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Temáticas da educação integral

Teoria e práticas na educação integral

Educação integral é um modo de conceber e organizar as atividades dessa educação que contrasta com experiências mais tradicionais de educação escolar, no entanto sem negá-las e sem desprezá-las, pois, em muitos aspectos, trata-se de avançar a democratização da escola e seus objetivos há muito tempo almejados e ainda não alcançados. Vamos ao debate? Seta para baixo

Debates e artigos

Os debates sobre educação integral tiveram como participantes gestores de redes de ensino e pesquisadores de universidades públicas – estes últimos, também são autores de artigos que acompanham cada um dos vídeos. O mediador dos debates foi o professor Romualdo Portela de Oliveira, da Faculdade de Educação da USP. Clique nas abas abaixo para ler os resumos dos debates, assistir aos vídeos e acessar a íntegra dos artigos.

Mediador

Romualdo Luiz Portela de Oliveira ROMUALDO LUIZ PORTELA DE OLIVEIRA
Matemático com licenciatura, com mestrado, doutorado e livre-docência pela Universidade de São Paulo, onde é professor titular do departamento de Administração Escolar e Economia da Educação da Faculdade de Educação. Atua na área de políticas educacionais referentes ao financiamento, à avaliação, à administração escolar e ao direito à educação. Seu estágio de pós-doutoramento foi na Universidade de Cornell, no estado de Nova Iorque, Estados Unidos. Foi consultor do Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade da Educação, em Santiago do Chile, entre julho de 2004 a março de 2005.

Fundamentos da educação integral e as implicações dessa proposta de formação humana foram alguns dos assuntos que especialistas discutiram no debate. Assista ao vídeo e leia o artigo.

O primeiro debate virtual teve como tema a concepção da Educação Integral. Os debatedores foram o Secretário Municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, e a professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Lúcia Velloso Maurício. Eles abordaram os fundamentos da educação integral e as implicações dessa proposta de formação humana. Em síntese, foram discutidos os seguintes aspectos:

    1. A proposta de educação integral está ancorada na concepção de formação humana integral. O centro do processo é o que se busca – e não onde se busca. Para dar sentido a um projeto dessa natureza, é necessário usar outros espaços além dos disponíveis na escola – como centros esportivos, museus, bibliotecas etc. Apesar de a educação integral acontecer em diversos lugares, ela não pode prescindir da articulação e integração com o projeto pedagógico da escola.

 

    1. É comum haver confusão entre educação integral e escola em tempo integral. Embora ampliar a jornada ajude a alcançar os objetos da educação integral, espera-se uma ampla modificação do projeto escolar. Com mais tempo para desenvolver o trabalho pedagógico, pressupõe-se que tempos, espaços e currículo sejam alterados para que haja ampliação e diversificação dos conteúdos, das didáticas e das linguagens, incorporando novas metodologias em novos espaços formativos. O artigo de Lúcia Velloso Maurício, escrito exclusivamente para esta página, aprofunda esses pontos.

 

    1. Ao incorporar novos tempos, espaços e conteúdos, um dos desafios é superar a visão dicotômica de que existe uma escola “que conta”, “ensina” – e, por isso, é “chata” e “formal” – e outra que “não conta” e é “divertida”, como se fossem duas escolas diferentes. A verdadeira integração pressupõe acabar com essa ruptura, muitas vezes materializada na separação de conteúdos. A hierarquização dos conhecimentos se desdobra na hierarquização entre os profissionais encarregados dessas atividades – de um lado, professores, e de outro, monitores, educadores sociais etc.

 

    1. Da superação dessa hierarquia decorre o debate sobre as condições de trabalho dos professores – que, por vezes, ampliam sua jornada – e dos educadores – que tendem a ter relações de trabalho mais precárias. Está posto um dos grandes desafios: equacionar as condições para que os profissionais da escola integral participem da construção coletiva de um novo projeto pedagógico.

 

    1. Outro desafio é elaborar um projeto pedagógico articulado com novos espaços e novas linguagens. A realização de atividades fora da escola só se justifica se estiver vinculada à proposta educacional. A incorporação de novos espaços educativos deve, por um lado, ser considerada na construção do projeto pedagógico da escola e, por outro, ser uma decorrência dele. A elaboração coletiva desse documento é fundamental para que haja sentido pedagógico em todas as atividades oferecidas pela escola de tempo integral.

