Educação&Participação

Exercício de observar a realidade sob variados pontos de vista, para conhecê-la melhor.

Início

  • O que éO que é

    O que é? Exercício de situar um fato ou acontecimento em um contexto maior, ampliando os horizontes, e em um contexto menor, aproximando-se o mais possível dos detalhes de uma determinada situação.

  • PúblicoPúblico

    Adolescentes e jovens.

  • MateriaisMateriais

    Computador, data show, folhas de papel pardo, baú com adereços para teatro, revistas, tesoura, cola, lápis de cor,guache, pincéis.

  • EspaçoEspaço

    Na sala de atividades.

  • DuraçãoDuração

    Um encontro de aproximadamente 1h30min.

  • FinalidadeFinalidade

    Desenvolver a prática de observar a realidade de vários pontos de vista, para conhecê-la melhor; compreender que os fatos da vida são mais complexos do que aparentam ser, implicando muitas relações que não percebemos num primeiro momento.

  • ExpectativaExpectativa

    Desenvolver o olhar crítico sobre o que acontece à sua volta para entender melhor do que se trata, considerando os vários aspectos e contextos envolvidos na questão, tanto os mais gerais como os mais específicos.

Na prática

Como desenvolver?

Na roda inicial, pergunte se alguma vez escutaram a expressão popular “tempestade em copo d´água”, se lembram em que situação ela foi empregada e o que acham que significa. Por que a referência a “uma tempestade” – que é algo sério, que em geral provoca medo – num copo de água, que é algo que cabe na nossa mão e temos controle? Explore as hipóteses que levantarem, ressaltando a importância de se considerar a desproporção de determinadas atitudes humanas, frente a questões não tão relevantes, por falta de crítica, de bom senso, de se ter uma visão mais ampla dos acontecimentos. Ao se comparar a situação que desencadeou a reação tempestiva com outras mais amplas, a atitude tomada pode soar exagerada.

Pois é, muitas vezes fazemos isso na nossa vida. Por conservadorismo e rigidez de pensamento, acabamos por não ver e entender determinados acontecimentos, interpretando-os de forma recorrente e preconceituosa, sem nos darmos a chance de tentar vê-los de um outro ângulo, que nos possibilite uma visão mais ampliada, com mais elementos para analisar.

Pergunte se alguém tem alguma experiência pessoal a contar sobre isso e se quer compartilhar.

E se?

Se ninguém falar, tome você a iniciativa de começar, para estimulá-los, falando sobre algo que a (o) tenha envolvido numa situação como essa.

E o contrário? O contrário também acontece. Algumas vezes não nos debruçamos sobre os vários elementos que compõem uma dada situação e ficamos só com a impressão mais geral dela, ou seja, com uma visão superficial dos fatos. E então, o que acontece quando não damos importância aos detalhes?

Estimule que pensem, levantem hipóteses e percebam que às vezes é também muito importante olhar para os detalhes, como por exemplo, ler com atenção cada orientação de um manual de instrução de uso de um eletrodoméstico que acabamos de adquirir, ou prestar atenção às reações de um amigo, quando disparamos a falar sem parar.

Na verdade, ambas as formas de pensar são fundamentais para nosso entendimento dos fatos e das pessoas: não ficar só no específico, sem visão do todo, mas também não ficar só no geral e perder a riqueza de informações que os detalhes podem nos dar. Ambas as formas de ver o mundo se complementam.

Convide-os, então, a assistir uma apresentação de slides, do livro Zoom, de Istvan Banyai, húngaro de Budapeste, que ganhou o prêmio do New York Times, em 1995. O livro é composto só por imagens que, pouco a pouco, vão dando uma visão mais ampla do mesmo contexto.
É muito interessante ver a integração de uma parte da imagem num conjunto que passa a ser cada vez menos importante, à medida que fazemos o recuo do zoom e entramos em contato com um contexto mais amplo.  Zoom nos dá a dimensão de quanto temos o olhar viciado pelo que já conhecemos, não considerando outras hipóteses mais amplas para interpretar os fatos. É sobre isso que insistiremos nesta oficina.

Projete os slides. É um momento de muita diversão e descobertas! E de surpresas! E, por isso mesmo, de um pouco de algazarra… (clique aqui para acessar o slide).

