço para projetarem filmes, lerem poesias, crônicas/ montar uma oficina de grafites, pinturas…), para um público jovem do bairro, que gosta de se encontrar e curtir coisas bonitas. Então...

(você joga o barbante para o participante 1, que deve continuar a frase).

 

Participante 1 – Então levaram sua ideia para uns colegas da outra turma que também gostam de… (música, rap/ adoram fazer ou ler poemas/ grafitar…)

(o/a participante 1 joga para o/a participante 2).

 

Participante 2- Esse grupo achou a ideia legal e sugeriram falar com a diretora da escola/instituição/ conselho/grêmio, para propor a ideia.
(o/a participante 2 joga para o/a participante 3).

 

Participante 3- O Conselho/o grêmio/a diretora apontou que alguns pais/alunos/professores podiam ajudar a conseguir um espaço de apresentação com a Associação de Moradores e então… (o/a participante 3 joga para o/a participante 4).

 

Participante 4- Então, …

 

E assim por diante.

Após o jogo, faça uma roda e abra uma discussão sobre o assunto. Inicialmente deixe a conversa livre para que comentem sobre o processo vivido: como foi tecer a rede, se gostaram de fazer a rede ou não; que sensações perpassaram na hora em que o barbante caiu nas próprias mãos e eles tinham que criar a continuidade da história; o que foi interessante, engraçado, chato… O jogo termina quando o barbante tiver passado pelas mãos de todos. Ao final, tirem fotos da rede tecida e do grupo.

Em seguida, comece a reflexão sobre o conteúdo da história produzida na  rede. O objetivo da história era abrir um leque de possibilidades de parcerias para o grupo, a fim de realizarem o novo produto cultural sugerido para a comunidade. Essas parcerias poderiam ser com escolas, ONGs, postos de saúde, comerciantes, associações, empresas.

Registre num cartaz todos os parceiros que apareceram no jogo e proponha que analisem se pensaram em todas as possibilidades, mesmo, ou se há alguma que esqueceram. Questione quem poderia ter sido procurado e foi esquecido na história construída, como outras escolas, ONGs, associações, empresas, o CRAS, outros comerciantes etc. Se eles se lembrarem, complementem a rede.

Depois dessa conversa coletiva, organize-os em grupos. Agora, aquecidos com as sugestões dadas no jogo e com a conversa, eles discutirão, por aproximadamente 20 minutos, como procurar os parceiros sugeridos, como propor o projeto, que estratégias consideram melhores para dar corpo à ideia inicial.

Distribua papel pardo para desenharem a rede de ajuda que estão idealizando. Findo o tempo, abra para a socialização. Cada grupo mostrará sua rede e falará de suas propostas, que serão comentadas pelo grupo: pontos positivos, facilidades e dificuldades implicadas. Os cartazes com os desenhos das redes ficarão expostos na sala para serem consultados.

Uma vez conhecidas todas as propostas, o desafio, agora, é compor, com essas redes, uma rede só, a partir da discussão coletiva sobre quais caminhos apresentados pelos grupos são mais interessantes. Eles observarão as redes, discutirão hipóteses e, com sua ajuda, desenharão a nova rede, que poderá ser modificada até que todos fiquem satisfeitos ou, pelo menos, a maioria.

Agora, é por em prática o que projetaram, tecendo a rede, de verdade.

É hora de organizarem-se em grupos e definir as tarefas de cada um: quem vai falar com quem, ou seja, quem vai procurar a associação de moradores, a gestão ou o grêmio da escola e da escola vizinha, os artistas da comunidade, as organizações da sociedade civil e assim por diante, até esgotar os parceiros levantados pela rede que desenharam.

Dica

Uma dica é a turma eleger um ou dois educadores/professores da instituição, além do seu educador/professor, como padrinhos do projeto para ajudá-los nessa empreitada.

Bem, dependendo do produto cultural que escolheram, terão que ir em busca de coisas distintas. Vejamos três exemplos:

1º Exemplo

• Se for uma banda o que querem, terão que procurar pelos instrumentos e espaços adequados para ensaiar e se apresentar. Cada grupo irá atrás de alguém da rede para ajudar a concretizar cada uma dessas coisas. Como instrumento musical é objeto caro, talvez não seja fácil consegui-los. Mas, a turma pode construir alguns instrumentos artesanalmente, com materiais recicláveis. Veja alguns sites que dão excelentes ideias para isso.

– Oficina cultural de percussão artesanal de material Reciclado – Samba do Monte (Monte Azul – São Paulo)

– Percussão sustentável- Música na Escola – Universidade de Brasília I Percussão Sustentável Garrafa Pet

– Percussão Sustentável Xeque-Balde


2º Exemplo

  • Se for instituir um espaço cultural na comunidade, para saraus com apresentações diversas como canto/poesias/crônicas/contos, a procura será por um lugar que seja de fácil acesso, seguro e periodicamente disponível para esse fim.

Consulte o site abaixo da Revista Nova Escola, pois ele dá uma ideia de como organizar um sarau na própria escola.

  • Se for um espaço para projetar sistematicamente filmes, será preciso também buscar fontes de filmes idôneas, telão, cadeiras e um espaço bom para organizá-las, afim de que o público possa assistir com certo conforto.

3º Exemplo

  • Veja como a comunidade de Barão Geraldo, bairro de Campinas (SP), resolveu essa questão, quando o cinema de arte que frequentavam foi fechado por falta de público.

Depois de verem o exemplo mais adequado ao projeto da turma, abra um debate para retomar as soluções oferecidas, que são muito singelas e realistas, para que se sintam confiantes e empoderados, a fim de partir para a ação. Mãos à obra!

Marquem um dia para trazerem as informações do que conseguiram.