 

  1. Da mesma forma que se amplia a possiblidade para novos conteúdos, espaços e tempos não trabalhados na escola de tempo parcial, é necessário pensar em diferentes formas de tratar os conteúdos tradicionais. É possível conceber o ensino de linguagem, da matemática e das demais disciplinas de maneira inovadora. A ampliação da jornada possibilita repensar a escola mesmo nos aspectos e nas práticas há muito estabelecidas.

Assista ao debate e leia o artigo de Lúcia Velloso Maurício.

 

 

Debatedores

Alexandre Schneider ALEXANDRE SCHNEIDER
Mestre em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo, Schneider é secretário municipal de Educação de São Paulo, cargo que já ocupou entre 2006 e 2012. No primeiro mandato, implantou o currículo e o sistema de avaliação externa, ampliou o tempo na escola para alunos do Ensino Fundamental de quatro para cinco horas diárias, criou 300 mil vagas em educação integral e implantou políticas educação inclusiva e sustentabilidade na rede municipal. Tem experiência como gerente de Políticas Públicas da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, de São Paulo.
Lúcia Velloso Maurício LÚCIA VELLOSO MAURÍCIO
Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-doutorado pela Universidade Complutense de Madri e Universidade Estadual do Ceará (Uece), tem experiência na área de Educação, com ênfase em escola pública de Ensino Fundamental. Atua principalmente com os seguintes temas: escola pública de tempo integral, ampliação da jornada escolar, Ciep, formação de professores, avaliação institucional e representações sociais. Conhece profundamente a obra do antropólogo e político Darcy Ribeiro e atualmente é conselheira da fundação que leva o nome dele, no Rio de Janeiro. É professora associada da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP-Uerj).

ARTIGO

Pressupostos e perspectivas para a escola em tempo integral

por Lúcia Velloso Maurício

artigo Ter clara a concepção de educação integral ajuda a distinguir as iniciativas que visam o desenvolvimento global do aluno de outras que apenas preenchem a jornada escolar com atividades desconectadas dos objetivos pedagógicos. Neste artigo, a professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro expõe as bases para que a educação integral ocorra de fato: “Nossos pressupostos iniciam com o reconhecimento de que esta proposta não se reduz à ampliação de jornada escolar, e sim em um projeto de educação que renove a escola por meio de um currículo amplo, com diversidade de linguagens, integração de conhecimentos e saberes e acesso à tecnologia e aos bens culturais.” Leia o texto na íntegra.

A perspectiva da educação integral como alternativa mais qualificada à restrição curricular a que estão submetidas muitas escolas foi um focos deste debate. Assista ao vídeo e leia o artigo.

O segundo debate teve como foco o currículo para a educação integral. Elba Siqueira de Sá Barreto, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, e Adriana Sperandio, secretária municipal de Educação de Vitória, formularam elementos para uma discussão qualificada do currículo e destacaram os seguintes aspectos:

    1. Apesar de o recurso a diferentes espaços e instituições fazer parte da concepção de educação integral, a escola continua sendo o núcleo do processo formativo. É com base nela que a articulação com outras entidades será organizada, em busca de uma nova e única proposta pedagógica que supere a mera justaposição de atividades dicotomizadas e alternadas no turno e contraturno.

 

    1. Diversas instituições podem ser parceiras na efetivação dessa proposta: equipamentos públicos como museus, bibliotecas, praças de esportes e parques; entidades da sociedade civil como organizações não governamentais e associações; e centros de formação de professores, como as universidades. Entretanto, o uso de novos espaços deve ter como eixo uma proposta formativa e não ser uma alternativa à falta de espaço adequado dentro da escola.

 

    1. Ainda que na educação integral a ampliação da jornada para sete é um fator importante, os objetivos podem ser alcançados com o aumento gradativo de horas, iniciando-se com uma ou duas a mais por dia.

 

    1. Ao pensar em um currículo adequado, é preciso ter em mente uma das principais demandas que sustentam essa proposta: a garantia de aprendizado para todos. Dessa forma, espera-se que a educação integral combine, ao mesmo tempo, o que a escola de jornada parcial faz de melhor com as novas temáticas que serão incorporadas – como esportes, artes e direitos humanos –, articuladas ou não no formato de campos de aprofundamento. Assim, a educação integral torna-se uma alternativa mais qualificada aos processos de restrição curricular a que estão submetidas muitas escolas que buscam melhorar seus resultados.

 

    1. Ao ampliar a jornada para concretizar o seu projeto formativo, a escola integral tem de superar o engessamento de algumas práticas, principalmente as relativas ao ensino disciplinar e na dicotomia “professor que ensina x aluno que aprende”. Uma possibilidade para ultrapassar essa visão são os projetos pedagógicos que integram disciplinas distintas e usam diversas linguagens para trabalhar conteúdos tradicionais.

