Educação&Participação

Leitura e produção de haicais.

Início

  • O que éO que é

    Oficina de interação com essa forma poética japonesa: conhecer, ler e produzir haicais.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Árvore de papelão, papeletas com haicais escritos, giz colorido, bloco de anotações e lápis ou caneta, folhas de papel sulfite e de papel pardo.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades, na sala de informática e em outros espaços da instituição.

  • DuraçãoDuração

    Dois encontros de 1h30min, aproximadamente.

  • FinalidadeFinalidade

    Conhecer e valorizar as formas de expressão de diferentes culturas; ampliar o repertório cultural.

  • ExpectativaExpectativa

    Apropriar-se de mais uma possibilidade de se expressar.

Na prática

haikai

Como desenvolver?

1º encontro: Desvendando o enigma dos haicais…

Prepare a sala para causar impacto na sua turma, quando a adentrarem. Arme uma pequena árvore de papelão e pendure vários haicais nos seus galhos. Ao mesmo tempo, espalhe pequenos cartazes com outros haicais pelas paredes e escreva alguns na lousa, com giz colorido, para chamar a atenção. Você encontrará belos haicais para expor na sala, nos seguintes sites:

Haicais de Millôr Fernandes

Caixa de haicais

Educar para crescer

Dê um tempo para circularem livremente e ler os poemas expostos. Quando sentir que estão instigados para saber do que trata a oficina, reúna-os na roda e pergunte se conhecem o famoso detetive inglês, Sherlock Holmes, inseparável do colega de profissão, Dr. Watson, ambos personagens de histórias criadas pelo escritor Conan Doyle, no final do século XIX e início do século XX.

Diga-lhes, então, que eles irão se transformar em Sherlock Holmes e Dr. Watson e tentarão descobrir, juntos, pistas sobre o que os poemas têm em comum, o que os caracteriza (ver a seção Para saber mais). Para isso, formarão duplas, pegarão seus blocos de anotações e mergulharão na investigação, por aproximadamente 30 minutos.

Após esse tempo, abra a roda para que falem sobre as suas descobertas. Promova o debate, questione as hipóteses levantadas por eles para que, gradativamente, se aproximem do conceito de haicai.  Nesse momento nomeie para eles esse tipo de poema – haicai – e sistematize o conceito, aproveitando as descobertas que fizeram.

Explique que o haicai, haikai ou haiku, nome dado ao menor poema do mundo, foi trazido do Japão, no início do século XX, com a chegada dos imigrantes japoneses. É um poema curto, composto apenas de três versos, que fazem alguma referência à natureza, ao descrever um determinado momento presente, vivenciado por quem escreve. É a imagem objetiva de um instante da realidade, sugestiva, mas não explicativa.

Na sua origem, o haicai não tem título, é apenas numerado e não tem rimas. Além disso, o primeiro dos três versos tem 5 sílabas; o segundo 7 e o terceiro 5, mas no Brasil, essas regras  foram rompidas, sendo os haicais escritos com mais liberdade.

Para ajudar na compreensão do gênero poético, oriente-os a irem à sala de informática ou a um telecentro próximo, se possível, nas mesmas duplas que atuaram juntas nesta oficina, para consultarem os sites indicados acima e outros que descobrirem a respeito de haicais. Eles deverão anotar as novas descobertas e as fontes consultadas, para trazer para o segundo encontro.

2º encontro – Criando haicais.

Comece o encontro com uma roda na qual os adolescentes e jovens irão socializar suas pesquisas sobre haicais, realizadas entre o primeiro encontro e o atual. Pergunte o que aprenderam sobre essa forma de fazer poema, no decorrer das pesquisas. Conforme forem falando, registre as novas aprendizagens num cartaz. Ao final das falas, celebre o resultado da investigação feita – certamente, muitos terão desvendado o que é um haicai.

Para que compreendam a assimilação desse gênero poético pelos brasileiros e as alterações ocorridas na sua produção, aqui no Brasil, projete o vídeo “A origem do haicai”, hospedado no site You tube e acesse o blog do artista Rogério Viana, que faz haicais e haigas (imagens com haicais).

