Educação&Participação

Atividade de edição de vídeo.

Início

  • O que éO que é

    Atividade de edição de vídeo.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Filmadoras ou celulares com esse recurso, computadores (1 por dupla), internet.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de informática, em um telecentro ou lan house da comunidade.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30min cada.

  • FinalidadeFinalidade

    Apropriar-se dos procedimentos de edição de vídeo no meio virtual e refletir sobre o uso do audiovisual como veículo de expressão.

  • ExpectativaExpectativa

    Aprender a utilizar as ferramentas adequadas para editar um vídeo; preocupar-se com o conteúdo e a estética da produção do vídeo.

Na prática

 

Como fazer?

1º Encontro

Comece perguntando ao grupo quem já fez um pequeno vídeo com o celular para registrar momentos importantes da vida, como a comemoração do seu aniversário ou de alguém querido, o nascimento de um irmão ou irmã ou o casamento de um amigo ou amiga.

Muito provavelmente todos ou quase todos já tiveram essa experiência.

Mas, será que a geração de seus pais também filmava, fazia vídeos? E a de seus avós?

Provavelmente, poucos são os pais e muito poucos os avós que usaram esse recurso para registro de eventos e viagens porque, para isso, há anos atrás, era necessário ter uma máquina filmadora, que custava caro e nem sempre era fácil de se achar e de se carregar.

Hoje, os recursos tecnológicos são mais práticos e o acesso a eles é bem mais fácil. Nem se precisa de filmadora para filmar, se não se for um profissional. Basta ter um celular.

O vídeo é muito utilizado nos dias de hoje, havendo até um site, o You Tube, criado em 2005, exclusivo para postagem e compartilhamento desse tipo de audiovisual, em formato digital, na internet, dando acesso ao mundo todo.

Quem não conhece o You Tube? Certamente todos conhecem, mas, de qualquer forma, entre na internet e localize o site, para verem, pelos títulos e descrições, que há vários tipos de vídeos, tanto os que trabalham com imagens reais como os que trabalham com animações de desenhos; há até filmes de longa metragem, disponíveis. Nos vídeos, de maneira geral, as imagens são acompanhadas de som, por isso dizemos que constituem uma linguagem audiovisual.

O audiovisual está cada vez mais presente na nossa vida cotidiana e na produção artística contemporânea. Será que conhecem alguém que trabalha nessa área?

Muitos artistas fazem uso dessa linguagem e ela está ganhando cada vez mais espaço na arte, inclusive no Oscar, prêmio ofertado anualmente pela Academia de Cinema de Hollywood, Estados Unidos, em várias categorias

Mas isto não significa que só aqueles que possuem recursos são capazes de belas produções.  Um bom exemplo do que boas idéias podem fazer é o Cinema Novo Brasileiro. Em 1952, um grupo de jovens, engajados politicamente e criativos, iniciou o movimento que tinha como lema: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Por meio de filmes com baixo custo e forte abordagem política e social,  transformaram o Cinema Novo em uma força cultural. Os filmes do movimento retrataram a “vida como ela é”, mostrando os problemas sociais, dentro de uma perspectiva crítica, contestadora e cultural. Entre os filmes do Cinema Novo, destacam-se “Deus e o diabo na terra do Sol” de Glauber Rocha e “Ganga Zumba” de Carlos Diegues.

E eles, com uma câmara na mão, que ideias gostariam de veicular?

Estimule que pensem para além dos registros repetitivos cotidianos, considerando o recurso audiovisual como meio de expressão e veiculação de ideias, pensamentos, emoções e que pode produzir arte.

O que do cotidiano vivido, da natureza e dos costumes, do ponto de vista pessoal e social, pode ser registrado de outra forma, com outro olhar, com a intenção de provocar no outro a curiosidade, o espanto, a reflexão e a vontade de preservar ou de transformar? Convide-os a parar e pensar sobre isso. Abra um debate entre eles para aquecer a conversa e problematize as ideias para que esse seja um momento real de reflexão sobre a vida, a arte, a ética e a estética.