Finda a projeção, dê um tempo para comentarem livremente sobre as sensações vividas durante a projeção do vídeo e, depois, abra uma discussão sobre o seu significado, Enfatize a importância de ampliarmos nossa visão para melhor compreender a realidade e, consequentemente, saber lidar mais adequadamente com ela. E, também, como isso é difícil de se fazer…  É interessante jogar um pouco com as várias possibilidades de ação quando se tem consciência de um contexto mais restrito e quando se tem a consciência de um contexto mais amplo.

A seguir, projete o vídeo do fim para o começo. Após a projeção, peça para dizerem o que sentiram e compararem com as sensações anteriores, quando o vídeo foi projetado do começo para o fim.

Promova um debate sobre os dois tipos de raciocínio: o que vai do particular para o geral e o que vai do geral para o particular, pois os dois raciocínios são igualmente importantes para o conhecimento da realidade, para a produção das ciências e para o relacionamento humano democrático e saudável.

Proponha, a seguir, uma atividade em que alguns grupos trabalhem com a ideia de colocar uma determinada situação, criada por eles, em dois contextos ampliados, indo do particular para o geral, e outros grupos, de colocar uma situação em dois contextos mais detalhados, indo do geral para o particular.

Os grupos escolherão uma forma de expressar os novos contextos: por meio de linguagem visual como desenho ou colagem, usando uma folha de papel pardo para cada situação ou por meio de linguagem teatral, criando três cenas: a original e duas outras, detalhada e ampliada. Eles terão 40 min. para a produção.

Organize os grupos e cada um decidirá o conteúdo e a forma de expressão com que trabalharão.  Passado o tempo combinado, cada grupo apresentará as suas cenas para os demais.

Hora de avaliar

As próprias encenações dos grupos serão uma avaliação do entendimento que tiveram da proposta da oficina.

Assim, converse com eles sobre o produto de cada uma das encenações: qual foi a mensagem veiculada por cada grupo? Qual foi a maior preocupação dos autores, segundo os espectadores? E, sobre o processo, indague os sentimentos e pensamentos gerados pela proposta de afastamento e de aproximação da realidade. O que ela traz de novo para cada um?

 

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

Os jovens poderão grafitar uma parede da instituição ou do bairro, com a devida autorização, construindo um grande painel em que um mesmo objeto ou situação apareça tanto em contexto ampliado como reduzido. Poderia também ser realizada uma aproximação com o professor de Língua Portuguesa, convidando os alunos a produzirem um texto no qual relatem uma situação vivida em que faltou a visão mais ampla do fato ou, ao contrário, os detalhes foram desprezados.

Para saber mais

Segundo a psicóloga Rosely Sayão, a criança e o adolescente veem o mundo por uma lente com foco no presente. Já os adultos têm o recurso do zoom e podem considerar a complexidade das situações. Por isso, essa é uma função dos adultos – apontar a amplitude do mundo para as crianças.

Nesse contexto, o livro Zoom, ao proporcionar o exercício de ler o mesmo texto, composto só por imagens, do começo para o fim e do fim para o começo, cumpre esse papel, ajudando a criança a criar várias possibilidades de leitura e a ampliar a sua percepção estética.

Ao trazer sempre um elemento novo ao que foi visto, em que nada é o que parece ser, provoca o leitor a mudar as ideias sobre tudo o que é visto e refazer suas impressões anteriores, ampliando a visão para enxergar além do que os olhos percebem. Mostra uma proximidade que nunca chega e um limite que não existe.

Esse exercício é importante para desenvolver a compreensão do mundo, do outro e a convivência democrática.

Além disso, por ser um livro apenas de imagens, oferece ao leitor um modo diferenciado de condução da história, provocando uma reflexão sobre os modos de apreensão de linguagens – exercício este estimulador de uma atitude ativa frente ao texto.

O livro de imagem estabelece outra forma de leitura e fornece uma história aberta. Cabe ressaltar que, desde 1981, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil inclui a categoria de Melhor Livro de Imagem, para premiação anual, o que é um reconhecimento do potencial artístico desses materiais.

Fontes de Referência

BANYAI, ISTVAN. ZOOM. São Paulo: Editora: BRINQUE BOOK, 1995.

NECYK, Barbara Jane. Imagem e narrativa no livro infantil contemporâneo. . Departamento de Artes & Design. PUC- RJ. V Simpósio LaRS (Laboratório de Representação Sensível)l, 2006.

Gostou?

Então acesse a oficina “Teatro de sombras para pequenos e grandes”, deste banco.

Obs: Os links informados na oficina foram visitados em 20 de julho de 2015 às 15h30min.

Participe

Eu fiz assim…

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