 

  1. Nessa perspectiva, é possível pensar o currículo como um projeto que toma forma com a participação de toda a comunidade escolar, garantindo o protagonismo dos estudantes na formulação dos objetivos e das práticas escolares.

Assista ao debate e leia o artigo de Elba Siqueira de Sá Barreto.

 

 

Debatedores

Elba Sá Barretto ELBA SIQUEIRA DE SÁ BARRETO
Com graduação em Pedagogia e mestrado e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), foi pesquisadora sênior, editora dos Cadernos de Pesquisa e Superintendente de Educação e Pesquisa da Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, onde atualmente é consultora. É professora da Faculdade de Educação da USP e tem experiência nas áreas de políticas públicas, Ensino Fundamental, currículo e formação docente.
Adriana Sperândio ADRIANA SPERANDIO
Secretária municipal de educação de Vitória, graduou-se em Pedagogia pela Fundação Castelo Branco, em Colatina, Espírito Santo, e fez pós-graduação em Educação na Faculdade Saberes, em Vitória. Como servidora efetiva dessa mesma secretaria, exerceu a função de técnica, diretora e gerente da Educação Infantil. Também foi gerente do Ensino Fundamental e subsecretária de Educação Básica e Profissional do Estado do Espírito Santo.

ARTIGO

Desafios da escola em tempo integral no Brasil: concepções contemporâneas e currículo

por Elba Sá Barretto

artigo Retomando historicamente as concepções de educação integral e a sua implantação no Brasil, a professora da Faculdade de Educação da USP e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas aponta os caminhos para um currículo adequado à esse tipo de ensino. Ela acredita que, apesar da necessidade de interação com outras entidades da sociedade para que a matriz curricular se concretize e seja viva, “cabe à escola o papel principal nessa transformação”. Leia o texto na íntegra.

O novo se defronta com o estabelecido e tradicional. A educação integral impõe a necessidade pensar aspectos da gestão institucional e pedagógica diante de novos paradigmas e numa outra perspectiva de educação escolar. Assista ao vídeo e leia o artigo.

O foco do terceiro debate virtual é a gestão das escolas que oferecem educação integral. Miguel Arroyo, professor emérito da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais e Elaine Cristina Vieira Ferraz, presidente do Comitê Metropolitano de Educação Integral da Região Metropolitana de Campinas, destacaram os seguintes pontos:

    1. Uma concepção de educação integral pressupõe a incorporação de novos temas, tempos formativos e práticas educativas, tendo em vista a chegada de novos alunos. Com isso, tem-se uma nova escola, com novos gestores e novos professores – e todos demandam reflexão sobre suas atuações. Com todas essas mudanças, não é possível evocar qualquer analogia com a escola do passado.

 

    1. O novo se defronta com o estabelecido e tradicional. Um exemplo é a dicotomia turno-contraturno. Romper com ela pressupõe combater a hierarquização dos conhecimentos e dar aos novos conteúdos curriculares a mesma importância atribuída aos já legitimados pelas práticas escolares. Assim, incorporar novas práticas no contraturno é apenas o primeiro passo de um processo mais profundo de reconstrução da escola, do currículo e das práticas pedagógicas. Uma dimensão nem sempre lembrada desse processo é a necessidade de profissionalização dos educadores sociais: enquanto eles não forem reconhecidos como educadores legítimos, a hierarquia dos conhecimentos se manterá.

 

    1. A ideia de educação integral vincula-se à de formação humana integral. Apenas incluir mais conteúdos e disciplinas não atende a essa integralidade. É preciso abandonar a perspectiva escolarizante presente em várias concepções educacionais. Miguel Arroyo, em seu artigo escrito com base neste debate, desenvolve este ponto em profundidade.

 

    1. Mudanças curriculares que visem a formação humana integral necessitam incluir dois temas que, tradicionalmente estão fora da escola: o corpo, numa perspectiva de contraponto à mente; e o trabalho.

 

    1. Em relação ao corpo, entende-se que a escola não é apenas um espaço de transmissão de conteúdos, mas de corpos que vivem juntos. Isso implica pensar na dicotomia corpo-cérebro. A dança, a música, o movimento, a cultura e o sensível representam uma parte importante da formação humana integral. Quando esses elementos aparecem no currículo, geralmente são colocados em segundo plano. Integrá-los em uma proposta formativa é um desafio inerente à educação integral.

 

    1. Em relação ao trabalho, é bom lembrar que as crianças e os adolescentes trazem experiências diversas em relação a esse tema. Refletir sobre as vivências que eles têm – sejam no trabalho formal ou informal – é buscar superar a fragmentação, inclusive de suas condições de vida.