Da década de 50 pra cá, os meios de comunicação e ferramentas se modernizaram. Hoje em dia é muito mais fácil e rápido se produzir um vídeo. Não é à toa que se observa a multiplicação de pequenos vídeos na internet. Um exemplo das novas formas de usar a comunicação audiovisual são os flash mobs, que vêm se afirmando cada vez mais.

Pergunte se já viram um. Trata-se da filmagem de intervenções artísticas, realizadas por um grupo de pessoas que chegam num determinado lugar, vindo cada qual de uma direção e, ao se encontrarem, desenvolvem uma performance rápida, combinada anteriormente entre elas e, assim que termina, cada qual toma seu rumo, do mesmo jeito que chegou. Essas combinações podem ser feitas por meios virtuais ou de comunicação social. Os flash mobs têm vários conteúdos: políticos, humanitários, artísticos.

Mostre alguns para eles:

 Numa estação de trem na Antuérpia – Bélgica- 4min.14s.

Música com orquestra sinfônica no metrô de Copenhague – Dinamarca. 2min.17s.

Literatura na Avenida Paulista – São Paulo – Brasil. 2min15s.

Confira se gostaram e pergunte que diferenças há entre os vídeos que fazemos nos celulares e esses. É claro que há uma diferença entre os vídeos caseiros e os vídeos que assistiram, particularmente porque esses foram feitos por uma equipe de profissionais experientes.

Explique a eles que o que vemos num vídeo não é a filmagem original, tal qual foi feita, mas a composição intencional de algumas cenas dela; significa que algumas imagens foram selecionadas e outras descartadas para compor o desenvolvimento da história. Selecionar as imagens que se deseja e organizá-las, para construir um determinado efeito que se deseja, “costurando umas às outras” é o que chamamos de edição e exige certo conhecimento técnico, mas que é possível aprender e todos podem experimentar.


2º encontro: Vamos experimentar?

Para começar a aprendizagem de uma edição, é interessante fazer algo mais simples e juntos. Por isso, proponha que façam a edição de um mesmo filme, para que possa acompanhá-los, simultaneamente, e ajudá-los.  Diga-lhes exatamente isso: que eles farão a edição de um mesmo vídeo para que você possa ajudá-los mais facilmente e para que eles possam se ajudar, uns aos outros. Desta forma, poderão, posteriormente, editar suas próprias filmagens.

Para isto, é preciso que a turma grave uma cena, que pode ser na própria instituição, como uma conversa no pátio, a hora da saída dos adolescentes e jovens da instituição ou a fachada do prédio. Como todos utilizarão o mesmo vídeo, apenas uma pessoa deve realizar a gravação e depois distribuir o arquivo para todos os participantes. O arquivo, isto é, a gravação, pode ser salva em vários computadores por meio de pen drives ou ser enviada, via site de transferência de arquivos, como por exemplo, pelo https://wetransfer.com/ , que é gratuito e não exige cadastro.

Depois de salvo, podem iniciar a edição do vídeo, selecionando as imagens para construir um determinado efeito que desejam, “costurando umas às outras”.

Para realizar a edição, a proposta é utilizar o programa movie maker, programa que compõe o pacote Office.

Veja o tutorial, que serve de referência para edição do vídeo. Embora o vídeo utilizado como modelo, “um trem em movimento”, seja diferente do gravado pela turma, o passo-a-passo é sempre o mesmo; por isso, deve ser seguido por todos.

Organize-os em duplas para trabalharem nos computadores. Vamos lá? É só seguir o tutorial anexo.

E se?
Se algum adolescente ou jovem mostrar desalento e quiser desistir, tente ajudá-lo,
mas não insista. Coloque-o perto de uma dupla que está indo bem para que ele acompanhe e se aproxime gradativamente  da atividade.

Hora de avaliar

Depois de terminada a edição, faça uma roda e peça que avaliem a atividade. Foi fácil ou difícil? O que mais os atraiu? O que foi mais gratificante? O que mais dificultou a edição? Ficaram contentes com o resultado? Valeu a pena? Houve algum momento que deu vontade de largar tudo? Ou foi legal sentir que se pode aprender e persistir? Descobriram coisas novas? Quais?