Pronto! Depois de todo esse mergulho feito nos haicais e na sua história, eles já podem experimentar a sensação de um haicaísta. Essa atividade será individual. Para facilitar, exponha algumas imagens sugestivas e/ou relacione num cartaz, palavras que possam servir como inspiração….

Após a produção, peça que pendurem seus haicais num varal de barbante e leiam as produções dos colegas. Todos deverão escolher um outro haicai, além do(s) seu(s) para ler em voz alta. Ao final, peça uma salva de palmas para os novos haicaístas.

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

A turma poderá fazer uma visita a uma agremiação de haicaístas ou convidar alguns para virem à instituição apresentar seu trabalho e aprofundar mais o tema. Poderá também produzir um livro de haicais e publicá-lo para circular pelas outras turmas ou inscrevê-lo em concursos de haicais, disponíveis em sites específicos sobre o assunto.

Para saber mais

Haikai, haiku ou haicai é uma forma poética, de origem japonesa. No Japão são tradicionalmente escritos em linha vertical, muitas vezes, acompanhados por uma pintura.

Os escritores de haicais são chamados de haijins. O principal haijin  foi Matsuô Bashô, que viveu no século XVII, fazendo haicais como prática espiritual. Teve muitos discípulos, o que gerou a expansão desse tipo de poema.

Segundo Masuda Goga, praticante e estudioso do haicai,, o primeiro autor brasileiro dessa forma poética foi Afrânio Peixoto, em 1919, através de seu livroTrovas Populares Brasileiras, no qual escreveu:

“Os japoneses possuem uma forma elementar de arte, mais simples ainda que a nossa trova popular: é o haikai, palavra que nós ocidentais não sabemos traduzir senão com ênfase, é o epigrama lírico. São tercetos breves, versos de cinco, sete e cinco pés, ao todo dezessete sílabas. Nesses moldes vazam, entretanto, emoções, imagens, comparações, sugestões, suspiros, desejos, sonhos… de encanto intraduzível”.

Guilherme de Almeida, escritor brasileiro do início do século XX,  foi um dos grandes responsáveis pela popularização do haicai no nosso país, tendo produzido algumas alterações na sua forma original, como a introdução de título e rimas. Assim, no Brasil, o haicai assumiu feições próprias, abordando também outros temas, como questões do cotidiano, sentimentos e até humor, como fez o grande Millôr Fernandes.

Foi na década de 1930 que aconteceu o intercâmbio e difusão do haiku entre haicaístas japoneses e brasileiros, constituindo-se, assim, outro caminho do haikai no Brasil.

O movimento concretista brasileiro, oficialmente inaugurado em 1956 por Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari, tinha como uma de suas mais polêmicas palavras-de-ordem a abolição do verso e a sua substituição por estruturas ideogramáticas, nas quais os poemas seriam compostos pela organização espacial de palavras e letras no espaço de papel, os chamados poemas concretos.

Paulo Leminski, escritor paranaense muito conhecido e morto precocemente (1944-1989) foi outro grande haicaista brasileiro, que fez escola pela originalidade e estética de sua produção.

Interessante obsevar que a primeira mulher a publicar um livro de haikais no Brasil foi Fanny Luíza Dupré , em fevereiro de 1949, intitulado Pétalas ao Vento – Haicais. Atualmente, muitas mulheres dedicam-se ao haicai, dentre elas, a poetisa Alice Ruiz, que foi casada com Paulo Leminski.

Fontes de Referência

Oficina Diálogos Literários- parceria entre o Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo e a L&PM Editores, com a doutoranda Gabriela Silva.

Revista Brasileira de Haicai 

Sumauma

Os Dez Mandamentos do Haicai

Gostou?

Então acesse também a oficina “Cordel, a literatura popular em versos”.

 

 

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 16 de junho de 2015, às 15h.

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Total de 2 comentário(s)

  •    Mateus Stankiewicz  em 
  •    Adilson Ricardo  em