 

    1. Em nossas escolas, com a ampliação das possibilidades de acesso, chegaram ao sistema de ensino milhões de crianças historicamente excluídas, 20 milhões delas beneficiárias do Programa Bolsa Família – logo, populações extremamente pobres. Levar isso em consideração é um passo para a construção de um projeto pedagógico formativo e humanizador.

 

    1. As demandas dessa nova população que chegou à escola intensificaram as contradições com as quais diretor e coordenador pedagógico exercem sua função: ambos precisam dar resposta aos desafios estruturais do dia a dia e, ao mesmo tempo, atuar como agentes da construção de um novo projeto pedagógico. Estabelece-se, portanto, uma tensão entre as obrigações burocráticas (que sobrecarregam o dia a dia) e as ações de gestão de um projeto formativo. Cabe, aqui, a reflexão sobre os mecanismos de escolha do diretor de escola por concurso – sistema de acesso incapaz de avaliar um gestor enquanto protagonista na coordenação e formulação do projeto pedagógico. É preciso repensar os mecanismos de acesso aos cargos gestores, pois, com uma legitimidade conferida apenas por concurso, diretores escolares e coordenadores pedagógicos serão incapazes de levar a cabo suas tarefas.

 

  1. A essência do processo de mudança na gestão é buscar empoderar a comunidade escolar, fazendo com que ela participe da construção das práticas inovadoras, das quais nem sempre se têm consciência. Muitas vezes as escolas desenvolvem projetos inovadores, mas que, já rotinizados, não são percebidos como tal.

Assista ao debate e leia o artigo de Miguel Arroyo.

 

 

Debatedores

Miguel Arroyo MIGUEL G. ARROYO
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e PhD em Educação pela Stanford University, nos Estados Unidos, atualmente é professor titular emérito da Faculdade de Educação da UFMG. Foi Secretário Adjunto de Educação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, coordenando e elaborando a implantação da proposta político-pedagógica Escola Plural. Acompanha ações educativas em várias redes estaduais e municipais do país. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em política Educacional e administração de sistemas educacionais.
Elaine Cristina Vieira Ferraz ELAINE CRISTINA VIEIRA FERRAZ
Presidente do Comitê Metropolitano de Educação Integral da Região Metropolitana de Campinas. é mestranda na linha de Políticas Públicas – Educação Integral da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Pesquisadora dos grupo de pesquisas em Políticas, Educação e Sociedade e em Educação de Jovens e Adultos, ambos da Unicamp. É formada em Letras e Pedagogia, pós-graduada em Direito Educacional e Docência Superior. Atua como Gerente da Educação de Jovens e Adultos e Coordenadora do Projeto Mais Educação na Secretaria Municipal de Educação de Vinhedo, cidade do interior de São Paulo.

ARTIGO

Infâncias-adolescências em vidas integrais – Como garantir o direito à formação humana integral?

por Miguel G. Arroyo

artigo Visões reducionistas das propostas de educação integral têm comprometido iniciativas que visam à formação global de crianças e adolescentes na escola pública: “Trocar propostas sérias de educação integral por mais tempo de aprendizagem ou por tempo integral reflete a (re)interpretação que vem do paradigma universal, único e inclusivo de escolarização”, afirma o professor emérito da UFMG. Neste texto, Miguel Arroyo questiona o olhar escolarizante e suas causas e oferece caminhos para superá-lo. Leia o texto na íntegra.

Quais ações pedagógicas levam a concretização do conceito de educação integral? Segundo os especialistas, a organização curricular, a parceria com universidades e OSCs e o protagonismo dos jovens nos PPP podem dar um norte. Assista ao vídeo e leia o artigo.

O quarto e último debate de 2017 sobre educação integral abordou as ações pedagógicas que levam à concretização do conceito de educação integral. Macaé Evaristo, Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, e José Clovis de Azevedo, professor e pesquisador do Instituto Metodista do Rio Grande do Sul, destacaram os seguintes aspectos:

    1. Três elementos essenciais foram apontados como inovadores na prática da educação integral integrada: a organização do currículo com base nas necessidades e nos problemas cotidianos da comunidade trazidos pelos estudantes; a parceria com universidades e o protagonismo dos jovens nos projetos pedagógicos.