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Cada um poderá exercitar fazer a edição de algum vídeo pessoal que tenha realizado, seguindo o mesmo tutorial.
Poderão também organizar um festival de apresentação dos vídeos produzidos individualmente ou em grupos, para a turma.
No dia marcado, cada um apresenta o seu vídeo e abre-se um espaço para que comentem a experiência.
Com o auxílio dos professores de Arte, História, Geografia, Português e de Informática, que tal criar um cineclube para assistir e refletir sobre algumas produções cinematográficas, do ponto de vista tecnológico e do próprio conteúdo?
Podem ser documentários ou filmes que retratam momentos históricos importantes.
Do ponto de vista tecnológico, é importante considerar que há um número grande de profissionais necessários para se chegar a essa produção.
 Chame a atenção deles para as várias habilidades exigidas nessa linha de produção, desde a escolha do local a ser filmado, a montagem, a fotografia, até a continuidade e a estética final do conjunto da produção.
Se possível, promova encontros entre os jovens e alguns desses profissionais para que possam conhecer mais de perto as características das profissões e as exigências para exercê-las.

Para saber mais

Tudo começou com a invenção do cinematógrafo, pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, na França, em 1895.

Essa máquina projetava imagens em uma tela grande, com a velocidade de 16 quadros (fotos) por segundo.

Graças à “persistência retiniana”, característica do olho humano, que retém as imagens por alguns segundos, temos a sensação de movimento, cada vez que vemos imagens projetadas, numa velocidade acima de 12 quadros por segundo. Antes mesmo do cinematógrafo, já existiam algumas máquinas que brincavam com essa possibilidade, projetando várias imagens, em sequência, com certa velocidade, para dar a ilusão de movimento.

Os primeiros filmes produzidos referiam-se a cenas rápidas do cotidiano: um trem chegando à estação ou trabalhadores saindo de uma fábrica, por exemplo.

Aos poucos, o cinema foi se desenvolvendo, aperfeiçoando-se, do ponto de vista técnico e estético, e se transformando em uma linguagem expressiva, elaborada, com o status de arte.

Com o surgimento da TV e do videotape, a produção e a circulação da arte cinematográfica passaram por mudanças; assistir a um filme na TV, no vídeo ou no DVD pressupõe uma série de alterações.

No vídeo e no DVD, pode-se, por exemplo, retroceder as imagens ou avançá-las.

Não são só as imagens que mudam, portanto, mas sim as tecnologias de produção e o contexto da circulação dos audiovisuais.

No entanto, a discussão sobre as diferenças entre produções audiovisuais cinematográficas e de vídeos, por conta das tecnologias particulares, empregadas em cada caso, perdeu a força com a passagem do sistema analógico para o digital, pois ambos se tornaram digitais e suas linguagens, híbridas, misturam-se, às vezes.

Antes, as peças audiovisuais eram produzidas em rolos de películas de filme (8 mm, 16 mm e 35 mm); depois, em fitas magnéticas (VHS, BETA, UMATIC etc.) e hoje transformaram-se em “bits”, que circulam pelas tecnologias digitais, provocando novas formas de representação da realidade, pela cultura digital.

Assim, os territórios, antes bem definidos das diferentes artes visuais, passaram a confundir-se pelo uso comum da tecnologia digital, compondo o que se chama, hoje, de audiovisual.

Certamente os jovens têm experiência como espectadores de vídeos, no mundo de hoje, no qual os recursos tecnológicos estão disponíveis e com acesso cada vez mais democratizado.

No entanto, é importante também criar condições para que vivenciem a produção audiovisual como autores, com tecnologia acessível.

Desta forma, poderão aprender a técnica de produção do audiovisual, os valores e as condutas éticas necessárias para a sua produção e divulgação e poderão contribuir para dar visibilidade às representações simbólicas de seu grupo social.

A expressão audiovisual permite a eles serem agentes criadores de novas formas culturais e de exercerem sua cidadania.

Fontes de Referência

– Cenpec- Ensinar e Aprender no Mundo Digital, v.2. São Paulo. Arte e Cultura: o audiovisual. 2011.

– Porta Curtas: http://portacurtas.org.br/

Gostou?

Veja também a oficina “Um cineclube para a comunidade”, deste banco.

Obs: Os links da oficina foram visitado em 18 de fevereiro de 2016, às 11h.

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