2º encontro: Dando notícias.

Neste encontro, os grupos trarão os resultados das suas buscas de parcerias e darão continuidade aos encaminhamentos.

  • Se eles foram atrás de instrumentos para formar a banda, conseguiram alguma coisa para doar? Quem doará ou emprestará? Em que condições? E onde poderiam ensaiar: na escola? Na associação de moradores?

E se?

Se não conseguiram doação ou empréstimo de instrumentos, é hora de se organizarem para criar alguns instrumentos, seguindo as ideias e orientações dos sites apresentados.

  • Se eles foram atrás de organizar espaço cultural fixo para saraus, que espaços vistos pensam que seriam mais adequados? Por quê?
  • Se eles buscaram condições para instituir projeções periódicas de filmes, quais as fontes de filmes que encontraram? Quem poderá ceder o telão e o data show? E as cadeiras?

Após o balanço do que já se conseguiu e não se conseguiu, um planejamento deverá ser feito para os novos encaminhamentos, até avançarem ao ponto necessário.

Quando já tiverem as condições para realizar o primeiro evento, é marcar a data e fazer cartazes, anunciando-o na instituição. É interessante que no primeiro evento as inscrições sejam para os estudantes da própria instituição e das instituições parceiras, para que tenham mais segurança em realizá-lo. Depois de mais seguros, ampliarão a participação para estudantes de outras instituições da comunidade.

O próximo passo é abrir as inscrições para os interessados em fazer a as apresentações, a fim de produzir um programa do evento e divulgá-lo pela comunidade.

Dica

Será interessante orientá-los que, ter alguns convidados para abrilhantar as apresentações da banda, ou dos saraus, ou então para debater os filmes projetados, trará luz e potência aos eventos organizados por eles. Portanto, uma tarefa importante é pensar em quem poderia ser convidado… 

E se?

Se eles não ainda não pensaram nas regras para as apresentações e para o público, será importante que o façam. As apresentações devem ocorrer em um clima amistoso, de paz e tranquilidade. Então, algumas regras serão bem-vindas. Essas regras têm que ser combinadas entre eles e os padrinhos e compartilhadas com o público, nos momentos de apresentação.

Agora, é só aproveitar a banda, o sarau, o filme ou…


Agora é com você: quais temas foram propostos por seu grupo?
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Hora de Avaliar

A avaliação deverá ser realizada após cada evento, no encontro subsequente. Importante avaliarem a frequência (se houve pouca ou muita gente/ se houve presença de alunos de outras escolas ou instituições), o clima reinante, a qualidade do que foi apresentado e da organização do evento: antes (na montagem), durante (o desenvolvimento) e depois (desmontagem).


Agora é com você: o que mais faria?
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Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Um intercâmbio de apresentações entre grupos de bairros diferentes, por meio de contatos com outras escolas e instituições de outras regiões da cidade.


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Fontes de Referência:

  • Costa, Antonio Carlos Gomes da. Protagonismo Juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000.
  • Setubal, Maria Alice. Educação e Sustentabilidade: princípios e valores para a formação de educadores. São Paulo: Peirópolis, 2015.

Para saber mais

A participação das novas gerações na construção de projetos comuns, no espaço público, é um excelente exercício de cidadania, que desenvolve a autonomia e o empoderamento de crianças, adolescentes e jovens.

Todo cidadão, independentemente de sua idade, pode contribuir para a melhoria do território onde vive, de acordo com suas possibilidades. Para isso é preciso conhecê-lo e imaginar como gostaria que fosse.

O que leva o sonho a se tornar realidade são ações concretas que, devidamente organizadas no tempo e no espaço, conduzem às mudanças desejadas, em maior ou menor prazo, dependendo da natureza e dimensão das ações. De acordo com o que se pretende e com a governabilidade que se tem, as ações realizadas podem assumir diferentes dimensões, desde pequenas intervenções realizadas em curto período de tempo, até um projeto estruturado e institucionalizado.

De qualquer forma, qualquer que seja a sua extensão, a ação deve ser coletiva. Trocar ideias e opiniões, negociar, flexibilizar, buscar informações sobre a realidade e compará-las com outras realidades, contribui para fortalecer os vínculos de confiança do grupo e a ação ser bem sucedida. O comprometimento coletivo aumenta significativamente as chances de sucesso de uma intervenção comunitária. Além disso, o fortalecimento da participação e do engajamento com outros, num esforço continuo de cooperação e respeito, desenvolve as potências de cada um para a sua própria realização pessoal.

Os processos participativos contribuem para a formação de valores e de tomada de decisões refletidas e conscientes sobre interesses comuns, propiciando medir os próprios valores e limites. Pensar a construção da cidadania implica reconhecer a individualidade, a diversidade e a importância de uma vida pessoal que combine o individual com o coletivo.

A implementação de um projeto cultural pelos próprios adolescentes e jovens, no lugar em que vivem, propicia ainda a eles a oportunidade de se tornarem produtores de conhecimento e não apenas consumidores, na medida em que irão assumir o papel de autores de suas próprias produções, que serão divulgadas, compartilhadas e reconhecidas. Ao mesmo tempo em que as apresentações públicas estimulam e desenvolvem a autoconfiança, permitem também conhecer e usufruir das produções culturais dos colegas.

Nessa direção, estimular a criação de projetos culturais para o lugar em que vivem mobilizará os jovens para o encontro entre si e com outras pessoas e instituições da comunidade, para a troca de ideias, opiniões, pensamentos e emoções, criando uma rede de relações, em que cada fio se torna importante na tessitura comum, quando compartilhado.

Gostou?
Veja também as oficinas deste banco: “Um cineclube na comunidade” e “Um dia de intervenção estética na comunidade”.


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