 

    1. Quando à definição do currículo, é imprescindível que a cultura e os problemas da comunidade sejam o eixo temático das ações pedagógicas – como aconteceu nas experiências Escola Cidadã, de Porto Alegre, e Escola Plural, de Belo Horizonte, citadas durante o debate. O artigo de José Clovis de Azevedo explica em detalhes as iniciativas para o Ensino Médio do estado do Rio Grande do Sul entre 2011 e 2014. Ambas as propostas consideraram os saberes disponíveis na comunidade não somente para ampliar a gama de temas mas também para dar significado ao currículo.

 

    1. Dentro dessa perspectiva, os conteúdos devem ser escolhidos com base na reflexão sobre o ser humano que se pretende formar e para que sociedade e tratados na perspectiva da interdisciplinaridade. Essa abordagem pressupõe o trabalho coletivo entre professores de diferentes áreas, o que é contraditório com a atual estrutura escolar.

 

    1. O protagonismo dos alunos também foi citado como uma prática inovadora, pois sem transformá-los em sujeitos do projeto educativo, o envolvimento deles com a escola tende a ser formal e burocrático. Uma das maneiras de viabilizar esse protagonismo é fazer da experiência escolar um processo de indagação e investigação.

 

    1. Inovar também é explorar as múltiplas possibilidades de cooperação com as universidades da região a fim de integrar as práticas escolares à formação de futuros professores, propiciando a eles experiências de encadeamento curricular escolar. Com isso, os docentes podem romper com os processos fragmentados de formação a que são submetidos no nível superior.

 

    1. Outro desafio é a construção de um projeto pedagógico único que rejeite a justaposição de conteúdos – em um período, a escola tradicional; no outro, a lúdica e inovadora. As atividades complementares devem ser articuladas em uma proposta de conjunto e ser pedagogicamente substantiva. Nessa perspectiva, concebe-se, por exemplo, que as atividades de recuperação sejam uma oportunidade de aprendizagem, podendo ser estendida a todos os alunos, e não uma punição.

 

    1. O trabalho com agrupamentos flexíveis de alunos é outra iniciativa inovadora, pois permite aos estudantes um novo olhar sobre os temas e atuação dos estudantes em diferentes frentes.

 

    1. A descontinuidade foi apontada como um entrave à implantação da escola integral integrada. Porém, ressaltou-se que quando a política pública é incorporada pela escola, dificilmente uma mudança de governo a elimina. Isso remete à necessidade de haver inciativas democráticas que tenham legitimidade junto aos diferentes atores e sejam reconhecidas como relevantes por eles.

 

  1. Finalmente, destacou-se que, apesar dos duros ataques à educação no atual momento político, vale a pena ter esperança de que tudo pode mudar se houver um trabalho coletivo.

Assista ao debate e leia o artigo de José Clovis de Azevedo.

 

 

Debatedores

Macaé Evaristo MACAÉ EVARISTO
Graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e com mestrado em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Macaé Evaristo é titular da pasta da Educação de seu estado. Na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, atuou como professora, coordenadora da Política Pedagógica, secretária adjunta e também secretária municipal (2004-2012). Foi professora do curso de Magistério Intecultural Indígena e coordenou o Programa de Implantação de Escolas Indígenas de Minas Gerais entre 1997 e 2003. No Ministério da Educação, em 2013 e 2014, foi secretaria de Alfabetização, Diversidade e Inclusão.
José Clovis de Azevedo JOSÉ CLOVIS DE AZEVEDO
Com doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo, é licenciado em História (1972) e bacharel em História Econômica do Brasil (1975) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No período 2011 à 2014, foi Secretário de Estado de Educação do Rio Grande do Sul, membro do Conselho dos Secretários Estaduais de Educação (Consed) e do Fórum Nacional de Educação vinculados ao Ministério da Educação (2011-2014). Foi secretário adjunto (1993-1996) e titular (1997-2000) da Educação de Porto Alegre. Atualmente é docente no programa de pós-graduação, mestrado profissional em reabilitação e inclusão e no curso de Pedagogia do Centro Universitário Metodista, do IPA. Foi o primeiro reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Sul (Uergs), entre 2001 e 2003. Atuou na Secretaria de Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e foi secretário geral do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS).

ARTIGO

Política educacional, educação integral e politecnia: a experiência do Rio Grande do Sul

por José Clovis de Azevedo

artigo Ex-secretário de Educação do estado do Rio Grande do Sul, o professor e pesquisador do Centro Universitário Metodista conta a experiência de transformação realizada nos quatro anos em que esteve à frente da pasta. “Os primeiros resultados apontam a existência de um processo de diálogo com a realidade juvenil, buscando o seu protagonismo, respondendo às suas necessidades, contribuindo para seus projetos de vida”. Leia o texto na íntegra.

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